8 de novembro de 2026 – 32º Domingo do Tempo Comum – Ano A | Não é difícil acreditar, difícil é perseverar na fé

Na parábola de hoje há alguns pormenores estranhos, pouco verosímeis, até mesmo contraditórios. Enumero alguns: por que motivo as virgens insensatas não entraram para o banquete nupcial com o pouco azeite que ainda tinham? Em que terão pensado quando decidiram ir comprar mais azeite ao mercado? À meia-noite não há mercados abertos. As virgens prudentes entraram para a festa no meio de grandes honras, mas a nós vem uma grande vontade de as mandar embora: não saberíamos o que fazer de amigas tão egoístas. A recomendação com que termina o relato: «Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora» não tem nada a ver com a parábola, porque também as virgens prudentes adormeceram e ninguém esteve vigilante.
A própria figura do esposo (que representa claramente Cristo) não é nada simpática. É tipo estranho: chega a uma hora impossível, e, depois, precisamente no dia em que deveria mostrar-se afável para com todos, começa a ameaçar e a expulsar as pessoas por erros insignificantes. No seu banquete, todos nós participámos com apreensão.
Para compreender estes pormenores estranhos, é preciso considerar, antes de mais, que estamos perante uma parábola, e nas histórias nem sempre tudo é lógico; por vezes, são introduzidos elementos que têm por finalidade estimular a fantasia do ouvinte, mantê-lo interessado e atento, de modo que assimile mais facilmente a mensagem. Os pormenores dramáticos da nossa parábola são devidos – como tive ocasião de dizer outras vezes – ao típico gosto oriental pelas imagens impressionantes. Não é nelas que se deve fixar a atenção, mas no ensinamento central.
Há, depois, outro elemento importante a ter em conta, para compreender a parábola: o relato inicial de Jesus foi retocado por Mateus, que o adaptou às necessidades catequéticas das suas comunidades. Veremos como o fez.
A festa nupcial em Israel era muito solene, e durava cerca de uma semana. No primeiro dia, o esposo ia a casa dos sogros para trazer a esposa consigo. Era recebido pelas damas de honra – as raparigas solteiras da aldeia – que, cantando, dançando e, se era noite, empunhando tochas, acompanhavam a amiga que casava até à sua nova casa onde se desenrolava a festa.
Jesus inspira-se nesta cerimónia – a que certamente assistiu e na qual participou muitas vezes – para compor uma parábola com a qual possa transmitir a sua mensagem.
Considerando que o número cinco e a virgem são símbolos do povo de Israel, e que o número dez indica a totalidade, é fácil perceber o significado que a parábola teve na boca de Jesus. As dez virgens representam o povo de Israel que espera o messias (o esposo): uma parte deste povo (as cinco virgens prudentes) está preparada para o acolher e entra na comunidade cristã; outra parte, pelo contrário (as cinco virgens insensatas) não está atenta aos projetos de Deus, é infiel e fica fora da sala do banquete.
Passados cinquenta anos, quando Mateus escreve o seu Evangelho, já o contexto histórico, cultural e religioso mudou, nasceram comunidades no mundo pagão, os problemas com que os discípulos se confrontam são diferentes, e nesta nova situação sente-se, mais do que nunca, a necessidade da palavra iluminante do Mestre. Mateus – sendo um verdadeiro pastor de almas, atento às necessidades espirituais da sua Igreja – pega na parábola de Jesus e adapta-a à nova realidade.
A parábola é proposta também aos cristãos de hoje, para os ajudar a descobrir a «virgem insensata» que se encontra em cada um deles. Muitas vezes é ela que – sem que se dêem – conta – os leva pela mão, os aconselha, os guia, lhes dá sugestões e os orienta para escolhas insensatas.
O encerramento da porta indica o fim de todas as oportunidades. Daqui a urgência em determinar como utilizar bem a vida, e a imagem da lâmpada acesa sugere o modo.
Será aprovado por Deus quem tiver feito escolhas evangélicas, quem tiver sido perseverante e tiver mantido acesa, na mente e no coração, a luz da fé, mesmo nos momentos em que as provas e as dificuldades foram maiores do que estava previsto. Será condenada e considerada insensata a escolha de quem, por um certo tempo, tiver seguido as propostas de Cristo, mas depois, cansado, se tiver virado para outros valores, para outros interesses.
É apenas esta a mensagem da parábola, o resto é dramatização para a tornar incisiva; não é a descrição daquilo que Jesus fará no fim do mundo com quem se tiver comportado como um insensato.

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