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O HOMEM COMO CAMINHO PARA DEUS

Desde o pecado original, «nenhum homem se pode salvar a si mesmo, nem pagar a Deus o seu resgate» (Sl 48,8). E porque é pecador. E nenhum pecador pode resgatar-se a si mesmo ou resgatar outros do pecado… Só um homem verdadeiramente Justo, um homem que não tenha pecados. Esse homem é Jesus Cristo, «em tudo igual a nós, à excepção do pecado» (Hb 4,15); «Quem de vós me pode acusar de pecado?» (Jo 8,44).
E foi como «verdadeiro homem», «em quem não achou culpa alguma» (Jo 19,4), que Pilatos o apresentou à multidão, antes de o condenar à Morte: «eis o homem!» (Jo 19,5). E foi este homem, que o centurião romano reconheceu como Filho de Deus: «Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus! (Mc 15,39). E porquê? Di-lo São Lucas: porque «verdadeiramente, este homem era justo (Lc 23,47). Ele era o Justo que Abraão não encontrou quando procurava salvar as cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18,16-33). Ele era o Justo que faltava para poder sofrer e, assim, salvar os pecadores: «Sofre o Justo pelos pecadores» – como diz o povo…

O homem é a melhor revelação de Deus. Quem, no tempo de Cristo, não conseguia ler (ver) n’Ele – na sua Vida, Morte e Ressurreição – a presença da ação de Deus, continuava à margem de Deus, ainda que fisicamente andasse e comesse com o seu Filho, como aconteceu com Judas Iscariotes. Ao contrário, quem reconhecia em Jesus Cristo – na sua Vida, Morte e Ressurreição – a presença da ação de Deus, estava em comunhão com Deus, ainda que, fisicamente, não andasse com o Filho, Jesus Cristo. Foi assim com Nicodemos: «Sabemos que vieste, como Mestre, da parte de Deus, pois ninguém pode fazer os milagres que tu fazes, se Deus não estiver com Ele» (Jo 3,2); foi assim com Pedro: «Tu és o o Cristo, o Filho de Deus vivo!»(Mt 16,16); foi assim com o centurião romano: «Este era era verdadeiramente o Filho de Deus» (Mt 27,54); foi assim com o bom ladrão: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu reino» (Lc 23,42).
Ainda assim é hoje: só uma vida verdadeiramente humana – com um coração para os outros – nos aproxima e põe com Deus e ajuda outros a aproximar-se e a encontrar-se com Deus. Jesus Cristo fartou-se de criticar, no seu tempo, o ritualismo religioso dos fariseus.
A parábola do «Bom Samaritano» é a condenação desse farisaísmo: o samaritano – um ateu, para os Judeus – estava mais próximo de Deus do que o sacerdote e o levita, demasiadamente ocupados com o culto religioso e muito pouco preocupados com o seu semelhante, caído na berma da estrada… (Lc 10,25-37).
Não basta estar batizado nem ser muito religioso para se ser filho de Deus. Vamos a Deus pelo amor: pelo amor que nos vem dos outros, que se tornam para nós caminho que leva a Deus; pelo amor que dedicamos a outros, tornando-nos, desse modo, para eles, caminho que os leva a Deus… Deus é Amor e só o amor nos põe com Ele, por nos pôr com os seus semelhantes, como o disse o seu próprio Filho: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do Mundo. Porque tive fome e deste-me de comer; tive sede e deste-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; estava nu e deste-me de vestir; adoeci e visitaste-me; estive na prisão e foste ter comigo …» (Mt 25, 34-36).

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