11 de junho de 2021 – Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum – Ano B

LEITURA I Amós 7, 12-15

Leitura da Profecia de Amós

Naqueles dias, Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

Refrão: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor
e dai-nos a vossa salvação.

Ou: Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis
e a quantos de coração a Ele se convertem.
A sua salvação está perto dos que O temem,
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra,
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom,
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente,
e a paz seguirá os seus passos

 

LEITURA II Forma longa Ef 1, 3-14

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis,
em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho.
N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção e a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio de benevolência n’Ele de antemão estabelecido, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra. Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo.
E o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.

Palavra do Senhor.

 

EVANGELHO Mc 6, 7-13

+ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro;
que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem,
ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

Palavra da salvação.

 

Reflexão:

A Eucaristia, Cristo no meio de nós, interpela-nos a uma resposta positiva. Cristo vem ao nosso encontro e chama pelo nosso nome. Partilha connosco a Palavra que ilumina o sentido mais profundo da nossa vida. Dá-se a nós para que possamos viver n’Ele por Ele e com Ele. Envia-nos, “Ide em Paz”, para O anunciarmos a todas as pessoas e em todos os ambientes.

Docilidade e coerência dos mensageiros.

A Palavra de Deus lança desafios a todos os discípulos na responsabilidade de anunciar o Evangelho. Jesus Cristo chamou, ensinou, preparou, com palavras e gestos, e enviou com a sua autoridade. Indicou também os sinais da autenticidade do enviado ou mensageiro: leve de equipamento e um estilo de paz, de coerência, simplicidade, fé a toda a prova, pobreza e despojamento.

A credibilidade do mensageiro está no seu estilo de vida: sobriedade, serviço, simplicidade e entrega. Um mensageiro que transmite com fidelidade, despojado das suas opiniões, sem buscar seguranças de poder, de prestígio ou de benefícios. Assim a mensagem será como água límpida e pura a saciar os corações sedentos e os buscadores das fontes genuínas.

 

Dinamismo da ação de Deus nos seus discípulos.

Amós um homem dedicado ao mundo da agricultura, revelando um certo estatuto e uma certa posição, tudo deixa para servir ao Senhor. Não há sombra de interesse pessoal ou busca de benefício e vantagens pessoais. Nem sequer está na tradição de antepassados de profetas: “Eu não era profeta nem filho de profeta (…) foi o Senhor que me tirou da guarda de rebanhos e me disse: “Vai profetizar ao meu povo de Israel”. Também por isso Amós reconhece que não pode haver dificuldades para quem é enviado em nome do Senhor. O “vai-te daqui” só serve para o profeta ter consciência de como os seus gestos e palavras são providenciais. E serve para robustecer a convicção da inteira fidelidade à missão dada por Deus.

Também Paulo se sente amado, chamado, escolhido e enviado. Ninguém o impedirá de anunciar Jesus Cristo. Por isso Paulo partilha connosco de forma densa a escolha que Deus faz a cada um. Em Cristo tudo de belo aconteceu em nosso favor. E todos, conhecendo esta formidável notícia, são convidados a assumi-la na vida e a propô-la a todos. O Evangelho deve ser anunciado por cada um como água límpida que corre da fonte.

Também os doze são chamados, escolhidos e enviados em missão. A coerência da vida, o despojamento, a pobreza e a total confiança em Deus deixa intuir a força vinculativa da Boa Nova. O que atraiçoa a beleza da mensagem do Evangelho é a falta de coerência, os interesses pessoais de vária ordem que pervertem o dinamismo da mesma proposta, o não assumir a própria fragilidade como motivo para a busca do perdão, da graça e da humildade.

 

Urgência da Missão e de Discípulos.

É urgente a missão do anúncio do Evangelho com toda a frescura. Tal exige um encontro pessoal com Cristo numa oração ativa, substancial, no encontro sacramental da Eucaristia e Reconciliação. Conseguir a leveza do coração, impedindo de ser coração dividido, pelo esmero de este estar na mais intensa comunhão com Deus e na luta constante contra todo o pecado. Conhecer e amar, na docilidade ao Espírito Santo, o conteúdo belo a fé, contido na Palavra de Deus, na Tradição e no Magistério. E ainda no fluxo de obras, que pela santidade e sabedoria dos seus autores, reforçam o ensinamento essencial de Cristo e da Igreja.

A missão hoje é urgente, cansativa e laboriosa pois enfrenta a ignorância, a má vontade, as ideologias perniciosas e interesseiras, a mentira e falsidade nos campos pseudo científico, histórico e religioso. Diante de tal devemos possuir a consciência de Amós, de Paulo, dos Doze e de todos os que na mesma missão, se gastaram, se consumiram e deram a vida.

A urgência de Discípulos, formados na escola de Cristo, na docilidade ao Espírito Santo, amorosos e dedicados à Igreja, conhecedores de forma intensa e profunda do ser humano e dos ambientes, que sabem discernir, acolher, dizer, atuar. Também personalidades maduras que aguentam a dureza dos tempos, dos ambientes e de movimentos que se opõe a esta tarefa.

Discípulos coerentes, pessoas de paz, de bondade, desinteressados de vantagens pessoais, que crêem firmemente na força e no dinamismo do Evangelho e na presença de Cristo, que anunciam a salvação dom excelente de Deus.

Discípulos conhecedores das suas fragilidades: “temos um tesouro em vasos de barro”, relembra o papa Francisco e exorta todos a tomar consciência de sermos ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo em nossa fragilidade… nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.

‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro… a hipocrisia em relação a nós mesmos”.

“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O quê? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”. É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor. (Papa Francisco, homilia diária, 16/6/17).

 

 

Oração Universal ou dos Fiéis 

Irmãs e irmãos:
Supliquemos a Deus Pai que nos mostre a sua misericórdia e dê a salvação à santa Igreja, dizendo (ou: cantando), de coração sincero:

R. Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.
Ou: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.
Ou: Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

1. Pelo Papa N., e por todos os bispos, presbíteros e diáconos,
para que celebrem os mistérios de Jesus Cristo
com alegria e fervor sempre renovados,
oremos, irmãos.

2. Pelos apóstolos que Jesus continua a enviar,
para que, sem alforge nem dinheiro,
anunciem o arrependimento e a paz,
oremos, irmãos. 

3. Pelos que têm fome e pelos doentes,
pelos rejeitados e por todos os que sofrem,
para que encontrem alívio junto de Deus e dos homens,
oremos, irmãos. 

4. Por todos aqueles que Deus abençoou e escolheu,
e pelos que chamou à fé e marcou pelo Espírito,
para que sejam santos e irrepreensíveis na sua presença,
oremos, irmãos.

5. Por todos nós aqui reunidos em assembleia,
para que Deus nos conceda o perdão dos pecados
e a vontade de cumprir os mandamentos,
oremos, irmãos. 

(Outras intenções: enfermos que receberam a santa Unção; vocações …).

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,
que nos destes a conhecer a vossa vontade de renovar todas as coisas em Cristo, iluminai os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados.
Por Cristo Senhor nosso.

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