Mensagem para a Semana de Migrações – 7 a 14 de agosto de 2016

O rosto da criança interrompe a rotina do nosso quotidiano e interpela-nos. Evoca, a infinidade de crianças desaparecidas, e outro tanto de menores desacompanhados.  O rosto da família recorda-nos tantas famílias que buscam legítimas condições de vida, proteção, concretização de sonhos, sonegados pelo egocentrismo, pela lentidão burocrática aliada à falta de decisão política, por medos e suspeitas intoleráveis, que agravam o drama de milhares de migrantes e refugiados, que nos espaços a que estão confinados interpelam as sociedades e os Estados.

Milhares de pessoas viram as suas vidas transtornadas e, por razões alheias à sua vontade, denunciam a falta de paz, a miséria, as desigualdades sociais e territoriais, a corrupção, os diversos perigos acumulados durante o seu percurso migratório. O fenómeno migratório recorda-nos que o planeta terra é a nossa casa comum, património de toda a humanidade, e que os povos estão interligados. E por esse motivo também ao nível dos Estados precisamos de nos encontrar e construir uma política mais humana, que sirva a promoção da dignidade das pessoas, famílias e povos. Sociedades, países e grupos que se fecham e erguem barreiras estão doentes e necessitam de cuidados. O terrorismo, o tráfico de pessoas, a exploração laboral e sexual são chagas conhecidas que carecem de um combate urgente.

Diante de inúmeras questões, medos, suspeitas e desconfianças, o imperativo ético de acolher e integrar concretiza-se em iniciativas e manifestações de solidariedade de cidadãos e instituições da sociedade civil que, movida pela compaixão, recorda que a nossa humanidade não está adormecida nem é indiferente, e redescobre localmente o poder da cooperação, para responder a questões complexas, onde todas as instituições civis, estatais, religiosas e cidadãos são imprescindíveis.

É no encontro que se promove a paz e a justiça tão necessárias. É no encontro que o rosto da misericórdia se revela. E uma vez acolhido no humano se converte em lei. A misericórdia é o único caminho capaz de resgatar a nossa humanidade. A misericórdia alarga horizontes de fraternidade e recorda-nos que a fragilidade da nossa condição restabelece-se em gestos de proximidade

O acolhimento é o gesto e atitude interior que resgata da morte, cuida e devolve a vida. Na perspetiva de quem é acolhido, encontra naquele que não é indiferente, o rosto do bom samaritano, que reconhece naquele que sofre e está abandonado à própria sorte um irmão, uma pessoa que merece ser socorrida, abrigada e protegida, independentemente da sua nacionalidade ou credo.

O diálogo é o caminho a percorrer e a aprofundar, rumo à cultura do encontro que constrói verdadeiras comunidades unidas pelo Deus da Misericórdia. Fraternidades sem fronteiras culturais e religiosas, nomeadamente entre comunidades unidas pelo Deus da Misericórdia.

A misericórdia tem um rosto que para os cristãos converge para Cristo, que se encontra simultaneamente nos migrantes e refugiados, mas também naqueles que, à semelhança do Bom Samaritano, não são indiferentes ao seu próximo.

Este ano a peregrinação dos migrantes ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de agosto, promovida pela Comissão Episcopal e a OCPM, irá ser presidida pelo Senhor Arcebispo D. Angelo Vincenzo Zani, Secretário da Congregação para a Educação Católica e no domingo, dia 14 de agosto, dia em que as nossas paróquias e comunidades cristãs são convidadas a celebrar a Eucaristia em ação de graças pelos migrantes e pelo trabalho pastoral que a Igreja desenvolve em favor dos mesmos, recordamos que o ofertório consignado reverte em favor da pastoral da mobilidade humana da Igreja em Portugal. Será também o dia da Jornada de Solidariedade em prol das migrações.

Pastoral da Mobilidade Humana Obra Católica Portuguesa de Migrações

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