24 de maio de 2026 – Solenidade de Domingo de Pentecostes | O Espírito: todo o prodígio é possível

Para os primeiros cristãos, o primeiro dia da semana é um dia importante porque é o dia do Senhor, é aquele em que a comunidade costuma reunir-se para parir o pão eucarístico.
Na tarde. A indicação temporal com que começa o trecho evangélico é preciosa: indica talvez a hora tardia a que os cristãos costumavam encontrar-se para a sua celebração.
As portas estão fechadas por medo dos Judeus. Jesus certamente não tinha anunciado triunfos e vida fácil aos seus discípulos; «têm muito que sofrer no mundo» – dissera. Todavia, a razão principal pela qual se insiste nas portas fechadas é teológica: João quer que se entenda que o Ressuscitado é o mesmo Jesus que os Apóstolos viram, conheceram, ouviram, tocaram, mas encontra-se numa condição diferente. Não voltou à vida de antes (como aconteceu a Lázaro), entrou numa existência completamente nova.
O seu corpo já não é feito de átomos materiais, é imperceptível à verificação dos sentidos.
A ressurreição da carne não equivale à reanimação de um cadáver. É o mistério desabrochar de uma vida nova a partir de um ser que acaba. Paulo explica este facto pela imagem da semente. Diz que «semeado corruptível, o corpo é ressuscitado incorruptível; semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual. Se há um corpo terreno, também há um corpo espiritual».
Quando Jesus mostra as mãos e o lado, os discípulos ficam cheios de alegria. Uma reação surpreendente: deveriam entristecer-se vendo os sinais da paixão e morte. Pelo contrário, alegram-se, não porque encontraram pela frente o Jesus que acompanharam ao longo das estradas da Palestina, mas porque vêm o Senhor, dão-se conta de que o Ressuscitado que se lhe revela é o mesmo Jesus, aquele que deu a vida.
Colocando as manifestações do Ressuscitado no contexto da tarde do primeiro dia da semana, João pretende dizer aos cristãos das suas comunidades que também eles podem encontrar o Senhor – não Jesus de Nazaré, com o corpo material que tinha neste mundo – mas o Ressuscitado, sempre que se encontram juntos «no dia do Senhor».
Depois de ter saudado os discípulos pela segunda vez: A paz esteja convosco! Jesus dá-lhes o seu Espírito e confere-lhes o poder de perdoarem os pecados.
Os discípulos são enviados a cumprir uma missão: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»
Quando estava no mundo, Jesus mostrava o rosto e o amor do Pai, agora, tendo deixado este mundo, Ele continua a sua obra através dos discípulos a quem entrega o seu Espírito.
Acolhê-lo era acolher o Pai que o tinha enviado, agora acolher os seus discípulos é acolhê-lo a Ele.
Para compreender a missão confiada aos Apóstolos, o perdão dos pecados mediante a efusão do Espírito, temos que voltar às concepções religiosas do povo de Israel e às palavras dos profetas.
No tempo de Jesus, encontrava-se difundida a ideia de que as pessoas agiam mal, contaminavam-se com os ídolos, eram impuras porque movidas por um espírito mau. E esperava-se que Deus, quem sabe quando, interviesse para as libertar e infundir nelas um espírito bom.
A missão que o Ressuscitado confia aos seus discípulos é a de perdoar os pecados, continuando assim a sua obra de «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo».
Que significa perdoar os pecados? Estas palavras foram interpretadas – de modo justo, mas redutivo – como a atribuição aos Apóstolos do poder de absolver os pecados. Não é este, porém, o único modo de perdoar, isto é, de neutralizar, de derrotar o pecado. O poder conferido por Jesus é muito mais amplo e diz respeito a todos os discípulos que são animados pelo seu Espírito: é o poder de purificar o mundo de todo o tipo de mal.

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