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10 de março de 2019 -1º Domingo da Quaresma Ano C

A finalidade da Quaresma é, como já dissemos, preparar a Festa da Ressurreição, lembrando-nos com a cerimónia inicial das cinzas a caducidade do mundo em que nos movemos agora. Estas semanas simbolizam o jejum, a oração e a reflexão de igual período do tempo que Jesus passou no deserto, a rezar e a fazer penitência por nós, antes de se lançar na pregação do Reino de Deus. São, portanto, quarenta dias que deverão ser consagrados, também por nós, à penitência, à oração, a reflexão e à partilha.
O deserto é um lugar árido, desprovido de todo o conforto, sem sendas, nem estruturas, nem «esquemas feitos», onde o homem, na aspereza que o rodeia, poderá descobrir o seu próprio caminho em busca do «rosto» de Deus e do Seu próprio «rosto». Só no deserto, isto é, no silêncio, se poderá descortinar um pouco o Absoluto e se descobre a relatividade de tudo o mais que existe.
Na 1ª leitura verifica-se que Deus utiliza o deserto como meio pedagógico na condução do Povo Eleito. Este só alcança a Terra Prometida depois da sua dura caminhada pelo deserto. Foi através deste, que Moisés realizou a sua vocação de libertador dos judeus escravizados pelos egípcios.
Na 2ª leitura São Paulo fala-nos da nossa responsabilidade como cristãos que aceitam «a palavra de fé» e a põem em prática, acreditando na universalidade da salvação eterna.
O Evangelho retoma a mesma ideia da necessidade do deserto. Aqui, no silêncio, há mais possibilidade de se conseguir o despojamento de nós mesmos, dos nossos defeitos, dos nossos vícios… Jesus que era a perfeição absoluta, mostra-nos que, para uma entrega total numa séria busca de Deus, se torna indispensável a ausência de barulho. Ele próprio, que era Deus, dá-nos o exemplo. No bulício de uma vida agitada, ou instalada, Deus não se manifesta. O deserto é o espaço mais adequado para orar e meditar nos verdadeiros valores da vida, na autenticidade das coisas e das situações.
Como o período de purificação que é, a Quaresma marca o seu início com o ato penitencial, simbolizado pela imposição das cinzas.
O tema base deste Domingo refere-se, porém, especialmente, às tentações de Jesus, depois de Sua oração e do seu longo jejum no deserto. Fortalecido pelo Espírito, resistiu frontalmente às seduções do demónio. Para nós, simples mortais, nem todas as tentações provém de Santanás. Há aquelas que resultam da fraqueza da nossa carne decaída, contaminada pelo pecado.
Nas tentações, Deus condena a nossa falta «de confiança n’Ele e de fé no Seu poder». A tentação pode ser um meio de purificação que nos ajuda a aproximar de Deus, por nos fazer sentir que, sozinhos, sem a Sua ajuda, nos degradamos e andamos à deriva sem ter a que nos agarrar.

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