10 de maio de 2026 – 6º Domingo da Páscoa | Sem o Espírito, o Evangelho é apenas uma doutrina

Também o Evangelho de hoje, como acontecera com o de domingo passado, é tirado do primeiro dos três discursos de despedida pronunciados por Jesus durante a Última Ceia.
Os discípulos entenderam que Jesus está para os deixar, estão tristes e perguntam-se como continuar unidos a Ele e amá-lo se Ele vai embora.
Jesus promete não os deixar sós, sem proteção e guia; diz que rezará ao Pai e Ele enviará «outro Paráclito» que estará sempre com eles. É a promessa do dom daquele Espírito que Jesus possui em plenitude e que será efundido sobre os discípulos.
Jesus esclarece que o Espírito só pode ser acolhido por quem está em sintonia com Ele, com os seus projetos, com as suas obras de amor. O mundo não o pode receber.
Quem é este mundo ao qual não está destinado o Espírito? Os pagãos, os distantes, quem não pertence ao grupo dos discípulos, os membros de outras religiões?
Para Jesus, o mundo não são as pessoas, mas aquela parte do coração do homem – de cada homem – onde reinam as trevas, o pecado, a morte. Onde se escondem ódio, concupiscências, paixões desregradas… ali está presente o mundo, com o seu espírito, oposto ao de Cristo. Lembra-o Paulo aos coríntios que se deixavam conduzir pela sabedoria dos homens: «Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus».
O Espírito recebe dois nomes. É chamado Paráclito e Espírito da verdade.
Paráclito é um termo proveniente da linguagem forense e indica aquele que é chamado a estar ao lado.
O sentido deste primeiro título é então de protetor, defensor, aquele que socorre.
Jesus promete aos seus discípulos um outro paráclito, sem dúvida, porque já tinham tido um, Ele mesmo, como explica João na sua primeira carta: «Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos junto do Pai um advogado (paráclito), Jesus Cristo, o Justo».
Jesus é paráclito enquanto nosso advogado junto do Pai, não porque nos defende da sua ira, provocada pelas nossas culpas (o Pai está sempre do nosso lado, como Jesus), mas porque nos protege contra o nosso acusador, o nosso adversário, o pecado. É o pecado o inimigo, e Jesus sabe como confutá-lo, como o reduzir à impotência.
O segundo título – que enuncia outra função do Paráclito – é Espírito da verdade
A sua obra ao serviço da verdade explica-se de várias formas.
Comecemos pela mais simples. Todos sabemos o que acontece quando uma notícia passa de boca em boca: fica sujeita a deformações, altera-se a ponto de se tornar irreconhecível.
A mensagem de Jesus é destinada a todas as pessoas, deve ser pregada até ao do mundo. Quem nos garante que não se irá corromper, que não irá sofrer interpretações desviantes? Humanamente parece ser uma empresa impossível; porém, temos a certeza que todos poderão ir à fonte pura do Evangelho porque na Igreja, encarregada de o anunciar, opera a força do Espírito da verdade prometido por Jesus.
O seu serviço à verdade não se limita a esta parte a que poderíamos chamar negativa. Ele não impede apenas que se introduzam erros na transmissão da mensagem de Cristo. Ele desempenha outra função, positiva: introduz os discípulos na plenitude da verdade.
Onde se poderiam encontrar respostas autênticas, conformes ao seu pensamento?
Também a este nível Jesus promete a intervenção do Espírito: Ele tem a tarefa de levar o discípulo à descoberta de toda a verdade. Não dirá nada de novo, ou de contrário em relação a Ele, ajudará a entender plenamente, até às últimas consequências, a sua mensagem.
Daqui nasce o dever de todos os cristãos de estarem abertos aos impulsos do Espírito que revela sempre coisas novas. Ele é, por natureza, aquele que renova a face da terra.
É um pecado contra o Espírito e muito grave! Opor-se ao renovamento, recusar as inovações que favorecem a vida da comunidade, que aproximam de Cristo e dos irmãos, que aumentam a alegria e a paz, que ajudam a rezar melhor, que libertam os corações de medos inúteis.
Quem permanece obstinadamente afeiçoado a tradições religiosas obsoletas e gastas, quem não se esforça diligentemente no estudo da palavra de Deus, quem não aceita a atualização de ritos, fórmulas, gestos litúrgicos, quem dá respostas velhas a problemas novos, quem não acolhe com alegria as descobertas da exegese bíblica, todos estes colocam-se em oposição ao Espírito da verdade.
O Espírito age de forma oposta: leva à «verdade», age no íntimo de cada pessoa e faz com que, livremente, a pessoa se incline a escolher Cristo, adira à sua proposta. É como um vento que eleva e arrasta para a salvação.

Check Also

Portugal: D. Virgílio Antunes é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

D. José Cordeiro foi eleito vice-presidente para o triénio 2026-2029   Fátima, 14 abr 2026 …

Sahifa Theme License is not validated, Go to the theme options page to validate the license, You need a single license for each domain name.