Ainda há sinais

Ou em anos anteriores estive mais distraído ou, de facto, é mesmo assim: parece-me haver mais sinais do Natal de Jesus nas decorações das montras e ruas. Parece-me até que as pequenas bancas de artesanato oferecem também mais presépios – ainda que não faltem derivações diversas. Ao mesmo tempo, vejo anunciadas iniciativas, nomeadamente culturais, que remetem para a alegria e a celebração do verdadeiro sentido da festa.

Podem os mais pessimistas argumentar que é a força do comércio a manifestar-se e o desejo/necessidade de vendas a esgotar todas as hipóteses de negócio. Mas ainda que assim seja, não serei eu a rasgar vestidos escandalizados – preferindo a abertura de Paulo, capaz de ver uma oportunidade de anúncio num altar que parecia sublinhar a opção da idolatria. Sim, esta exteriorização a que assistimos pode e deve proporcionar buscas de sentido.

Acresce, entretanto, que é assinalável o conjunto de propostas eclesiais, que pretendem fazer deste tempo de Advento e Natal um momento de espera activa, acolhimento e conversão. Basta, por exemplo, considerar as oportunidades divulgadas e presentes online, nascidas no seio de dioceses, paróquias, movimentos e associações católicas; ou criadas pelos esforços individuais de quem se assume como missionário digital.

Este é o modo positivo de agir, que contrasta com a muito frequente lamúria que se limita a comentar a expropriação – “roubaram-nos o Natal” – mas pouco faz para lavar olhares, purificar conceitos e abrir corações. Sim, algo está a mudar. Até no estilo…

Neste âmbito (do estilo), foi por um feliz acaso que descobri, no sítio da Arquidiocese de Madrid, uma campanha intitulada “Conspiração”. O apelo é, aliás, muito directo: “Conspira”. A explicação não deixa dúvidas quanto ao sentido do desafio: trata-se de resgatar «pessoas que vivem estas datas [Advento e Natal] absorvidas por inúmeros jantares de grupo, prendas caras, impessoais e inúteis e uma pseudo felicidade imposta pelas lojas, esquecendo o que realmente se celebra. É, por isso, uma campanha de consciencialização social para recuperar o sentido profundo do Advento e do Natal e, com isso, descobrir o significado e importância das prendas nesta ocasião». O papel pedagógico é desempenhado por três personagens (Caritón, Salusar e Crisperán) que são nada mais nada menos que três pajens dos Reis Magos e nos convidam a olhar para o Oriente.

Reorientado e lavado o olhar, será possível ver, no menino do presépio, Deus que, na fragilidade, se faz um de nós e nos oferece o Seu amor; Deus que se humaniza para nos divinizar.

João Aguiar Campos,

Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

Check Also

DESEJAMOS MUITO, PRECISAMOS DE POUCO

Os nossos desejos são infinitos, mas são poucas as verdadeiras necessidades. . Julgamos que a …

Sahifa Theme License is not validated, Go to the theme options page to validate the license, You need a single license for each domain name.