Diocese do Algarve vai implementar uma “nova organização da pastoral paroquial”

A Diocese do Algarve vai implementar no próximo ano pastoral de 2022/2023 uma “nova organização da pastoral paroquial em chave missionária” que na prática irá substituir a estrutura atual de quatro vigararias – Faro, Loulé, Portimão e Tavira – existente desde 27 de maio de 2007.

“A proposta incide numa nova organização territorial/paroquial da Diocese, não pelo território em si mesmo, mas tendo presente a nova realidade das comunidades cristãs, as suas proximidades eclesiais, sociológicas e territoriais, a promoção de um dinamismo a partir dos leigos dessas comunidades e numa nova perspetiva do exercício do ministério ordenado, particularmente o presbiteral”, explica o documento de trabalho hoje dado a conhecer aos padres, diáconos, consagradas e membros do Conselho de Pastoral da Diocese do Algarve.

O projeto de reorganização da estrutura pastoral territorial da diocese sugere que “passe a estar organizada em três grandes Regiões Pastorais”: Região Pastoral do Barlavento, Região Pastoral do Centro e Região Pastoral do Sotavento. Cada uma destas regiões terá um Coordenador Pastoral, um sacerdote nomeado pelo bispo diocesano, designado como Vigário Episcopal Regional, “de modo a permitir não só um trabalho pastoral conjunto, como a coordenação e partilha de recursos evangelizadores (pessoas, formação, meios, etc.) nos diferentes Centros Evangelizadores” que existirão dentro de cada região, “compostos por comunidades paroquiais mais próximas e entre as quais haja uma ligação sociológica, com a finalidade de potenciar um caminho pastoral sinodal entre elas”.

“No caso da Região Pastoral do Barlavento, existirão três Centros Evangelizadores (Lagos, Portimão e Silves); no caso da Região Pastoral Centro existirão quatro (Armação de Pera, Albufeira, Loulé e Quarteira); e no caso da Região Pastoral do Sotavento, existirão três (Faro, Olhão e Tavira). Cada um destes Centros Evangelizadores terá, por nomeação do Bispo diocesano, um Coordenador Pastoral, que coordenará a organização das estruturas e da pastoral da evangelização local, fomentando a comunhão pastoral entre os presbíteros e entre as comunidades”, acrescenta o documento, referindo que “um dos pontos fundamentais na proposta destes Centros é que, das paróquias mais numerosas e pastoralmente mais dinâmicas, possam surgir cristãos que sejam pontos de apoio, animadores, ou até mesmo responsáveis das comunidades cristãs mais pequenas, com a finalidade de nelas gerar, igualmente e se possível, animadores e responsáveis da própria comunidade”.

“Para que estes Centros possam ser fiéis à sua finalidade”, a diocese diz ser “necessário que os párocos (tendo em conta a idade e a personalidade de cada um) estejam disponíveis para um trabalho de conjunto, de cariz missionário (o que implica estruturas condizentes)”. “Isto implica que, quando alguém é nomeado para determinada Paróquia, aceite integrar-se no dinamismo dessa Região/Centro, o que significa receber orientações do Bispo Diocesano (em coordenação com o Responsável da Região Pastoral e o Responsável do Centro Evangelizador) sobre o que se pretende que pastoralmente desenvolva, numa continuidade criativa e não na tentação de anular, o que antes foi realizado pela inspiração e ação do Espírito Santo”, acrescenta-se.

Sobre o perfil do Vigário Episcopal Regional e do Coordenador do Centro Evangelizador, que também será um sacerdote, é dito que devem “possuir qualidades de coordenação, trabalho em equipa e abertura à inserção e corresponsabilização dos leigos na pastoral paroquial e diocesana”. Acerca das suas funções do primeiro é pedido que garanta o “acompanhamento e apoio fraterno ao clero” da sua região. No caso do segundo, que procure “assumir e providenciar tudo o que se refere ao âmbito da liturgia e da administração paroquial”.

No âmbito da coordenação da pastoral da região prevê-se que o Vigário Episcopal Regional procure “privilegiar a corresponsabilidade batismal dos leigos, alargar o ministério dos diáconos permanentes e desfrutar do carisma dos consagrados” nela presentes; “promover um novo paradigma missionário e evangelizador, em que os ministros ordenados sejam promotores dos diferentes carismas e ministérios nas comunidades, em vez de os exercerem”; “acompanhar a aplicação do Programa Pastoral diocesano”; “fomentar, nos diferentes Centros Evangelizadores, o discernimento de possíveis líderes comunitários (candidatos ao diaconado permanente, casais ou pessoas individuais)”; e “promover, em articulação com a Diocese e os Coordenadores dos diferentes Centros Evangelizadores, a formação de líderes comunitários”. É ainda pedida a “constituição de equipas regionais setoriais” “com a participação de leigos representativos de toda a Região Pastoral”.

Relativamente ao Coordenador do Centro Evangelizador, as suas funções terão abrangência no âmbito do clero, da evangelização, da liturgia e da administração paroquial.

A Diocese do Algarve reconhece que “já neste milénio, foram várias as reflexões, propostas e tentativas de reestruturação e/ou reorganização da vida pastoral”, sendo que “as mesmas nunca chegaram a uma concretização efetiva”, e considera que agora “é inadiável uma mudança com a grande finalidade missionária e evangelizadora”. “Mudança que passa por duas coisas simultaneamente necessárias: conversão pessoal (abertura sincera de cada um à novidade do Espírito) e conversão pastoral (mudança nas ações e estruturas pastorais da nossa diocese)”, explicita.

A Igreja algarvia lembra que o documento de trabalho agora apresentado resultou da “análise, reflexão e proposta pastoral” da Comissão constituída por sugestão do Conselho Presbiteral, realizado em maio de 2021. Na missiva que acompanhou o documento, o bispo do Algarve acrescenta que o mesmo “foi objeto de um caminho longo, iniciado já em 2021, de oração, de abertura à ação do Espírito e aos apelos da Igreja (magistério do Papa Francisco e caminho sinodal), de análise e partilha em diversas instâncias diocesanas (Conselho Presbiteral, comissão «ad hoc» nomeada para o efeito, Vigários da Vara, Vigararias e Conselho diocesano de Pastoral)”. “É um documento que pretende ser inspirador do nosso caminho como Igreja diocesana, nos próximos tempos, através duma ‘nova organização da pastoral paroquial em chave missionária’, com o objetivo de melhor realizarmos a missão da Igreja: o anúncio de Cristo e do Evangelho, em contínua conversão pessoal e pastoral”, refere D. Manuel Quintas.

Aquele responsável católico adianta ainda que no próximo a Região Pastoral do Barlavento será a região piloto na concretização desta proposta. “Esta opção não significa que as outras duas regiões fiquem à margem deste processo. Aliás são convidadas a, igualmente, o implementarem, se bem que a um ritmo diferente”, sustenta.

Entre as motivações e os critérios que conduziram à apresentação desta proposta, a diocese algarvia destaca a necessidade de “responder às mudanças profundas” que tem vivido. “A nossa Diocese, no que respeita às comunidades cristãs, mudou muito nas últimas décadas e, no entanto, vamos mantendo o mesmo estilo pastoral, na maioria delas”, é referido no documento.

“Nas últimas duas a três décadas, o investimento da Diocese e de muitas Paróquias na formação dos leigos foi claramente notável. No entanto, nota-se a dificuldade em lhes reconhecer o seu lugar e lhes atribuir a sua missão própria na corresponsabilidade eclesial: animadores, líderes ou coordenadores de comunidades cristãs e responsáveis por serviços e ministérios. O mesmo se poderá dizer relativamente ao ministério diaconal, confiando-lhe a assistência pastoral e espiritual de comunidades cristãs”, refere o documento, considerando ser “necessário dar, com grandeza de alma, o passo de confiar aos leigos, consagrados e diáconos permanentes a missão que, por vocação batismal ou ministerial, lhes pertence, cooperando com os presbíteros na condução, evangelização e dinamização das comunidades”.

A proposta fala na premência de “assumir um novo paradigma pastoral no «ser e no agir» do Presbitério”, “em que os ministros ordenados sejam promotores dos diferentes carismas e ministérios nas comunidades, em vez de os exercerem”, e em “passar de uma ação pastoral de manutenção e sacramentalista para uma ação onde a evangelização, coordenada e apoiada pelos pastores mas desenvolvida também pelos leigos e diáconos, se torne a base do crescimento e amadurecimento das comunidades cristãs”.

 

Fonte:https://folhadodomingo.pt

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