14 de abril de 2022 – Quinta-Feira Santa – Ano C

Nesta Quinta Feira Santa vimos encontrar-nos com Jesus, celebrar com Ele a renovação da Última Ceia em que instituiu a Eucaristia e nos deixou o mandamento novo do amor.

Mostremos-Lhe o nosso amor agradecido, com o desejo de O receber em nosso coração com uma fé grande e profunda humildade.

 

Amou-os até ao fim

 A Quinta Feira Santa é para nós um dia cheio de emoções. Recordamos o amor infinito de Jesus que vai começar a Sua Paixão, que vai dar a Sua vida por nós. Antes disso quis deixar-nos outra prova do Seu Amor. “Tendo amado os Seus amou-os até ao fim”. Ficou para ser o nosso alimento, deixou o memorial da Sua Morte, que tornará presente até ao fim dos tempos a oferta do Seu Sacrifício no Calvário.

Hoje é dia para avivar a nossa fé. Jesus podia fazer esse prodígio. Ele tem todo o poder. Nas bodas de Caná, ao fazer o primeiro milagre, estava já a manifestar esse poder e a preparar o milagre deste dia em que iria mudar o pão no Seu Corpo e o vinho em Seu Sangue, como transformou a água em vinho.

Hoje é dia para agradecer este amor inaudito de Jesus, que Se dá a nós como alimento de vida eterna e quer ficar presente em nossos sacrários ao longo dos tempos, para ser o Amigo sempre ao nosso alcance. Façamos hoje muitos atos de amor e de ação de graças. Digamos muitas vezes a Jesus: Senhor, amo-Te na Santíssima Eucaristia. Aumenta-nos a fé a esperança e a caridade e a piedade.

Na Eucaristia encontramos a força para vivermos o mandamento do amor que nos deixou na última Ceia: amar-nos de verdade, sabendo servir os outros, amá-los à maneira de Jesus.

 

Isto é o Meu Corpo

Jesus toma o pão em Suas mãos, depois de terem comido o cordeiro pascal como os outros israelitas naquela noite e diz-lhes: isto é o Meu Corpo entregue por vós. Naquele momento o pão deixou de ser pão, transformou-se no Corpo de Jesus, o vinho deixou de ser vinho para ser o Sangue de Jesus.

A Igreja chama a esta mudança transubstanciação. Muda a substância, aquilo que faz com que o pão seja pão. Muda-se em Jesus, que está ali à maneira da substância, escondido sob as aparências do pão, que continuam a existir: a cor, o sabor, a aparência de pão. Elas são parte do sinal sacramental, que nos fala aos sentidos a dizer-nos que Jesus é alimento divino para nós.

Ele é o pão da vida eterna, como tinha prometido antes em Cafarnaum: Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente (Jo 6,51).

Manifestar a nossa gratidão a Jesus neste dia é fazer o propósito decidido de alimentar-nos dEle com frequência e com a alma bem preparada. Como o centurião, em Cafarnaum, dizermos a Jesus: Senhor eu não sou digno de que entres em minha casa mas diz uma só palavra e serei salvo.

Recebamos a Jesus com amor, com a alma bem limpa do pecado e com uma grande fé e humildade.

 

Fazei isto em memória de Mim

Jesus quis que este prodígio de amor se renovasse até ao fim dos tempos. Deu aos Seus Apóstolos o poder de fazerem o que Ele fez: Fazei isto em memória de Mim. Jesus ordena-os sacerdotes para poderem celebrar a Santa Missa.

Eucaristia e Sacerdócio andam estreitamente unidos. Hoje é para nós oportunidade para rezar mais pelos sacerdotes. Pedir ao Senhor que sejam santos e celebrem piedosamente a Eucaristia.

E pedir também para que todos os cristãos saibam apreciar a santa Missa, participando nela com fé, com o desejo de estar com Jesus, de escutar as Suas palavras de se alimentarem deste pão divino que Ele nos dá.

A Santa Missa é memorial da morte de Jesus. Recorda a sua oferta ao Pai no Calvário e torna-a presente sobe o altar. As duas consagrações significam a morte de Jesus, como se o Seu Corpo e o Seu Sangue estivessem separados. As palavras da consagração referem a Sua morte: corpo entregue, Sangue derramado.

É um verdadeiro sacrifício, oferta a Deus para O adorar, para agradecer, para pedir perdão e para pedir novos favores para a Humanidade. Nela somos chamados a participar unindo-nos à oferta de Cristo, pondo sobre o altar a nossa vida, as nossas penas, os nossos trabalhos, as nossas alegrias.

A Eucaristia é um mistério de fé e de amor, que nunca meditaremos suficientemente.

“Não ama a Cristo quem não ama a Santa Missa, quem não se esforça por vivê-la com serenidade e sossego, com devoção e carinho. O amor converte os enamorados em pessoas de sensibilidade fina e delicada; leva-os a descobrir, para que se esmerem em vivê-los, pormenores às vezes insignificantes, mas que trazem a marca de um coração apaixonado. É assim que devemos assistir à Santa Missa.” (JOSEMARIA ESCRIVÁ, Cristo que passa, 92 ).

 

Visitemos muitas vezes a Jesus escondido nos sacrários das nossas igrejas, procurando fazer-Lhe companhia e encher-nos das Suas graças. S. João Paulo II gostava de estudar e escrever na capela, junto do seu gabinete de trabalho. E algumas vezes passava noites inteiras ajoelhado ou prostrado junto do sacrário.

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