18 de setembro de 2022 – 25º Domingo do Tempo Comum- Ano C

O conhecimento da verdade

A noção de salvação é comum a todas as religiões e transmite a ideia de libertação de uma situação de sofrimento, de morte e de ameaça de perigo. Na tradição bíblica o salvador é sempre Deus que, por vezes, se serve de homens e mulheres. No Novo Testamento o Salvador é Jesus de Nazaré. O termo salvação deriva de um termo grego que tem uma amplitude de sentido. Na verdade, ele não designa unicamente o acto de salvação mas também o seu resultado, ou seja, uma vida íntegra, a saúde e a plenitude de vida com Deus. Assim sendo, a salvação não é só a libertação de uma situação negativa mas um aumento qualitativo de vida. 

Na segunda leitura deste domingo, retirada da carta a Timóteo, encontramos uma das afirmações centrais da fé cristã: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Deus que por amor nos criou para a felicidade quer que todos os homens se salvem, alcancem a qualidade de vida própria dos filhos de Deus: uma vida que é comunhão à imagem da Santíssima Trindade. É este o grande desafio e o grande dom que Deus dá a cada homem. É esta a vocação de todo o homem: a vida de comunhão no seio da Trindade. Paralelamente, para alcançar o conhecimento da verdade, Paulo exorta as comunidades à oração, pois nela se manifesta o grande coração de Cristo, que não faz acepção de pessoas, distinções de raça, de tribo, de nacionalidade, posição social ou riqueza, e abre o coração do Homem ao amor de Deus, que abraça a todos os povos, e ao conhecimento da verdade.

 

Caminhos de destruição

O Homem na sua peregrinação quotidiana nem sempre escolhe os caminhos de salvação. Deste modo, ao longo da história da salvação, Deus vai suscitando profetas que denunciam os caminhos de destruição pelo qual a humanidade opta. É o caso do profeta Amós, profeta das causas sociais, denuncia o modo como alguns dos seus concidadãos enriquecem, uma vez que procuram roubar o mais possível, explorando os pobres. Quando deixamos que seja o materialismo a conduzir a nossa vida não enveredamos por um caminho de salvação mas de destruição. Mas Deus está atento a esta situação e porque quer que todos se salvem e sejam felizes é que promete solenemente que irá actuar: “Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: nunca esquecerei nenhuma das suas obras”. 

 

Os bens materiais estão ao serviço

Neste domingo, podemos confessar que, à primeira vista, a parábola do Evangelho suscita um certo embaraço, pois parece elogiar o administrador desonesto e não é possível recomendar aos cristãos que o imitem. No entanto, é importante ter presente que, ao louvar a esperteza de uma pessoa, não significa que Jesus esteja de acordo com o que ela fez. Para Jesus, este administrador foi esperto porque entendeu apostar nos amigos e não nos bens, nos produtos que deveria receber e que poderiam apodrecer ou serem roubados. Contudo, o principal ensinamento que Jesus nos apresenta está no servo que não pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. No fundo, nós não existimos para servir o dinheiro, mas ao contrário, os bens materiais existem para servir o Homem. Os bens materiais, como toda a criação, são bons porque foram criados por Deus e com eles podemos fazer verdadeiros milagres. No entanto, alguns usos que fazemos dos bens materiais são perversos. Os bens estão ao nosso serviço para proporcionarem a todos condições de vida dignas. Os bens existem para servir a nossa relação com Deus, com a família e com os irmãos e não para destrui-las. Quantos insensatos que trabalhando pela ilusão da felicidade do ter sacrificam o tempo e a disponibilidade para Deus, para a família e para os irmãos, fonte de verdadeira felicidade!

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