Covid-19: Presidente da Cáritas Portuguesa defende recuperação económica «inclusiva»

Eugénio Fonseca alerta para crise com «gravidade nunca vista»

Lisboa, 27 jul 2020 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa disse à Agência ECCLESIA que a recuperação económica no pós-pandemia deve ser “inclusiva”, assente na preocupação de “trazer para cima aqueles que estão nos patamares mais baixos dos rendimentos”.

“Só teremos um desenvolvimento verdadeiramente humano e integrado, que assim poderá ser sustentável, se o social estiver na economia”, defendeu Eugénio Fonseca, em entrevista emitida hoje na RTP2.

Para o responsável do organismo católico, é fundamental que todos tenham possibilidade de “beneficiar dos resultados da recuperação conseguida”, no futuro.

O entrevistado destaca a necessidade de atenção ao emprego, com respeito pela dignidade humana e com melhor distribuição da riqueza criada.

“Para que haja mais trabalho para todos, será preciso trabalhar menos horas, o que implica que o mesmo rendimento seja distribuído por mais pessoas”, observa.

Eugénio Fonseca propõe a promoção de “atividades socialmente úteis” que tenham como contrapartida a atribuição de “rendimentos de substituição ao salário”, desde obras em áreas urbanas como nas florestas.

O presidente da Cáritas Portuguesa teme que a recessão económica se agrave no final de 2020 e no começo de 2021, admitindo que a crise tenha “uma gravidade nunca vista”.

“Ainda estamos no princípio”, alerta.

Eugénio Fonseca entende que é urgente envolver política e economia no “sentido ético do bem comum” e saudou a “convergência” política na resposta à crise sanitária, esperando que se mantenha na resposta à crise social e económica.

“Que ninguém fique para trás e que ninguém se ponha de fora”, indica.

Desde o início de maio até ao final do mês de junho, a Cáritas Portuguesa disponibilizou à rede nacional das 20 Cáritas Diocesanas um apoio de 130 mil euros para a resposta imediata às solicitações por parte da população mais vulnerável.

Esta verba apoiou um total de 3371 pessoas, das quais 49% representam novas situações de apoio.

A Cáritas lançou a 14 de julho um apelo público de apoio, no qual defendeu uma “mobilização nacional” para reforçar a resposta solidária à crise provocada pela pandemia de Covid-19.

“A transversalidade desta pandemia requer uma mobilização nacional no combate a todas as situações de vulnerabilidade”, refere a organização católica.

A ajuda será dada através das Cáritas Diocesanas, depois de identificar as necessidades no terreno, junto das paróquias.

PR/OC

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