7 de dezembro de 2025 – 2º Domingo do Advento | Temos o manchado dos inimigos, não o de Deus que elimina as plantas malignas do nosso jardim.

Na época de Jesus pensava-se que Elias não tinha morrido, mas que havia sido arrebatado pelo céu para voltar a aparecer um dia. Com efeito, o profeta Malaquias tinha anunciado: « Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente… Eis que vou enviar-vos o profeta Elias, antes que chegue o dia do Senhor, dia grande e terrível».
Quando, depois da Páscoa, os primeiros cristãos se deram conta que « o dia do Senhor» era aquele em que Jesus trouxera a salvação, compreenderam também quem era o Elias a que se referia o profeta: era o Batista, encarregado por Deus de preparar o povo para a vinda do messias. Recordaram-se também do que acerca dele tinha dito o Mestre: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Um homem vestido com roupas delicadas? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que profeta. É dele que está escrito: “Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho”». «A Lei e os Profetas anunciaram isto até João. E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir».
Quem era João? Um personagem algo misterioso. Flávio Josefo – o famoso historiador da época – apresenta-o assim: «Era um homem bom, que exortava os hebreus a viverem uma vida recta, a tratarem-se reciprocamente com justiça e a submeterem-se com devoção a Deus, fazendo-se batizar. Na verdade, João era do parecer que nem mesmo este lavacro fosse aceitável como perdão dos pecados, mas que resultava apenas numa purificação do corpo se a alma não fosse purificada anteriormente graças a uma conduta recta».
No Evangelho de hoje, Mateus descreve-o como um homem austero. O seu alimento era o alimento simples dos habitantes do deserto, a sua veste era grosseira: a cinta de cabedal à volta dos rins que caraterizava Elias e a veste tecida com pêlos de camelo – a farda dos profetas.
Toda a sua pessoa era denúncia e condenação da sociedade opulenta que – então como hoje – valorizava o efémero, o frívolo, os falsos valores do luxo e da ostentação.
A sua mensagem é resumida pelo evangelista numa simples frase: «Arrependei-vos, porque está perto o Reino dos Céus».
A esperança num futuro melhor era um dos temas centrais da mensagem dos profetas. Ao contrário de outros povos que punham a sua idade de ouro no passado, Israel colocava o «Reino de Deus» no futuro. Esperava um mundo no qual o Senhor haveria de fazer triunfar a harmonia e abundar a paz, um mundo onde as relações interpessoais seriam orientadas pelo amor, pela reconciliação com a natureza, com os homens e com Deus.
Os pregadores apocalípticos tinham descrito a história da humanidade como um suceder-se de reinos de feras. «Feras que surgiram do mar» tinham sido os grandes impérios da Babilónia, Média, Pérsia e Grécia. Os tempos eram difíceis, mas era preciso não desanimar: o mundo antigo estava a chegar ao fim e o mundo novo estava para surgir.
As dores do presente não deviam ser interpretadas como sinais de morte, mas como o sofrimento de um parto difícil: antecediam o nascimento da nova era.
Sendo estas as expectativas do povo, é fácil intuir o porquê do grande entusiasmo suscitado pela pregação de João. Todos acorriam para se batizarem e serem assim os primeiros a fazer parte deste «Reino de Deus».
Mas o batismo com água não era suficiente; o Jordão não era uma piscina da qual se saía milagrosamente purificado dos pecados. Para se poder entrar no «Reino de Deus» era necessário «arrepender-se», ou seja, inverter o percurso, mudar de rumo, modificar completamente o modo de pensar e de agir. Não era suficiente corrigir algum comportamente moral, era necessário iniciar um novo êxodo.

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