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Casais algarvios participaram no IX Encontro Mundial de Famílias com o papa Francisco

Os casais Marco e Cláudia Vieira (E), Mário Rui e Maria Eugénia de Jesus (C) e Rogério e Maria Graciete Egídio (D)

Foram três os casais da Diocese do Algarve que, após a preparação, participaram no IX Encontro Mundial de Famílias que decorreu entre 21 a 26 do mês passado em Dublin (Irlanda) e que contou com dezenas de milhares de participantes.

Acompanhados pelo padre Rui Barros Guerreiro, Mário Rui e Maria Eugénia de Jesus, um dos casais coordenadores do Sector Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF), Marco e Cláudia Vieira, da paróquia de Ferreiras, e Rogério e Maria Graciete Egídio, da paróquia de São Luís de Faro, foram os representantes da diocese algarvia naquele encontro mundial sob o tema ‘O Evangelho da família, alegria para o mundo’ que contou também com a participação do papa Francisco nos dois últimos dias.

Os casais participantes com o assistente do Sector Diocesano da Pastoral Familiar, cónego Carlos César Chantre, na partida para Dublin.

Os primeiros três dias foram reservados a um congresso de reflexão sobre os desafios das famílias. Uma das principais bases para essa reflexão foi a exortação apostólica ‘A Alegria do Amor’, escrita pelo papa Francisco após o Sínodo dos Bispos dedicado à Família.

No dia 24 de agosto decorreu um encontro de oração organizado pela paróquia local de Blackrock com os cerca de 90 participantes portugueses presentes no evento e presidido por D. Joaquim Mendes, bispo luso responsável por este setor pastoral, na igreja de São João Batista.

Em declarações à Rádio Renascença, o casal algarvio Marco e Cláudia Vieira destacaram o ambiente de “comunhão” e “aprendizagem” gerado “com participantes das outras nacionalidades”. “Nós os dois colaboramos, enquanto casal, em grupos de preparação para o matrimónio, na nossa unidade paroquial. São três paróquias nas quais colaboramos, e recolhemos ao longo destes dias vários contributos neste âmbito, que nos vão ser muito úteis para melhorar o trabalho que já estamos a desenvolver”, salientou Marco Vieira.

Cláudia Vieira destacou a oportunidade de perceber que o caminho que estão a percorrer, como casal e também como agentes pastorais ligados às famílias, encontra pontos de contacto e ligação em outras realidades, em outros países. “Testemunhos que ouvimos, formas de abordar as dificuldades que os casais enfrentam no casamento, como lidar com essas dificuldades, o acompanhamento pós-matrimónio, realmente vem-nos dar uma série de pistas que juntamente com o nosso pároco e os nossos outros colegas de serviço, nos ajudarão certamente a fazer um melhor trabalho”, acrescentou.

Para o casal Rogério e Maria Graciete Egídio estar num encontro internacional de famílias foi fundamental para os casais perceberem também que “não estão sozinhos na procura da felicidade”. “Encontramos irmãos de todo o mundo, preletores também de todos os países, o que me leva a concluir que realmente a Igreja olha para a família como um todo, como sendo a célula principal da sociedade civil, e na comunidade cristã também com um olhar agora para a realidade desta Igreja doméstica que são as famílias”, referiu Rogério Egídio, mostrando-se “confiante” de que, com a ação do papa Francisco e com a reflexão à volta da exortação apostólica ‘A Alegria do Amor’, que norteou o encontro, a pastoral da Igreja Católica para este setor irá “efetivamente receber um novo fôlego”.

“Agora torna-se mais fácil falar das famílias porque este encontro vem-nos dar ferramentas que nós não tínhamos no passado”, acrescentou, dando como exemplo a abordagem que foi feita, ao longo do encontro, sobre a temática do “acolhimento aos jovens casais”. “O facto de encontrarmos também alguém que nos fale daquela que tem sido uma dor para a Igreja, que são os casais separados, e como acolher esses irmãos que estão em dificuldade”, completou.

Em declarações à Agência Ecclesia, o casal Mário Rui e Maria Eugénia de Jesus sente necessária uma maior aposta nesse acolhimento. “A família é esse lugar por excelência de acolhimento, de um amor simultaneamente paterno e materno de um Deus que acolhe. Muitas vezes não vemos isso nas nossas famílias. Está na altura de começarmos a ver, nomeadamente na questão das diferentes famílias com que nos vamos encontrando nas paróquias onde que trabalhamos. Essa misericórdia divina tem que estar espelhada também em cada uma das paróquias. Ter uma equipa que acolha, que seja constituída por um psicólogo e por outras pessoas que consigam acolher e ir curando as feridas”, afirmou Maria Eugénia de Jesus.

A presença do papa no encontro ficou marcada por mensagens fortes a favor da defesa da família, que Francisco definiu como “a esperança da Igreja e do mundo”. Na Festa das Famílias em Croke Park Stadium, abrilhantada por várias atuações artísticas como a do tenor italiano Andrea Bocelli, Francisco referiu que quis “entregar a cada família uma cópia” da exortação apostólica ‘A Alegria do Amor’ “para ser uma espécie de guia a fim de se viver com alegria o Evangelho da família”, um percurso de vida que, tal como o papa teve oportunidade de constatar através do testemunho de vários casais participantes no evento, dos vários continentes, está repleto de escolhos mas também de bênçãos.

Francisco presidiu também à missa de encerramento, no Phoenix Park também na capital irlandesa, com cerca de 500 mil pessoas de mais de uma centena de países.

A agenda da 24.ª viagem apostólica internacional do pontificado do papa não se limitou ao encontro mundial e dela constaram encontros com responsáveis políticos e diplomáticos da Irlanda, tendo merecido também a atenção do pontífice a situação política e social do país, ainda muito marcado pelo histórico conflito com a Irlanda do Norte. Francisco encontrou-se com casais de noivos e esposos com diferentes anos de ligação, com várias famílias em dificuldades, sociais e monetárias que são apoiadas num centro de acolhimento em Dublin, gerido pelos padres capuchinhos, com os bispos da Irlanda, com vítimas irlandesas de abusos por parte de membros do clero e também de religiosos e a deslocação ao Santuário de Knock.

Os Encontros Mundiais das Famílias tiveram início na cidade de Roma, em 1994, por iniciativa do Papa São João Paulo II, repetindo-se a cada três anos. A cidade de Roma vai acolher o 10.º Encontro Mundial das Famílias (EMF), em 2021. A 10.ª edição deste evento vai coincidir com o 5.º aniversário da exortação apostólica ‘A Alegria do Amor’.

 

Fonte: https://folhadodomingo.pt

e agência ecclesia

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