3 de junho de 2021 – Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Hoje a Igreja convida-nos a louvar e adorar a Jesus presente na Eucaristia. Ele é verdadeiro Deus, Senhor do Céu e da terra. Fez-se homem e quis ficar em nossos altares para ser para nós Pão de vida eterna. Amemo-Lo cheios de fé e adoremo-Lo no Santíssimo Sacramento.

 

1)Tomai e comei

Esta festa do Corpo de Deus anima-nos a avivar a nossa fé na Santíssima Eucaristia, Jesus vivo cá na terra escondido no Pão e no Vinho consagrados na Santa Missa. Ele repete sobre o altar pelo ministério dos sacerdotes o que fez na última Ceia, como escutávamos no Evangelho. Não vemos a transformação que se opera na consagração, mas sabemos que é verdade, porque Jesus o ensinou. Ele é a própria verdade e tem todo o poder, porque é Deus. O povo deu a esta festa o nome de Corpo de Deus, porque Ele é verdadeiro homem e por isso tem um corpo humano que está vivo no Céu e se torna presente na Santa Missa e depois se conserva nos sacrários das nossas igrejas. É também verdadeiro Deus e tem todo o poder para realizar este prodígio maravilhoso. Ele manifestou esse poder através dos milagres que operou na Sua vida pública. O primeiro é já uma preparação directa para a eucaristia: nas bodas de Caná mudou a água em vinho, vinho bom e abundante que surpreendeu o encarregado do banquete.

Preparou-o também com a multiplicação dos pães, para matar a fome à multidão que O seguia: com cinco pães e dois peixes saciou a mais de cinco mil pessoas. No final recolheram doze cestos do pão que sobrou. No dia seguinte Jesus falou-lhes do Pão do céu que iria dar e que seria o Seu Corpo e Sangue.

Avivemos a nossa fé em Jesus vivo na Eucaristia e manifestemo-la com obras. Uma delas é responder ao convite que nos dirige em cada missa: tomai e comei.

Outra é procurar recebê-Lo dignamente, preparando bem a nossa alma. Muitos vão comungar e não se confessam. S.Paulo avisava os primeiros cristãos, ao falar-lhes da Eucaristia, dizendo: Examine-se cada um a si mesmo e assim coma deste pão, porque aquele que o come e bebe não distinguindo o corpo do Senhor come e bebe a sua própria condenação (1 Cor 11,28-29). Não podemos ir comungar depois de um pecado grave, sem antes nos confessarmos. E devemos confessar-nos com frequência mesmo dos pecados veniais, como lavamos a roupa e tomamos banho para andar limpos e poder receber em nossa casa uma pessoa importante.

Outra manifestação de fé é louvar e adorar o Senhor como hoje fazemos com a procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento, nesta festa do Corpo de Deus.

Outra ainda é visitar a Jesus no Sacrário da nossa igreja onde tantas vezes está sozinho.

 

2) Este é o Meu Sangue da nova aliança

O Senhor realizou com os homens uma Nova e eterna aliança através do Seu sangue. Não é já a aliança do Sinai que Deus fez por intermédio de Moisés.

Jesus constituiu o novo povo de Deus formado por judeus e gentios e santificado pelo Seu Sangue. Foi esse Sangue divino derramado na Cruz que selou a nova Aliança. Por isso ouvíamos na segunda leitura tirada da Carta aos Hebreus: “ele é mediador de uma nova aliança…Não derramou sangue de cabritos e de touros mas o Seu próprio sangue e alcançou-nos uma redenção eterna” (2ª leit). E no Evangelho Jesus disse ao tomar o cálice: “Este é o Meu Sangue, o sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens”.

Somos o Povo de Deus, a Igreja santa, que Deus ama e em que Ele espera o nosso amor. Essa aliança torna-se presente em cada missa e ali se deve renovar uma e outra vez pela entrega do nosso coração.

A Igreja vive da Eucaristia. Ela faz a Eucaristia mas também é a Eucaristia que faz a Igreja, que a reúne à volta de Cristo e nos une uns aos outros. “Todos os que participamos do mesmo pão formamos um só Corpo” – lembra S.Paulo (1 Cor 10, 17).

A Santa Missa há-de ajudar-nos a viver melhor a caridade com os nossos irmãos e com todos os homens. Ficamos mais unidos a Cristo e mais unidos uns aos outros. Se a vivermos devidamente sentiremos a necessidade de corresponder melhor ao amor de Jesus e de com Ele nos sacrificarmos alegremente pelos que estão à nossa volta.

 

3) Para servirmos ao Deus vivo

Jesus oferece de novo sobre o altar o Seu Corpo e sangue como na Cruz. A Missa não é apenas uma recordação do Calvário. Jesus torna presente sobre o altar de maneira real e misteriosa o sacrifício da cruz. Para que dele participemos de modo superabundante e para nos unirmos à Sua oferta ao Pai, pondo sobre o altar a nossa vida toda: os nossos trabalhos, as nossas alegrias, as nossa penas e até os nossos pecados e o nosso arrependimento. É a nossa vida que se oferece a Deus, que ganha valor unida ao sacrifício de Cristo, que se torna também um sacrifício espiritual agradável a Deus.

Na Carta aos Hebreus ouvíamos: o sangue de Cristo que pelo Espírito eterno se ofereceu a Deus como vítima sem mancha purificará a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo.

O Concílio lembrou que a Eucaristia é a fonte e o cume de toda a vida cristã. Nela emana de Cristo toda a graça. Ele é também o nosso Sumo Sacerdote que encaminha para o Pai toda a nossa vida e a vida de toda a Igreja.

Que a Virgem, que mais unida esteve a Jesus no Calvário, nos ensine a unir-nos bem a Jesus, a avivar a nossa fé e tratar bem o Senhor no Santíssimo Sacramento.

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