7 de julho de 2024 – 14º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Não é Ele o carpinteiro?

 

 Quando Jesus volta à Sua terra depois de iniciar a vida pública e de ter realizado já muitos dos Seus milagres os conterrâneos estão cheios de curiosidade e interrogam-se: –não é Ele o carpinteiro, filho de Maria?

Jesus trabalhou ali na oficina de José, Seu pai adoptivo. “Em Nazaré, José devia ser um dos poucos artesãos, se não o único. Possivelmente carpinteiro. Mas, como costuma acontecer nas pequenas povoações, também devia ser capaz de fazer outras coisas; pôr em andamento um moinho que não funcionava, ou consertar antes do inverno as fendas de um teto. José tirava muita gente de dificuldades, com um trabalho bem acabado. Seu trabalho profissional era uma ocupação orientada para o serviço, tinha em vista tornar mais grata a vida das outras famílias da aldeia; e far-se-ia acompanhar de um sorriso, de uma palavra amável, de um comentário dito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a quem está prestes a perdê-las.

Às vezes, quando se tratasse de pessoas mais pobres do que ele, José devia trabalhar aceitando em troca alguma coisa de pouco valor, que deixasse a outra pessoa com a satisfação de pensar que tinha pago. Normalmente cobraria o que fosse razoável, nem mais nem menos.” (JOSEMARIA ESCRIVÁ, Cristo que passa, 51-52).

Jesus aprendeu com ele, trabalhou a seu lado e quando José morreu continuou o mesmo ofício.

 Na oficina de Nazaré Jesus estava já a ensinar-nos. Fala-nos do valor do trabalho humano que poderemos oferecer a Deus, fazendo dele caminho de santidade.

Anima-nos a aproveitar a nossa vida de cada dia, uma vida que não dá nas vistas mas que pode estar cheia de grandeza se a enchemos de amor de Deus e amor aos que nos rodeiam.

Ensina-nos a realizar as nossas tarefas com perfeição humana e com os olhos em Deus que nos vê, para Lhe agradar e não apenas para ganhar o ordenado no fim do mês. Temos de amar o nosso trabalho e aprender a fazê-lo cada vez melhor.

O fundador do Opus Dei, que pregou e viveu a santificação do trabalho, quando estava em Burgos gostava de levar os jovens universitários que vinham ter com ele até à catedral. Subia algumas vezes com eles até à torre e mostrava-lhes os pináculos   trabalhados com perfeição apesar de não poderem ser vistos cá de baixo. Dizia-lhes que assim tem de ser o trabalho do cristão feito para Deus mesmo quando não é contemplado pelos homens.

Dizia que temos de fazer poesia heroica da prosa ordinária de cada dia. Havemos de pôr muito amor de Deus nas pequenas tarefas de cada dia.

 

Basta-te a Minha graça

 

O Senhor não nos falta com a Sua graça para sabermos cumprir a vontade de Deus em cada momento.

Na segunda leitura S.Paulo lembra as revelações que tinha recebido de Deus e ao mesmo tempo as tentações que tinha de enfrentar. Pede ao Senhor que o livre delas mas Ele diz-lhe: basta-te a minha graça. Temos de lutar contra as dificuldades interiores e exteriores, lembrando-nos sempre que não estamos sozinhos.

Deus dá-nos continuamente a Sua ajuda. O Espírito Santo atua em nós para nos santificar, guiando-nos no cumprimento da vontade de Deus em cada momento do dia.

Temos de pôr da nossa parte o esforço, a oração, as pequenas mortificações. E saber confiar no divino Paráclito, deixar-nos guiar por Ele, pedir uma vez e outra a Sua luz.

Temos de aproveitar os meios que o Senhor pôs à nossa disposição. Acudir aos sacramentos que nos deixou: a Eucaristia que nos alimenta do Seu Corpo e Sangue e nos enche da Sua força divina. Acudir com frequência ao sacramento da confissão, que nos limpa do pecado, que sara as nossas feridas quando somos atingidos nos combates e nos imuniza contra os ataques do demónio.

Quase sem darmos conta iremos subindo pelo caminho da santidade e chegaremos ao Céu.

 

Eis o que diz o Senhor

 

 O senhor envia o profeta Ezequiel a falar aos conterrâneos no cativeiro de Babilónia. Avisa-o que muitos não o escutarão, mas nem por isso deve desanimar.

Também nós temos de ser profetas de Deus no meio em que vivemos e não podemos cruzar os braços quando parece que não nos escutam.

Temos de ir semeando a mensagem de Jesus como o agricultor que tarda em ver nascer as sementes e mais ainda em gozar dos frutos do seu trabalho.

Este mundo em que vivemos parece afastado de Deus. Muitos combatem o Evangelho de Jesus. Outros mantêm-se indiferentes. Outros que se declaram discípulos de Cristo vão descurando os seus deveres de cristãos. Isso acontece em parte porque perdemos o fogo do amor de Deus e achamos que nada podemos mudar.

Os Apóstolos encontraram um mundo semelhante ao nosso: basta ler o começo da carta de S.Paulo aos Romanos. Mas encheram-se de fé e da força do Espírito Santo e foram por todas as partes anunciando a Cristo. Não se assustaram com as perseguições, e encontravam a alegria nos sofrimentos por Cristo.

Dois séculos mais tarde Tertuliano dizia: sangue de Mártires é semente de cristãos.

Peçamos a Nossa Senhora a Sua ajuda e o Seu conselho para nos parecermos com esses nossos irmãos da primeira hora.

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