Festa do padroeiro da Diocese do Algarve desafiou a que se retomem as peregrinações ao Cabo de São Vicente

O bispo do Algarve voltou a presidir à Eucaristia na igreja matriz de Vila do Bispo e à procissão que se lhe seguiu durante a tarde pelas principais ruas daquela localidade. A celebração ficou marcada pelo desafio de D. Manuel Quintas a que se retome as peregrinações ao Cabo de São Vicente.

“Gostaríamos, como diocese – e sei que também há essa intenção do município – de tornar mais viva esta presença de São Vicente nestas terras algarvias”, começou por afirmar, explicando que trata de “motivar e mobilizar ainda mais toda a Diocese do Algarve e não só, avivando as peregrinações que aconteceram quando os seus restos mortais foram trazidos” pelo sul da Península Ibérica para aquela zona do Algarve.

Aquele responsável católico fez questão de deixar claro que a decisão cabe à população. “Vós é que sois decisores nisto. Decisores no sentido de promover. Nós podemos abrir caminho, mas depois o povo de Deus é que consolida esta opção”, referiu, interrogando: “porque não retomarmos, com este sentido espiritual, estas peregrinações aqui ao cabo de São Vicente? Porque não retomarmos numa altura em que há tanta gente – e muito bem – a fazer caminhadas que fazem bem à saúde? Precisamos todos de parar para pensar, interiorizar, para deixar que o ambiente nos apazigue, crie equilíbrio e harmonia na nossa vida. Porque não unirmo-nos neste propósito que será certamente benéfico em todos os sentidos?”.

D. Manuel Quintas defendeu ainda que só a fé possibilita que alguém falecido há 1.700 anos seja ainda venerado nos dias de hoje. “Estranhamos como é que é possível alguém ter falecido há tanto tempo e estamos aqui hoje a invocar este seu martírio como se fosse próximo de nós, quase como se fosse nosso contemporâneo. Só a fé permite fazer isso, só a sucessão do testemunho que passa através das gerações e transforma aquilo que aconteceu há 1.700 anos para os dias de hoje como se fôssemos contemporâneos de São Vicente”, afirmou.

“Quando nos reunimos em Eucaristia, para celebrar também aqueles que nos precederam na fé, tornamos presente o seu testemunho de fé, quase como se fôssemos contemporâneos, tão forte é para nós esse testemunho de fé, sobretudo dos mártires, aqueles que deram a vida e derramaram o seu sangue por causa desta fé, por causa de Cristo e do Evangelho”, prosseguiu, garantindo que “foram essas as motivações que Jesus encontrou para chamar os doze”. “Chamou-os para estarem com Ele e para os enviar a anunciar esta mensagem nova que Cristo constituiu e continua a constituir para todos aqueles que o acolhem na sua vida. Foi essa a razão profunda que motivou e que deu força aos mártires para considerarem mais importante esse testemunho do que continuarem a viver”, sustentou.

O bispo do Algarve lembrou que “Jesus não prometeu uma vida fácil àqueles que se decidiram e continuam a decidir ser seus discípulos”. “Seguir Cristo significa viver para os outros e não só viver com os outros e muito menos viver contra os outros. E os mártires dão-nos esse testemunho de entrega e doação da sua própria vida. E se, no momento em que foram confrontados decidiram continuar a viver ou não é porque já viviam a vida como dom para os outros”, afirmou, lembrando que São Vicente era diácono, o que “quer dizer que era servidor”. “O ícone inspirador do serviço de um diácono na Igreja é Jesus servo, Jesus que lava os pés. O diácono é aquele que serve”, completou, explicando que os diáconos “foram instituídos pelos apóstolos e não por Jesus”. “A nossa vida, quanto mais for vivida como dom para os outros, mais gosto encontramos nela. Torna-nos mais felizes”, frisou.

D. Manuel Quintas sublinhou que, mais do que “invocar a sua proteção”, celebrar São Vicente “é também, hoje, acolher o seu testemunho de fé, de serviço aos outros, de integração na própria comunidade”. “Celebrando esta festa, estamos a avivar em nós o seu testemunho e estamos também a dizer que temos de deixar este testemunho àqueles que vêm depois de nós”, completou.

“Neste dia estamos também particularmente unidos ao Patriarcado de Lisboa porque São Vicente também é o patrono do patriarcado”, disse ainda o bispo diocesano, lembrando que este este ano se assinalam os 850 anos da trasladação dos seus restos mortais para Lisboa (1173), a mando de D. Afonso Henriques. “São Vicente é uma referência como diácono para toda a Igreja, juntamente com Santo Estêvão em Jerusalém e São Lourenço em Roma. São três diáconos de Igrejas diferentes, mas quase contemporâneos nos primeiros séculos”, destacou.

Para além do pároco de Vila do Bispo e Sagres, a Eucaristia foi concelebrada pelos párocos das paróquias vizinhas e contou com a participação de cinco dos nove diáconos da diocese algarvia que fizeram naquela celebração a renovação das suas promessas. O bispo diocesano lembrou ainda que o diácono Albino Martins completava naquele dia o seu 11º aniversário de ordenação.

D. Manuel Quintas agradeceu ainda à Câmara Municipal por ter disponibilizado um autocarro para transportar pessoas de diversos sítios do concelho.

Depois da Missa e da procissão decorreu a cerimónia de assinatura de um protocolo e o acordo específico de colaboração entre a diocese, a paróquia e o município com vista à conservação, investigação e valorização do património cultural religioso do concelho e ao empréstimo de objetos arqueológicos do acervo da igreja matriz para exposição no Museu Municipal.

 

 

Fonte: https://folhadodomingo.pt

Autor: Samuel Mendonça 

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