O Papa vai precisar de algum tipo de tratamento ao seu cancro?

O Papa foi diagnosticado com um adenocarcinoma pulmonar. É a forma mais comum de tumor maligno do pulmão.
O Papa foi submetido à remoção de uma parte do pulmão direito. A operação ao cancro correu bem e o prognóstico é positivo.

Mas só a análise completa de todos os tecidos é que vai permitir perceber se o tratamento ficou concluído.

O Explicador Renascença esclarece.

Que tipo de cancro é este?
O Papa foi diagnosticado com um adenocarcinoma pulmonar. É a forma mais comum de tumor maligno do pulmão e, já agora também, o mais frequente entre os não fumadores.

Passada a fase da remoção do tumor, as próximas 24 a 48 horas serão as mais delicadas. Mas as primeiras informações divulgadas pela Santa Sé, após a operação, indicam que a cirurgia correu bem e que pode esperar-se uma rápida recuperação do estado de saúde de Leão XIV.

O que aconteceu durante a operação?
A cirurgia durou cerca de hora e meia e permitiu retirar o lobo inferior do pulmão direito, onde se encontrava o tumor.

Foi utilizada técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões e recurso a uma microcâmara.

Este tipo de intervenção permite uma recuperação mais rápida do que uma cirurgia tradicional de abertura do tórax.

E agora?
E agora, o passo seguinte é a análise minuciosa da parte do pulmão que foi retirada durante a cirurgia. Será a partir desse exame que se saberá com maior precisão a dimensão e as características da doença, bem como perceber se o tumor foi completamente removido.

Por agora, no imediato, Leão XIV vai permanecer sob vigilância, sob repouso.

Não se sabe, ainda, ao certo quando é que sairá do Hospital Gemelli. Mas vários especialistas citados pela agência de notícias italiana Ansa admitem um internamento entre cinco a seis dias. Isto caso não haja complicações.

O Papa vai precisar de quimioterapia ou de outro tratamento?
Para já, não é possível garantir. Se a análise confirmar que o tumor estava localizado, que foi totalmente retirado e não apresenta características de maior risco, a cirurgia poderá ter sido o único tratamento necessário.

Nesse cenário, o Papa ficará sujeito a uma vigilância médica regular, mais apertada durante os próximos cinco anos.

Se forem detetadas alterações relevantes nos tecidos ou se houver sinais de que a doença ultrapassou o local inicialmente identificado, poderá haver necessidade de tratamentos complementares.

Não é esse, por agora, o cenário.

Quais são as perspetivas de recuperação?
São positivas, tendo em conta que foi identificado apenas um nódulo pulmonar e que a operação decorreu com sucesso. A informação disponível aponta para uma deteção numa fase precoce, o que aumenta significativamente a possibilidade de a cirurgia ter sido curativa.

Ainda assim, o prognóstico definitivo depende do resultado da biopsia. Será essa análise que permitirá confirmar o estádio da doença e avaliar com maior segurança o risco de reaparecimento.

Alguém substitui o Papa nesta fase?
Ninguém substitui formalmente o Papa. Mesmo hospitalizado, ou temporariamente impossibilitado de cumprir a agenda, Leão XIV continua a ser o líder da Igreja Católica e mantém todos os poderes associados ao cargo.

O direito canónico não prevê a figura de um Papa interino por motivo de doença.

A gestão corrente continua a ser assegurada pela Cúria Romana. O principal responsável pela coordenação política e diplomática é o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, mas este não assume os poderes do Papa nem pode tomar em seu lugar nas decisões que lhe estão reservadas.

Quando é que o Papa regressa ao ativo?
As primeiras três semanas deverão ser as mais exigentes e obrigar a cuidados especiais. Se não surgirem complicações, o Papa poderá fazer alguma aparição pública antes do fim desse período, mas um regresso pleno à agenda deverá ser gradual.

O Vaticano já cancelou os compromissos de Leão XIV até 20 de outubro. De resto, o que falta até ao final deste mês deverá ser de repouso.

Depois disso, o regresso à vida e à agenda normal, estará dependente do que os médicos determinarem.

Por agora, aquilo que está previsto na agenda de Leão XIV – a visita à América Latina de 6 a 17 de novembro – essa viagem não foi ainda cancelada. Portanto, por agora, o Papa mantém a agenda tal como estava prevista, antes desta cirurgia.

 

Fonte: https://rr.pt

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