Sexta-feira – 11ª Semana do Tempo Comum «Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração»

O Verdadeiro Tesouro

  1. “Não amontoeis tesouros”. O Evangelho de hoje é um conjunto de sentenças de Jesus sobre a atitude do discípulo perante os bens e a riqueza. De facto, acaba por ser um comentário à bem-aventurança da pobreza.

Jesus diz em primeiro lugar: Não amontoeis tesouros na Terra, onde a traça e o caruncho os corroem e os ladrões os roubam. É muito importante colocar o nosso tesouro em lugar seguro, no céu; “porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”. A ideia de que as obras, especialmente a esmola, constituem um tesouro ou capital diante de Deus era comum no judaísmo tardio.

Os que escolhem ser pobres em Cristo não amontoam nem escondem tesouros perecíveis, porque não cedem à ânsia de acumular bens que desorientam, obscurecem e, definitivamente, dececionam o coração do homem, precisamente porque são perecíveis.

A segunda parte fala do olho como lâmpada do corpo, isto é, como luz da pessoa. Trata-se da pureza de intenção com que se deve procurar o verdadeiro tesouro, servindo a um só Senhor e evitando a cegueira de acumular estupidamente. Como é o coração do homem, assim é o seu olhar. Quando o olhar da pessoa, isto é, a sua atenção se dirige por inteiro a Deus e à sua vontade, toda a sua vida se mantem na luz e no bem. Caso contrário, viverá nas trevas do pecado.

 

  1. Consumismo frente à pobreza. Frente à bem-aventurança da pobreza, a sociedade consumista proclama a sua própria bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm e podem gastar, porque são felizes. É a mensagem incluída em toda a publicidade, verdadeiro cavaleiro do apocalipse que tudo arrasa semeando escravidão e insatisfação. Na base de se criarem necessidades fictícias, o homem atual está acorrentado a uma corrida sem fim, condenado a não descansar em nenhuma meta.

     Como não se fica nas necessidades reais, todo o salário lhe é insuficiente, todo o trabalho é pouco, qualquer nova aquisição é incapaz de lhe dar felicidade sonhada. Confunde o ter com o ser, como disse Erick Fromm; confunde o acumular de bens com o ser pessoa e ser feliz, o ter meios de vida com o ter razões para viver.

Quando a nossa atitude pessoal perante o dinheiro e os bens desvia estes de serem “meios” de subsistência digna e humana: alimentação, vestuário, casa, família, estudo, educação, cultura, para os converter em “fim” obsessivo da nossa vida, começámos a soldar os elos da cadeia que nos amarra à tirania de um novo ídolo: o consumismo.

Não é verdade que conhecemos pouca gente feliz? Parece mentira que o homem atual, sabendo tanto e tendo tantas coisas, não tenha aprendido a ser feliz.

 

  1. O tesouro da felicidade. Mais do que coisas, necessitamos de razões para viver e partilhar, pois a felicidade não pode estar fora de nós, nas coisas, mas há-de brotar de dentro. A felicidade é um estado de alma e uma possessão do espírito que se baseiam na realização do indivíduo como pessoa.

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