15 de abril de 2022 – Sexta-Feira Santa – Celebração da Paixão do Senhor

Este é o primeiro dia do Tríduo pascal. O que Jesus realizou ontem nos ritos da Ceia, Ele realiza hoje na dureza da Cruz: entregou-se totalmente por nós, consumou por nós a sua vida, numa total entrega ao Pai, para nos reconciliar com Deus.

O Senhor está suspenso e morto no madeiro da Cruz! Cruel estupidez humana! Jesus, que passou por entre os seus compatriotas fazendo o bem, curando os doentes, ressuscitando os mortos, anunciando o pecado e reescrevendo a Nova e Eterna Aliança com a lei do amor e da misericórdia, recebe hoje o seu prémio humano: a Cruz!

Jesus, carregando a cruz, sendo humilhado, pregado e suspenso no madeiro da Cruz, derrama, de seu lado aberto, por sobre a seca estupidez humana, torrentes de amorosa misericórdia. Porque Deus não é um Deus vingativo, mas sim um Deus clemente e justo, o Santo dos Santos.

A serena majestade de Jesus no caminho livre para a Cruz

Jesus viveu sempre na intimidade do Pai. No seu caminho neste mundo, aprendeu a descobrir, cada dia, a vontade do seu Pai e a ela obedecer. Esta obediência custou-lhe lágrimas, fê-lo sofrer. Toda a existência do Senhor Jesus foi uma total dedicação ao Pai, uma absoluta entrega, no dia-a-dia, nas pequenas coisas. Jesus foi procurando e descobrindo a vontade do Pai nos acontecimentos, nas pessoas, nas Escrituras e, pouco a pouco, foi percebendo que esta vontade ia levá-lo à cruz. E Ele, foi-se entregando, esvaziando, abandonando… Assim, caminha Jesus livremente para a Cruz, seu trono de glória e fonte de vida para os seus. A sua prisão não se deve à violência exercida pelos atacantes, mas à sua entrega soberana e consciente.

 

Jesus é conduzido para o tribunal romano, onde se defende sem perder a serenidade.

 

As negações de Pedro e a afirmação de Jesus

Interrogado sobre a doutrina e os discípulos, Jesus declara: «pergunta aos que me ouviram»… e é Pedro, seu ouvinte privilegiado, quem O nega por três vezes. Fica patente o contraste entre a negação repetida de Pedro, seu discípulo, «não sou» e a afirmação do Mestre, «Eu sou».

O justo é julgado e condenado por acusações sem consistência e júri injusto: testemunhas falsas, torturas, autoridade lavando as mãos cobardemente, cenas de violência e de morte.

Condenado, torturado, pregado na cruz, aí morreu numa das cenas mais tristes e dolorosas da humanidade, para nossa Salvação. Por isso este dia deve ser um dia de grande silêncio para toda a humanidade. É o dia do silêncio de Deus para manifestar a sua glória na celebração da Páscoa. Mostra com a morte de seu Filho na Cruz o trono do nosso Salvador e a sua verdadeira glorificação.

 

A Cruz, nos silêncios de Deus

Nos silêncios de Deus não tenhamos medo de assumir a nossa própria Cruz. Precisamos resgatar a dimensão do sofrimento, como meio de santificação e purificação e o silêncio, como momento de encontro com Deus. Entremos nessa obediência bendita e amorosa do nosso Senhor: façamos de nossa vida uma entrega total ao Pai com Jesus: entrega dos nossos actos, dos nossos pensamentos, dos nossos afectos, dos nossos negócios, da nossa vida familiar e profissional, das nossas decisões e escolhas, das nossas relações humanas… Tudo, absolutamente tudo, ofereçamos ao Pai com Jesus e por Jesus e entraremos na salvação que Jesus nos trouxe pela sua Cruz! Não esqueçamos: nesta santíssima Sexta-feira da Paixão, somos convidados a não somente contemplar, admirados, a obediência total, ao Pai amado de seu Filho querido, mas também somos interpelados a participar na nossa vida dessa mesma obediência! 

Ao pé da Cruz descobrimos Maria, Virgem fiel. Peçamos-lhe, nesta Sexta-Feira Santa, que nos empreste o seu amor e a sua força, para que também nós saibamos acompanhar Jesus. Dirijamo-nos a Ela rezando-lhe: Minha Mãe que o vosso amor me ate à Cruz de vosso Filho; que não me falte a Fé, nem a valentia, nem a audácia, para cumprir a vontade de Jesus nosso Salvador. Amém.

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