29 de junho – Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

1. O Papa no coração da Igreja

Depois da Ascensão de Jesus ao Céu e da vinda do Espírito Santo, na manhã do Pentecostes, os Apóstolos cumpriram o mandato de Jesus e anunciar o Evangelho em todo o mundo e começaram a evangelização por Jerusalém, com grande adesão de fiéis.

Mas, à medida que ia crescendo o número de fiéis, a Igreja enfrentava uma grande oposição, concretizada nos maus tratos aos Apóstolos, até ao martírio de alguns deles. Iria acontecer isto mesmo em todo o mundo, de modo que todos os Doze morreram pela confissão da fé.

• O dom do martírio. Mártir quer dizer testemunha. Os que sofrem o martírio garantem com a vida o que ensinam e alcançam a salvação eterna.

O martírio identifica mais o cristão com o Mestre, que morreu pela Verdade e pelo Amor numa Cruz, no Calvário. Ele, é, na verdade, a maior prova de amor a Deus que uma pessoa Lhe pode oferecer.

A Igreja manda que as pessoas não se exponham voluntariamente ao martírio, mas anima-as a portarem-se com heroísmo, quando se virem obrigados a confessar a própria fé com o sacrifício da vida.

• O martírio acompanha a história da Igreja. Os mártires acompanham a história da Igreja em todos os séculos e lugares. Só em 313, pelo Edito de Milão, do imperador Constantino, a Igreja deixou de ser perseguida oficialmente pelas autoridades da Roma imperial.

Em todos os tempos e lugares, a Igreja tem sofrido perseguições com um grande número de mártires.

Durante a última guerra civil de Espanha (1936/39) foram muitos os milhares de cristãos mortos por ódio à fé: bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos. Houve conventos onde não ficou uma só pessoa viva.

Não há explicação humana para os que se deixam sacrificar. Só a força do Espírito Santo lhes dá esta coragem heroica.

Mas não há também uma explicação humana para o fenómeno histórico do martírio. Eles não morrem de armas na mão, a combater contra o poder e passam a vida a fazer bem às outras pessoas. São cidadãos dóceis, exemplares, e apenas pretendem manter-se fiéis às promessas do Batismo.

Somente uma razão pode explicá-lo: o demónio odeia Jesus Cristo e vinga- se nos seus maiores amigos. No entanto, ele bem sabe que, com isto, só perde: cada cristão mártir anima muitos outros a imitá-lo na fé. O sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Ele, é, na verdade, a maior prova de amor a Deus.

• A Igreja ora por Simão Pedro. Herodes – o mesmo que tentou meter a ridículo Jesus, na manhã da Sua Paixão – querendo tornar-se simpático aos que hostilizavam a Igreja planeou a sua destruição em Jerusalém, começando pelos dois Apóstolos mais influentes: S. Tiago maior, irmão de S. João Evangelista; e S. Pedro, chefe visível da Igreja, o primeiro Papa.

Pedro estava preso em condições de segurança humanamente infalíveis, à espera de ser martirizado depois das festas a Páscoa judaica.

A Igreja e Jerusalém rezava continuamente pela sua libertação, embora isso parecesse impossível. Estavam reunidos no Cenáculo, em oração contínua.

Um anjo entrou na prisão e libertou Pedro miraculosamente conduzindo-o até uma rua da cidade onde já podia procurar abrigo livremente.

Bateu à porta do Cenáculo, mas os cristãos, que pediam continuamente a sua libertação, nem queriam acreditar, porque lhes parecia impossível. Quando lhe abriram a porta, contou o milagre que tinha acontecido e logo saiu da cidade, para escapar à perseguição de Herodes.

Morrerá mais tarde em Roma, quando Nero era imperador, crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido, no lugar onde hoje se encontra a Basílica de S. Pedro.

• Orar pelo Santo Padre. Devemos rezar pelo Santo Padre, para o Senhor o livre e defenda dos seus inimigos de todas as espécies: os que atentam contra sua vida, os que distorcem as suas mensagens ou tentam silenciá-las.

A história recente ensina que isto é muito necessário. S. João Paulo II sofreu um atentado mortal na Praça de S. Pedro e vários outros sem consequências.

A devoção ao Santo Padre – com a oração e mortificação por ele – ocupa um lugar destacado na Mensagem de Fátima. A terceira parte do segredo revelada aos Pastorinhos em 13 de julho de 1917 fala de um atentado contra a vida do Santo Padre.

Os três Pastorinhos rezavam e sacrificavam-se pelo Santo Padre e recomendavam que se rezasse. Jacinta teve várias visões sobre ele.

 

2. O Papa, testemunha da Verdade

Jesus aproveita uns momentos em que está só, junto das nascentes do rio Jordão, e Cesareia de Filipe, para instruir os Doze. Faz-lhes duas perguntas muito oportunas.

• Que pensam de Cristo os que vivem comigo? Os Apóstolos contactam com muitas pessoas que procuram Jesus. Que ideia tê eles do Divino mestre? Quem pensam que é? «Quem dizem as pessoas que é o Filho do Homem?»

Todas as respostam convergem num ponto: Cristo é um homem extraordinário. Mas os seus conhecimentos não passam mais além.

«Eles responderam: “Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou um dos profetas”».

A mesma pergunta nos faz Jesus: que pensam d’Ele a nossa família, os nossos amigos e companheiros de trabalho? Como podemos ajudá-los a alcançar a verdade da fé?

• Que lugar ocupa Jesus na minha vida? A segunda pergunta do Mestre penetra até ao mais íntimo de nós mesmos: «E quem dizeis vós que Eu sou

Por outras palavras: que lugar ocupo na tua vida, e nos teus afetos? Procuras-me apenas quando está preocupado com graves problemas, ou cultivas uma amizade pessoal Comigo?

Jesus Cristo é realmente o guia da nossa vida, de tal modo que procuramos saber qual a Sua vontade nas encruzilhadas da vida? Cultivamos uma amizade pessoal e crescente com Ele?

Este é o caminho que devemos seguir na terra: ir crescendo na amizade com Jesus Cristo para que Ele nos conduza à intimidade com a Trindade Santíssima. Esta comunhão na verdade e no amor vai ser o nosso Paraíso para sempre, e deve começar já na terra.

• A infalibilidade do Papa. Os Onze Apóstolos não respondem a esta pergunta e só Pedro avança com uma resposta. Jesus chama a atenção de todos para o facto de Pedro ter respondido assim, não porque seja mais inteligente que os outros ou tenha estudado mais, mas porque o Espírito Santo lhe ensinou a verdadeira doutrina.

«Jesus respondeu-lhe: “És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim Meu Pai que está nos Céus”

Para que o Demónio, Pai da mentira, e os que o seguem, não nos enganem e desencaminhem com a mentira, o Espírito Santo dotou o Santo Padre com o carisma da infalibilidade. O Papa é infalível – não pode enganar-se, nem enganar – em matéria de fé e costumes, quando tem uma intenção clara de definir definitivamente uma doutrina e manifesta essa intenção.

Têm o mesmo carisma os Bispos que estão em comunhão de fé com ele e uns com os outros.

«E Eu também te digo a ti: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja, e as forças do Inferno não levarão a melhor contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na Terra ficará ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra ficará desligado nos Céus».

Com esta segurança, temos sempre a certeza de estar na verdade e de seguir o caminho que Jesus nos indicou.

• Conhecer os ensinamentos do Papa. De nada adiantaria para a nossa vida a infalibilidade do Papa em matéria de fé e costumes, se eu não conhecesse o que ele ensina. Seria como uma carta que alguém nos escreve e que não chegamos a ler.

Os rápidos meios de Comunicação Social que temos hoje permitem-nos conhecer bem o que diz o Santo Padre. Temos, porém, de nos defender das deformações que certos meios de Comunicação introduzem.

Foi Nossa Senhora e Fátima quem ensinou aos Pastorinhos o amor ao papa e a necessidade de rezar por ele. Que Ela nos ensine também a nós.

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