7 de outubro de 2020 – Nossa Senhora do Rosário

No dia 13 de Maio, na Cova da Iria, o Santo Padre, Papa Francisco, canonizou os Pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Ficaram gravadas na nossa memória as suas palavras: “Temos mãe! Temos uma Mãe”. Na última aparição aos Pastorinhos a nossa Mãe do Céu identificou-se, dizendo: Eu sou a Senhora do Rosário. Veio pedir-nos para rezarmos muito: “Rezem o terço todos os dias.”

 Com a festa de hoje a Igreja convida-nos a rezar o santo rosário. Com Maria, Mãe de Jesus, nossa Mãe, perseveremos na oração, recitando o Terço, contemplando os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos da vida de Jesus.

Nota histórica

 A festa que hoje celebramos foi instituída por S. Pio V, para celebrar a vitória na batalha naval de Lepanto, em 1571. O islamismo ameaçava a civilização cristã. S. Pio V, homem de Deus e bom diplomata deu-se conta do perigo eminente. Para além dos preparativos militares, o Papa convidou os cristãos para uma autêntica cruzada de oração a fim de obter o auxílio e a protecção divina: “Deus vinde em nosso auxílio! Senhor apressai-Vos e vinde socorrer-nos!”. Todos perseveravam unidos na oração. Todos acreditavam. O Santo Padre também mandou distribuiu terços aos militares. A presença de Nossa Senhora foi visivelmente sentida. Como forma de gratidão, São Pio V mandou celebrar a festa de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, no dia sete de Outubro. A batalha naval de Lepanto ficou na história como uma vitória ganha pela ajuda poderosa da Virgem Maria, Auxiliadora dos cristãos.

Celebramos o centenário das aparições de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. De Maio a Outubro de 1917, a Virgem Maria fez-nos esta recomendação: Rezem, rezem muito. Rezem o Terço todos os dias. Eu sou a Senhora do Rosário. Na homilia proferida pelo Santo Padre, São João Paulo II, na Cova da Iria, a 13 de Maio de 1982, encontramos uma excelente meditação sobre a mensagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima: “À luz do mistério da maternidade espiritual de Maria, procuremos entender a extraordinária mensagem que, de Fátima (Portugal), começou a ressoar pelo mundo todo, desde o dia 13 de Maio de 1917. A Igreja ensinou sempre, e continua a proclamar, que a revelação de Deus foi levada à consumação em Jesus Cristo, que é a plenitude da mesma, e que “não se há-de esperar nenhuma outra revelação pública, antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (Dei Verbum, 4). A Igreja aceitou a mensagem de Fátima porque esta mensagem contém uma verdade e um chamamento que são a verdade e o chamamento do próprio Evangelho. “Convertei-vos e fazei penitência. Acreditai na Boa Nova (Mc. 1, 15): são estas as primeiras palavras do Messias dirigidas à humanidade. E a mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência, como no Evangelho. O apelo à penitência é um apelo maternal; e, ao mesmo tempo, é enérgico e feito com decisão. A caridade que “se congratula com a verdade”(1Cor 13, 6) sabe ser clara e firme. O chamamento à penitência anda unido ao chamamento à oração. Em conformidade com a tradição de muitos séculos, a Senhora da mensagem de Fátima indica o terço – o rosário – que bem se pode definir “a oração de Maria”: a oração na qual Ela se sente particularmente unida connosco. Ela própria reza connosco. Com esta oração do terço se abrangem os problemas da Igreja, da Sé de Pedro, os problemas do mundo inteiro. Além disto, recordam-se os pecadores, para que se convertam e se salvem, e as almas do Purgatório. Na mensagem de Fátima encontramos a solicitude da Mãe do Salvador pela eterna salvação de todos os homens. À luz do amor materno, nós compreendemos toda a mensagem de Nossa Senhora de Fátima. Poderá a Mãe, que deseja a salvação de todos os homens, com toda a força do seu amor que alimenta no Espírito Santo, poderá Ela ficar calada acerca daquilo que mina as próprias bases desta salvação? Não, não pode! A mensagem de Nossa Senhora de Fátima, tão maternal, apresenta-se ao mesmo tempo tão forte e decidida. Até parece severa. É como se falasse João Baptista nas margens do rio Jordão. Exorta à penitência. Adverte. Chama à oração. Recomenda o terço, o rosário.” (São João Paulo II, Fátima, 13 de Maio de 1982 )

 

Rosário: compêndio do Evangelho

O Evangelho de hoje recorda-nos o Mistério da Encarnação. Deus Pai enviou-nos o Seu Filho muito amado, nascido da Virgem Maria, a humilde serva do Senhor. Ave, Maria! Rezamos com o Anjo.

Na leitura dos actos dos Apóstolos, S Lucas apresenta-nos a comunidade da Igreja nascente: “Os Apóstolos perseveravam unidos em oração com Maria, Mãe de Jesus.” Ao longo dos séculos esta passagem bíblica alimentou e alimenta a espiritualidade cristão. Com a Virgem Maria, em nome de Jesus, pedimos ao Pai o Seu Espírito de Amor e de paz. Santa Maria, rogai por nós!

Na oração do Terço, o enunciado dos mistérios,  tem a sua raiz na Bíblia e faz-nos recordar em ordenada sucessão os principais acontecimentos salvíficos que se realizaram na vida de Jesus Cristo. S. Bernardo escreveu: “Deus era incompreensível, inacessível, invisível e para além de todo o nosso pensamento; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado. De que modo? Sem dúvida, recostado no presépio, deitado no regaço da Virgem Maria, suspenso da cruz, lívido na morte e depois ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos Apóstolos as marcas dos cravos e finalmente mostrando-lhes a sua face gloriosa enquanto subia ao mais alto dos céus. Quem não meditará na santidade e piedade destes factos? É verdadeira sabedoria meditar nos mistérios do santo rosário, ou seja, nos mistérios da nossa salvação. É verdadeira prudência evocar a doce memória destes frutos excelentes que Maria recebeu do Céu e tão copiosamente derramou sobre nós.”

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