4 de janeiro de 2026 – Solenidade da Epifania do Senhor | Brilha a Estrela, Luz para Todos os Povos

Desde os primeiros tempos da Igreja, os Magos suscitaram um vivo interesse nos fiéis. Foram um dos temas preferidos pelos artistas paleocristãos: nos sarcófagos e nas pinturas aparecem muito mais vezes do que a cena da natividade.
Os cristãos não se contentaram com as poucas notícias que se encontram no texto evangélico.
Faltam muitos detalhes: De onde vinham? Quantos eram? Como se chamavam? Que meio de transporte usaram? O que fizeram depois de terem voltado aos seus país? Onde foram sepultados?
Para responder a estas perguntas nasceram muitas lendas.
Disse-se que eram reis, que eram três, que vinham um da África, um da Ásia e um da Europa e que um era preto, um amarelo e um branco. Guiados pela estrela, tinham-se encontrado num ponto e depois tinham percorrido juntos o último troço do caminho até Belém; chamavam-se Gaspar (o jovem imberbe e corado), Melchior (o velho encanecido da longa barba), Baltazar (o homem maduro de barba espessa). Eram claramente os símbolos das três idades da vida. Para a viagem tinham-se servido de camelos e dromedários. Depois de terem voltado a casa, quando já tinham atingido a venerável idade de 120 anos, reviram a estrela, partiram e reencontraram-se numa cidade da Anatólia para celebrar a Missa de Natal; no mesmo dia, felizes, morreram. Os seus restos mortais deram a volta ao mundo: primeiro em Constatinopla, depois em Milão até 1162, altura em que foram transferidos para a sé Colónia, na Alemanha.
Trata-se de histórias agradáveis e comoventes, mas devem-se distinguir cuidadosamente do relato evangélico para não comprometerem a mensagem que o texto sagrado quer comunicar.
Comecemos então por esclarecer alguns detalhes que nas nossas mentes estão estritamente ligados á figura dos Magos, mas que nada têm a ver com o que narra Mateus.
Antes de mais, não está dito que eram três, e eram magos, não reis. Deviam pertencer à categoria dos adivinhadores, dos astrólogos, gente muito distinta e estimada na antiguidade pela sabedoria, pela capacidade de interpretar os sonhos, de prever o futuro e de ler a vontade de Deus através dos acontecimentos normais ou extraordinários da vida.
Não há que admirar-se que Mateus tenha introduzido os magos no seu relato e os tenha escolhido como símbolo de todos os pagãos que, ainda antes dos próprios Judeus, abriram os olhos à luz de Cristo.
Em relação à estrela: era opinião corrente que o nascimento de uma grande personalidade fosse acompanhado pela aparição no céu da sua estrela – grande para os ricos, pequena para os pobres, desfocada para os débeis. O aparecimento de um cometa pensava-se ser o sinal da vinda de um novo imperador.
Mas os Magos viram verdadeiramente um cometa?
Muitos astrónomos dedicaram tempo e energias a verificar se, há dois mil e vinto e seis anos, apareceu no céu um astro particularmente luminoso em concomitância com o nascimento de Jesus.
Lendo o texto de Mateus, os astrónomos deveriam facilmente dar-se conta de que o evangelista não se refere a um fenómeno astronómico: os Magos vêem a estrela que os precede enquanto vão de Jerusalém para Belém, portanto uma estrela que vai … de Norte para Sul. Verdadeiramente singular! Todos os corpos celestes se movem de Este para Oeste.
A estrela a que se refere Mateus não deve ser procurada no céu, mas na Bíblia.
O evangelista escreve para leitores que conhecem bem o Antigo Testamento e que há séculos esperam ver aparecer a estrela de que fala uma misteriosa profecia contida no Livro dos Números.
Apresentando-nos os Magos do Oriente que vêem a estrela, o evangelista quer dizer aos seus leitores: da estirpe de Jacob surgiu o libertador esperado, é Jesus. É Ele a Estrela.
Agora tentemos ligar o Evangelho de hoje com a primeira leitura. O profeta dizia que, quando em Jerusalém brilhasse a luz do Senhor, todos os povos se poriam em caminho para esta cidade santa, levando os seus dons. Com o relato dos Magos, Mateus quer dizer-nos que se realizou esta profecia: guiados pela luz do Messias, os povos pagãos (representados pelos Magos) dirigem-se a Jerusalém, para levarem ouro, incenso e mirra. A piedade popular aplicou a cada um destes dons um significado simbólico: o ouro indica o reconhecimento de Jesus como rei, o incenso representa a adoração perante a sua divindade, a mirra evoca a sua humanidade – esta resina perfumada será recordada durante a paixão.
Os Magos tornaram-se o símbolo das pessoas de todo o mundo que se deixam guiar pela luz de Cristo. São a imagem da Igreja composta por gente de cada raça, tribo, língua e nação. Entrar na Igreja não significa renunciar à própria identidade, não quer dizer submeter-se a uma injustiça e falsa uniformidade. Cada pessoa e cada povo mantêm as suas caraterísticas culturais. Com elas enriquecem a Igreja universal. Ninguém é tão rico que não precise de nada e nem sequer é tão pobre que não tenha nada para oferecer.

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