As religiões como força de paz

É uma regra não escrita, mas que a maioria segue: o mal vende sempre mais do que o bem. No fundo, a célebre questão de uma árvore a cair fazer mais barulho do que o resto da floresta ou, melhor ainda, os aviões só serem notícia quando há um acidente aéreo.

A viagem do Papa ao Sri Lanka quis contrariar esta lógica e procurou apresentar ao mundo de hoje a fé religiosa como uma força de paz e não um rastilho de ódio e violência, contrariando a desconfiança com que os crentes são vistos, em particular nestes momentos de luto, após atentados terroristas que marcaram fortemente a opinião pública.

Francisco é uma referência global de diálogo e de paz, pelo que não surpreende este desejo de congregar todas as forças de boa vontade que querem construir um mundo mais justo, solidário, fraterno e em liberdade. Por isso mesmo é reconhecido também fora das fronteiras da Igreja Católica e visto como um líder de humanidade, um exemplo de simplicidade e de proximidade.

As suas recentes palavras sobre a relação entre liberdade religiosa e liberdade de expressão merecem também uma leitura atenta e aprofundada. Desprezar o património das religiões que defendem e promovem a dignidade humana, que apresentam valores fundamentais para a convivência social, não é um ato de bom senso, independentemente do posicionamento que cada um possa ter face às várias confissões religiosas. Os crentes não aceitam ser cidadãos de segunda, não querem ser remetidos para o baú das ‘subculturas’, como alertava Bento XVI, e esperam que o mundo não desperdice a sua força de paz e de amor, distraído com as árvores ou os aviões que possam cair. Até porque a violência e o extremismo, infelizmente, não são exclusivos das religiões e todos juntos temos de lutar contra os mesmos.

Octávio Carmo

Agência Ecclesia

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