25 de junho de 2022 – Festa do Imaculado Coração de Maria

Ao celebrarmos o Coração Imaculado da Virgem Santa Maria, lugar central donde podemos contemplar o amor imaculado de Maria. Olhar o Coração de Maria é captar, de antemão, a profundidade do Coração de Deus. Através do Imaculado Coração de Maria chegamos, numa pedagogia da fé, ao Rosto Misericordioso de Deus!

1.     O AMOR DOS DOIS CORAÇÕES

Quando olhamos as imagens do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria parece-nos apenas ver a representação habitual que nos apelam à devoção própria que cada um representa. Na verdade, cada um destes corações tem inerente a si devoções e revelações concretas que, algumas vezes, os distinguem um do outro. No entanto, sem anular o historial das distintas devoções e como elas edificaram o Corpo Místico de Cristo, é necessário salvaguardar a interacção e cumplicidade dos Corações de Jesus e da Virgem Mãe. Fixando-nos na passagem do Evangelho que escutámos podemos perceber a angústia da perda sentida pela Mãe e pela doçura da resposta do próprio Filho. Jesus é um contínuo ensinamento e a Virgem Maria, não deixando de ser Mãe, é também uma dócil discípula atenda a cada aprendizagem feita sob a Sabedoria do Filho. O silêncio da Virgem Maria e a forma como tudo orientava para a memória e a contemplação do Seu coração fazem-nos perceber que o Imaculado Coração é sobretudo o lugar do encontro: o encontro da humanidade com os paradoxos de Deus e o lugar da revelação dos Mistérios de Deus à simplicidade da humanidade.

Assim sendo, o Imaculado Coração de Maria torna-se, na vida dos crentes, o lugar onde a incerteza encontra as respostas de quem confia, e onde a irreverência se encontra com a reverência. A reacção narrada pelo evangelista contrasta com a habitual reacção proveniente do instinto maternal de qualquer mãe; ali, no encontro de Jesus, Maria é a mestra para confiar e para aceitar com reverência os desafios inscritos no Coração trespassado de Cristo.

2.     ENCONTRARAM-N’O NO TEMPLO

As referências neo-testamentárias ao Templo de Jerusalém nem sempre representam o mesmo sentido. Todavia, recordando o sentido que Jesus lhe dava, há que perceber que, já nos mistérios da infância, a relação da Virgem Maria com o Templo é sempre um sinal de sofrimento. O Mistério da Apresentação de Jesus no Templo, acompanhado das intervenções do velho Simeão e da profetisa Ana, bem como o Mistério da Perda e do reencontro de Jesus entre os doutores, são mistérios que prefiguram a “destruição” do Seu Corpo no alto da Cruz e a Sua “reedificação” em três dias, conforme havia dito. Assim sendo, a vida de Jesus é o Verdadeiro Templo, muitas das vezes significando algum sofrimento, mas um sofrimento que é acompanhado com a certeza da Fé representada na atitude da Virgem Maria que hoje escutávamos no Evangelho. Tal como o Coração de Maria não se detém na perspectiva do Templo, é necessário imitar a Virgem Mãe na entrada no interior do Templo, na busca de respostas nesse mesmo Templo e no encontro do íntimo do Templo. É dentro do Templo que as inseguranças, as inquietações e os desesperos humanos encontram a sua resposta! O triunfo do Imaculado Coração de Maria tem o seu epicentro no Coração de Cristo e, consequentemente, no coração de cada homem e mulher. Nalgumas aparições da Virgem Maria, a Mãe do Céu fala no triunfo do Seu Imaculado Coração. Este é já um dado de fé, pois o contagiante Amor que une os Corações de Jesus e de Maria são o caminho para o coração da Humanidade.

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