7 de julho de 2021 –quarta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum – MISSÃO DOS DEZE.

MISSÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO

  1. Chamada e envio. Com o evangelho de hoje inicia-se o discurso apostólico de Jesus, que é o segundo dos cinco grandes discursos que formam a coluna vertebral do evangelho de Mateus e que iremos lendo em dias sucessivos. Se antes o evangelista mostrou Cristo como novo Moisés legislador e introdutor do Reino com os seus milagres, agora mostra-o como fundador do novo Israel de Deus, que é a Igreja, e iniciador da missão, característica essencial desse novo povo.

Mateus apresenta a lista dos doze apóstolos na introdução a este discurso missionário de Jesus, no momento do seu primeiro envio por Cristo à evangelização, e não num momento solene de vocação ”institucional”, como fazem Marcos e Lucas. Ao confirmar-lhes a missão, Cristo “deu-lhes autoridade para expulsar espíritos impuros e curar toda a enfermidade e doença”. Assim os sinais milagrosos avalizariam a sua palavra.

Depois de mencionar os doze, o texto de hoje inicia o discurso missionário de Jesus com duas recomendações concretas, referente a primeira aos destinatários da sua mensagem, e a segunda ao conteúdo essencial da mesma: “Não tomeis o caminho dos pagãos nem entreis em cidades da Samaria, ide antes às ovelhas desgarradas de Israel. Ide e proclamai que o Reino dos céus está próximo”.

Em primeiro lugar chama a atenção a atenção o facto de Jesus ter posto limites à missão. Esta destina-se somente aos judeus. Tal anotação parece responder a uma tradição judeo-cristã dos primeiros momentos da Igreja, e Mateus incorporou-a no texto, redigida posteriormente. Historicamente, a missão de Jesus e seus apóstolos começou por Israel, efetivamente. Pareceu normal que no princípio os judeus, herdeiros da eleição e promessa de Deus, fossem os primeiros a receber a oferta de salvação messiânica realizada em Cristo.

Passado o Pentecostes, a comunidade Cristã e a sua evangelização foram-se abrindo ao mundo greco-romano, como vemos no livro dos Actos. Para isso contribuiu em boa parte a diáspora gerada pela perseguição dos apóstolos em Jerusalém. Assim respondia a Igreja à missão universal que Cristo ressuscitado lhe confiou: Ide ao mundo inteiro e proclamai o evangelho a todas as pessoas.

 

  1. Mensagem essencial da evangelização. A segunda recomendação de Jesus aos seus missionários refere-se ao conteúdo do seu anúncio: “Proclamai que o Reino dos céus está próximo”. Assim tinha começado a sua pregação. A mensagem essencial que a Igreja deve transmitir hoje é a boa nova de que Deus ama o homem, convida-o à fé, à sua amizade, à sua adopção filial e à fraternidade humana mediante o seguimento de Cristo, que é o homem novo.

Jesus não foi um revolucionário de estilo violento, nem um ideólogo político, nem um antropólogo humanista, nem um tecnocrata especialista em programação e finanças. Contudo, a esperança teologal e humana que o seu anúncio do Reino despertou nos corações vazios de si e abertos a Deus também não foi angelical e desapegada da dura realidade quotidiana, que ele assumiu e transformou com a sua encarnação na raça humana.

Revendo, por exemplo, o discurso da montanha, cujo prólogo são as bem-aventuranças, damos conta da sua carga explosiva e revolucionária, mas em profundidade e para o interior da pessoa. É o coração que há que converter aos novos critérios e valores da justiça do Reino.

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