O Evangelho de hoje é a continuação do trecho lido na noite de Natal. Ao lado do berço de Jesus aparecem novamente os pastores segundo o anúncio recebido do Céu, eles vão a Belém e encontram José, Maria e o menino que está deitado na manjedoura.
Note-se: não encontraram nada de extraordinário. Vêem somente uma criança com o seu pai e a sua mãe. E, no entanto, naquele ser débil, necessitado de ajuda e de proteção, eles reconhecem o Salvador. Não precisam de sinais extraordinários, não verificam milagres e prodígios. Os pastores representam todos os pobres, os excluídos que, quase por instinto, reconhecem no Menino de Belém o Messias do Céu.
Nas representações, os pastores aparecem geralmente de joelhos diante de Jesus. Mas o Evangelho não diz que eles se prostraram em adoração, como fizeram os Reis magos. Ficaram simplesmente a observar – maravilhados, extasiados – a obra maravilhosa que Deus tinha operado a seu favor, depois anunciaram aos outros a sua alegria e quantos os ouviam ficavam também admirados.
Nos primeiros capítulos do seu Evangelho, Lucas sublinha com frequência a admiração e a alegria incontável das pessoas que se sentem envolvidas no projeto de Deus. Israel, descobrindo que está grávida, repete a todos: «Deus foi bom para mim!»
Simeão e a profetiza Ana bendizem a Deus que lhes concedeu ver a salvação preparada para todos os povos; também Maria e José ficam maravilhados, estupefacto.
Todos eles têm os olhos e o coração da criança que acompanha com o olhar cada gesto do pai, fica arrebatada perante cada gesto seu e sorri, sorri porque e tudo aquilo que o pai faz vê um sinal do seu amor. «O Reino de Deus pertence aos que são como eles – dirá um dia Jesus – e quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele».
A primeira preocupação dos pastores não é de tipo ético: não se questionam sobre o que devem fazer, que correções deverão atuar na sua vida moral nem sempre exemplar, que pecados deverão empenhar-se em evitar… Param para se alegrarem com aquilo que Deus fez. Depois, só depois de se terem sentido amados estão em condições de escutar os conselhos, as propostas de vida nova que o Pai lhes dirige. Só assim se encontrarão nas condições justas para confiarem.
Na segunda parte do Evangelho, é sublinhada a reação de Maria ao relato dos pastores: «Conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração».
Lucas não quer dizer que Maria «conservava» tudo o que acontecia, sem esquecer nenhum pormenor. E também não quer – como alguém defendeu – indicar em Maria a sua fonte de informações sobre a infância de Jesus. O alcance teológico da sua afirmação é bem maior. Ele diz que Maria juntava os factos, associava-os e sabia perceber o seu significado, descobria o fio condutor, contemplava a realização do projeto de Deus. Maria (que era uma rapariguinha de doze – treze anos) não era superficial, não se exaltava quando as coisas corriam bem e não se abatia perante as dificuldades. Meditava, observava com olhar atento cada acontecimento, para não se deixar condicionar pelas ideias, pelas convicções, pelas tradições do seu povo, para estar receptiva e preparada para as surpresas de Deus.
O Evangelho de hoje termina com a recomendação da circuncisão. Com este rito Jesus passa oficialmente a fazer parte do povo de Israel. Mas não é esta a principal razão pela qual Lucas recorda o facto. É outro o ponto que lhe interessa, é o nome que é dado ao menino, nome esse que não tinha sido escolhido pelos pais, mas indicado diretamente pelo Céu.
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