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10 de junho: «Portugal e Cabo Verde têm uma relação embrionária muito grande» – Bispo de Mindelo

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas conta este ano com um programa repartido pelos dois países.

Lisboa, 10 jun2019 (Ecclesia) – O bispo do Mindelo diz que a comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, este ano em ligação com Cabo Verde, vem reforçar os “laços” existentes entre os dois países, “que nunca se perderam”.

“Há coisas que são passos históricos e por mais que o tempo avance e passe esses laços mantém-se, a cultura, a língua, o afeto. Entre Cabo Verde e Portugal há uma relação embrionária muito grande”, de “mais de 500 anos”, sublinha D. Ildo Fortes, em declarações à Agência ECCLESIA no âmbito do 10 de junho que hoje se assinala.

O programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas divide-se este ano entre a cidade de Portalegre e as Ilhas de Santiago e São Vicente, em Cabo Verde.

O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa esta segunda-feira de manhã numa cerimónia militar em Portalegre, seguindo depois de avião para a Cidade da Praia, em Cabo Verde, na companhia do primeiro-ministro António Costa e do presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

Já em Cabo Verde, Marcelo Rebelo de Sousa fará um segundo discurso, ao fim do dia, durante uma receção à comunidade portuguesa atualmente radicada naquele país lusófono.

Se em Portugal a comunidade de emigrantes cabo-verdianos é a mais significativa do país, composta por cerca de 250 mil pessoas, é preciso realçar que o número de portugueses a residir em Cabo Verde também tem aumentado nos últimos anos, cifrando-se atualmente em mais de 18 mil pessoas.

“Os portugueses sempre foram para Cabo Verde, mas agora com a crise que se abateu sobre a Europa nós sentimos uma afluência maior de portugueses em Cabo Verde, sobretudo empresários na área da construção, do comércio, porque foi uma saída que encontraram e se estabeleceram. Os portugueses em Cabo Verde sentem-se em família”, destaca o bispo do Mindelo.

Para aquele responsável, Portugal e Cabo Verde “só tem a ganhar com essa relação”, embora existam aspectos que possam ser melhorados, como a questão da circulação e da entrada dos cabo-verdianos em Portugal, marcada por vários obstáculos, e que também se verificam em outros países da Europa.

“Eu sinto a dor dos cabo-verdianos, a tremenda dificuldade, aliás para não dizer até alguma humilhação, que têm para sair de Cabo Verde e de vir até à Europa. Porque nesta Europa que se fecha infelizmente cada vez mais, com medo do estrangeiro, com medo dos refugiados, Cabo Verde, os países de África, apanham pela medida”, aponta D. Ildo Fortes.

Para aquele responsável católico, é fundamental dar passos mais consistentes no sentido “de uma maior maneira de cada país se comunicar, aliás também entre os países da Lusofonia”.

“Eu espero que seja um passo que se venha a dar no futuro”, acrescenta o bispo do Mindelo.

Esta segunda-feira, a agenda luso-cabo-verdiana inserida nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas incluirá um espetáculo musical com a participação de artistas como o cantor Tito Paris e a fadista Raquel Tavares, na Escola Portuguesa de Cabo Verde.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa regressam ao mesmo local para inaugurar um parque desportivo.

Depois os dois responsáveis políticos portugueses centrarão atenções no Mindelo, na Ilha de São Vicente, para um itinerário festivo que contará com uma visita a uma exposição de arte contemporânea e um tempo de confraternização com vários jovens desportistas, acompanhados do antigo futebolista do Benfica Eliseu, internacional português mas com raízes em Cabo Verde.

As iniciativas culminarão com um desfile das Forças Armadas de Cabo Verde, com a presença de uma delegação militar de Portugal.

A respeito do 10 de junho, o programa 70×7 (RTP2) apresentou este domingo uma reportagem com turistas e imigrantes que apresenta “Portugal visto por quem não é português”: a cultura, o povo e os seus costumes.

São cada vez mais são os que chegam ao encontro do país, uma pequena caixa de “surpresas” para quem vem de férias, mas também um abrigo para quem chega em busca de auxílio e de proteção.

Galia Taki, tradutora e intérprete síria, fala da importância da integração, que passa por vários fatores: “Para que a pessoa esteja bem integrada na comunidade, tem de ser um membro ativo da sociedade”.

Liturgicamente, a Igreja Católica assinala hoje a memória do santo Anjo da Guarda de Portugal, cujo culto era tradicional desde tempos remotos; foi oficializada pelo Papa Leão X em 1504, passando a ser celebrada com a maior solenidade em todas as cidades e vilas portuguesas, tendo conquistado novo incremento quando se divulgou a tríplice aparição do Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima e Pio XII aprovou a inclusão desta memória no calendário litúrgico português.

PR/JCP/HM/OC

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