30 de junho de 2024 – 13º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Apesar dos sofrimentos que comporta, o ser humano ama desesperadamente a vida. A Ulisses, que no Hades procurava consola-lo, Aquiles responde: «Não me embelezes a morte, ó Odisseu! Preferiria servir na terra de outro homem, como assalariado, do que reinar sobre os defuntos.» já os Egípcios têm dela uma concepção diferente: a morte era «vida perpétua» num reino maravilhoso, situado a Ocidente, e iluminado pelo deus Sol, desde o amanhecer até ao pôr do sol, quando para nós está escuro.

Em todos os povos antigos impôs-se, desde muito cedo, a convicção da existência de uma vida além-túmulo e, entre os Gregos, da imortalidade da alma. Inexplicavelmente, isto não aconteceu com os Hebreus. Desde que nasceram como povo, no Egipto, passaram-se mais de mil anos antes que começassem a acreditar numa vida para além da morte.

Proclamaram, isso sim, o Senhor como Deus da vida, mas sempre numa perspetiva terra. «Em ti está a nascente da vida», cantava o salmista, mas entendia como vida «saúde e bênção», uma terra fecunda, colheitas abundantes, posteridade numerosa e, por fim, morre «velho e satisfeito com os seus dias», como os feixes de palha maduros que são retirados do campo. Na Bíblia hebraica não aparece sequer o termo «imortalidade».

A lentidão de Israel em chegar à afirmação explícita de uma vida eterna é preciosa e iluminante: leva-nos a compreender que, antes de acreditar na ressurreição e num mundo futuro, é necessário dar valor e amar, com paixão, a vida neste mundo, da mesma forma que a estima e ama Deus.

 

  1. Dois pobres de Cristo correm atrás de Jesus.

Dois pobres de Cristo correm atrás de Jesus. Um homem de nome e uma mulher anónima. No centro da cena, está Jesus que passa, por entre a multidão! Mas o seu coração vê fundo e conhece por dentro a dor e a aflição, o gemido e a esperança de cada pessoa! Jesus não é um curandeiro ambulante; é o companheiro de viagem, sempre pronto a acompanhar, muito de perto, os passos aflitos de Jairo! Ele dá-se mesmo conta de um suave toque feminino, que lhe faz sair uma força de Si mesmo!

E que esperam ambos de Jesus? Jairo e a mulher hemorroísa, clamam pela sua misericórdia, pela sua compaixão. Jairo suplica a Jesus, que a sua filha, às portas da morte, seja salva e viva. A mulher, por sua vez, calada pela gritaria da multidão, separada pela sua impureza, toca furtivamente a orla do manto de Jesus, na esperança de que Ele a pudesse curar! Ela sofre de um fluxo imparável e incurável de sangue, já lá vão doze anos!

Ambos se esbarram com o limite intransponível das suas forças e tentam atravessar, pela fé, o limiar da esperança. E, na sua boa fé, esperam de Jesus, ao menos, uma cura, quiçá um milagre da sua bondade!

 

  1. E Jesus como reage?

E Jesus como reage? Ele começa precisamente por atender ao grito da miséria humana, por satisfazer a necessidade imediata da cura. Mas – se bem reparais – a oferta da sua misericórdia vai mais longe do que dez reis de vida ou de saúde! Jesus vê a pessoa no seu todo! Sabe que na pessoa humana há uma miséria escondida, como há uma ânsia de Deus e do seu amor. E, por isso, Jesus não se contenta por resolver um mero problema de saúde; ele aproxima-se e procura saber quem o tocou; ele faz questão de entrar em casa de Jairo, de tocar amorosamente a mão da menina.

É neste encontro tão humano, tão íntimo e pessoal, com Jesus, que estes “dois pobres de Cristo”, que estes doentes terminais, conhecem o que é o olhar do coração de Deus, a ternura do Seu amor, a graça da salvação.

Assim, irmãos, o programa de Jesus, o programa do Bom Samaritano, como o programa do cristão é muito simples: é o de «um coração que vê». «Este coração vê onde há necessidade de amor, e atua em consequência» (DCE 31).

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