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Alto, para tudo!

Sim, para tudo! Parar mesmo! Só por uma razão: está a decorrer um sínodo sobre assuntos que dizem respeito a todo o mundo e todo o mundo anda “distraído” com mil e um afazeres, igualmente importantes, mas que não permitem o indispensável acompanhamento do decorrer dos trabalhos e vão dificultar, por certo, a sua receção. Claro que em causa está sobretudo a comunidade crente católica. Mas o que se possa dizer sobre os jovens no mundo não pode deixar a sociedade indiferente.

A realização de um evento global, como é um sínodo, com a presença de representantes da Igreja Católica, não se refere apenas às quatro centenas de participantes, que se reúnem no Vaticano durante quatro semanas, ou aos jornalistas que acompanham o decorrer dos trabalhos, que não ultrapassarão as quatro dezenas (dois são de Portugal). Trata-se de um acontecimento que exige acompanhamento permanente, condição essencial para uma posterior receção e para a concretização das propostas que dele possam sair.

Durante o mês de outubro, nas semanas marcadas por comunicações, debates, gestos, propósitos e tantas outras manifestações de mudanças a respeito da relação entre a Igreja Católica, nomeadamente os seus líderes, e os jovens, a agenda eclesial foi estando igualmente preenchida. O decorrer dos trabalhos sinodais ficou por Roma, por aqueles que participam diretamente no seu desenrolar, e não encontrou possibilidade de receção em cada dia, nos sábados e domingos repletos de jornadas, encontros, peregrinações, congressos, seminários, colóquios ou como se designem acontecimentos que geram muitas reuniões de uma grande variedade de grupos religiosos. E não basta, agora, esperar as conclusões e afirmar vontade férrea para colocar em prática o que aí for sugerido. Como no decorrer do sínodo, a concretização de mudanças de atitude, pedidas por todos, vai esbarrar com agendas igualmente preenchidas, sem horas ou dias livres para pensar na renovação, na implementação de projetos e na necessária avaliação do que se tenha ensaiado.

O ambiente sinodal que se deseja não diz respeito só a alguns, nomeadamente às lideranças de uma instituição, mas a todos os que dela fazem parte. É como no ambiente empresarial: é um desafio para gestores e empresários transformar uma empresa a partir de uma cultura da participação, cujo resultado depende sobretudo do envolvimento de cada um dos seus colaboradores. E, apesar das dificuldades, esse é o caminho, cada vez mais! Nas instituições, nomeadamente as religiosas, a participação nos processos de decisão e de organização exige essa cultura, chamada sinodal no contexto católico, que começa com a atenção que se possa dar ou não a acontecimentos que a determinam. É o caso do Sínodo dos Bispos, nomeadamente o que está prestes a terminar: começou no dia 3 de outubro e termina a 28 do mesmo mês, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Na agência Ecclesia, em www.ecclesia.pt/sinodo2018, pode inteirar-se do que aconteceu e das conclusões que entretanto são divulgadas (e é de sublinhar a cultura participativa que marcou o trabalho de reportagem, numa parceria entre diferentes órgãos de comunicação social que permitiu acompanhar em Roma o decorrer dos últimos 10 dias do sínodo).

É urgente dar atenção a evento globais, a acontecimentos que dizem respeito a muitos e com repercussões generalizadas numa comunidade. Diante de calendários preenchidos e compromissos consecutivos, seria preciso afirmar, neste caso em concreto: “Alto, para tudo! Estamos em sínodo”!

Paulo Rocha

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