Mensagem de Natal do Bispo do Algarve,D. Manuel Neto Quintas, Natal de 2019

“Vamos a Belém para vermos o que aconteceu… e encontraram Maria, José e o Menino” (Lc 2,15s).

A decisão dos pastores, após o anúncio alegre dos anjos, constitui uma oportuna ajuda para a celebração e a vivência do Natal, na sua forma mais genuína. Tal como os pastores também nós somos convidados, mais uma vez, a percorrer idêntico caminho espiritual… para vermos também nós o que aconteceu… e nos encontrarmos com Jesus e a sua família, atraídos pela simplicidade e humildade d’Aquele que assume a nossa condição humana, mostrando-nos o quanto Deus nos quer bem.

Nisto reside o essencial do Natal que, como cristãos, somos convidados a celebrar à luz da fé no mistério da encarnação de Jesus, Filho de Deus.

Foi no seio duma família que o Menino-Deus assumiu a nossa humanidade: uma família que viveu de modo anónimo numa terra pequena e desconhecida; provada pela pobreza, pela perseguição e pelo exílio; que viveu totalmente para Deus e para o seu Filho. A família de Nazaré que continua a ser referência e fonte de conforto e inspiração para as famílias cristãs, na construção da doação mútua quotidiana dos seus membros, na fidelidade laboriosa de cada dia, no amparo constante e seguro perante as tribulações e os imprevistos, na generosa abertura às necessidades dos outros.

“A alegria do amor que se vive nas famílias” tem constituído para nós, Diocese do Algarve, motivo de júbilo, de inspiração e de empenho pastoral. Acreditamos, tendo presente também quanto celebramos nesta quadra festiva, que apesar dos numerosos sinais de crise no matrimónio, “o desejo de família permanece vivo”, e isso nos incentiva sempre mais ao “anúncio cristão sobre a família” e a considerá-lo verdadeiramente como boa notícia (cf. AL 1).

O amor presente na família de Nazaré, reflexo do amor de Deus por toda a humanidade, acolhido e cultivado em cada família, é fonte de vida autêntica, que proporciona aos seus membros a capacidade de crescer como família e como pessoas e de colaborar na construção da grande família humana.

A contemplação da família de Nazaré, tal como a contemplação duma mãe que aconchega o seu filho recém-nascido, desperta espontaneamente sentimentos de ternura e afeto. É a ternura de Deus, criador do universo, que se abaixa até à nossa pequenez e que fascina e atrai pelo dom da vida. Em Jesus o Pai deu-nos um irmão que nos procura, quando desorientados e sem rumo, e um amigo fiel que caminha sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho que perdoa e nos ergue, quando prostrados pelas nossas fragilidades (cf Papa Francisco, Admirável Sinal 3).

O espírito que caracteriza esta quadra faz emergir os sentimentos mais nobres do ser humano, mesmo entre não crentes, em relação ao seu semelhante, sentimentos mobilizadores de iniciativas e gestos altruístas, que exprimem a dimensão solidária e fraterna, que deveria caracterizar, habitualmente e ao longo de todo o ano, as relações humanas e a vida em sociedade.

Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (Lc 2,20).

Só Jesus Cristo enche o coração e a vida de alegria, de quantos se encontram com Ele. Alegria que se renova e comunica, capaz de vencer a tristeza provocada por atitudes mesquinhas e comodistas, de vidas fechadas aos outros e sem lugar para os mais pobres.

Que o louvor e a alegria dos pastores, após o encontro com Jesus, no regresso à sua vida diária, possa ser a nossa alegria neste Natal e ao longo do novo ano que vamos iniciar.

† Manuel Quintas, Bispo do Algarve
19.12.2019

 

Fonte: https://folhadodomingo.pt/

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