Descansai um pouco

Diz-nos a Bíblia que Deus criou os céus e a terra e no fim descansou. Deus descansou para nos recordar que Ele, o Senhor, «fez os céus e a terra para nós»: «Concluída, no sétimo dia, toda a obra que tinha feito, Deus repousou, no sétimo dia, de todo o trabalho por Ele realizado. Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da criação» (Gn2,2-3). O descanso diário, semanal ou anual une-nos ao Criador, que abençoou esse dia e o separou. O próprio Jesus aproveitava cada oportunidade para manter a sua comunhão pessoal e íntima com o Pai. Beneficiava do descanso para crescer na comunhão com o seu Pai e seu Deus.
Deus conhece bem o peso da responsabilidade e do compromisso. Sabe que a vida não é para ser sofrida, mas para ser vivida. Para isso, convida-nos a guardar o descanso para podermos redescobrir a verdadeira razão do viver: «Vinde a Mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos darei descanso».
Deus criou o ser humano para, num relacionamento dialogal aberto e sincero com toda a criação, louvar, entrar numa comunhão de amizade com o Criador. Como bem disse Santo Agostinho: «Criaste-nos para vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós». É precisamente aqui que reside o verdadeiro objetivo da vida: ser feliz.

O DESCANSO É DOM DE DEUS
Diz-nos a Bíblia Sagrada que Deus, que criou os céus e a terra e no fim descansou, também estabeleceu um tempo para o descanso. Isto é, também Deus sentiu a necessidade do repouso para melhor contemplar e se deliciar na beleza de tudo o que tinha criado com amor e para a vida. A Criação é oferecida ao ser humano como uma oportunidade, não só de empreendimento e realização, mas também de deleite e contemplação.
Também é este o convite dirigido à humanidade: «Lembra-te do dia de descanso para o santificares. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o dia dedicado ao Senhor, o teu Deus […]pois em seis dias o Senhor fez os céus, a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou». (Êxodo 20:8-11).

AS FÉRIAS SÃO UM BEM INALIENÁVEL
As férias permitem-nos um tempo e um ambiente indispensável para entrar em contato com a nossa mente e o nosso coração e aí nos descobrirmos como seres chamados à comunhão com Deus e com os outros.
As férias não são propriamente um tempo para não fazer nada, mas sim um tempo para descansar e cultivar-se, para nos dedicarmos a algo de que gostamos. Por exemplo, para parar, ler, refletir e rezar. Isto é, para ter mais tempo para cuidar mais e melhor das nossas dimensões comunitárias e espirituais. Libertos dos afazeres ordinários, podemos olhar para nós mesos e para toda a realidade que nos acolhe de uma forma diferente; dar-lhe uma nova perspetiva e dimensão.
Todos aqueles que são capazes de se libertar das preocupações temporais encontrarão mais tempo para si mesmos, para os outros e para Deus. Esta paragem deveria oferecer-nos algumas condições para readquirirmos equilíbrio mental, físico e espiritual.

Fonte:
Jornal Família Comboniana
Nº 230 | julho/agosto 2014
Autor: Pe. Francisco Manchado

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