29 de junho de 2014 – Solenidade de São Pedro e São Paulo

Hoje celebramos os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo. Eles são o fundamento vivo desta Igreja dispersa por toda a terra. Ela cresceu com a força da sua pregação e do seu sangue derramado, em Roma, no tempo do Imperador Nero.

1. O Senhor esteve a meu lado e deu-me forças
São Paulo descreve a Timóteo a experiência vivida numa prisão romana. As palavras utilizadas revelam uma grande confiança em Deus. Os sentimentos do Apóstolos são semelhantes aos do salmista: «O Senhor esteve a meu lado e deu-me forças»! Ele bem sabe que «o Senhor liberta os que n’Ele se refugiam!» Estas palavras podem referir-se não só a S. Paulo, mas também a S. Pedro, como acabámos de escutar na leitura dos Actos dos Apóstolos, onde nos é descrita a prodigiosa libertação de S. Pedro da prisão de Herodes e de uma provável condenação à morte: «agora eu sei que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes!»
As leituras revelam o desígnio providencial de Deus para estes dois Apóstolos. É o próprio Jesus que os escolhe e orienta para o cumprimento das suas actividades apostólicas: Jesus mudou o nome de ambos, quando os chamou para o seu serviço: a Simão, deu o nome de Pedro, ou seja, «rocha» ou pedra sobre a qual alicerçou a Igreja. A Saulo, deu o nome de Paulo, tornando-o um vaso de eleição para levar o Evangelho a todos os povos. O Prefácio estabelece um paralelismo interessante entre os dois Apóstolos: «Pedro foi o primeiro a confessar a fé em Jesus Cristo, Paulo a ilustrá-la com a sua doutrina. Pedro estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel. Paulo anunciou a salvação a todas as gentes». A sua missão suprema terminou precisamente em Roma, onde ambos sofreram o martírio, fecundando assim a Igreja com o seu próprio sangue. Agora recebem a mesma veneração do Povo de Deus!

2. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus
Pedro e Paulo são «amigos de Deus»! Amigos de Deus! Jesus, durante a última Ceia disse: «Já não vos chamo servos, mas amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai» (Jo 15, 15). Quantas tribulações, trabalhos, sofrimentos, prisões! Perigos e provações da parte dos judeus e dos gentios, mas foram «libertos de todo o mal» pelo «Senhor, que esteve sempre a seu lado e lhes deu força», líamos na segunda leitura.
Hoje, recordemos também alguns episódios reveladores de fragilidade da vida destes Apóstolos, para nossa edificação espiritual. Por exemplo, a fragilidade da negação de S Pedro, logo seguida de lágrimas abundantes: são momentos que revelam a sua queda e o seu arrependimento. A amizade parecia ter desaparecido, naquele noite de tribulação, angústia e de provação! Contudo, mais tarde, revigorado pela força do Amor ao divino Mestre, por três vezes há-de declarar: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que te amo!» Assim acabou por receber o mandato de apascentar o seu rebanho: «Apascenta as minhas ovelhas!» (cf. Jo 21, 15-17). Pobres e fracos todos nós! Mas os dons de Deus são irrevogáveis, para sempre! Que consolação! A debilidade humana foi assumida pelo Verbo divino! Podemos confiadamente orar como o Apóstolo: «Tudo posso naquele que me dá força!»
A experiência de S. Paulo foi semelhante ou ainda mais forte. Ele próprio confessará que perseguiu os cristãos, mas Jesus «chamou-o com a sua graça (Gl 1, 15), iluminando-o, no caminho de Damasco. Assim, liberto e radicalmente transformado, Jesus fez dele “um instrumento eleito para anunciar o seu Nome a todas as gentes» (cf. Act 9). Escreverá ainda noutra página estas palavras que também nos animam: «Cristo morreu pelos pecadores e eu sou o primeiro dentre eles, mas alcancei misericórdia!»
No dia dos Santos Apóstolos olhemos mais uma vez para a nossa vida! Também há em nós pecados, infidelidades e negações? Confiemos na Misericórdia divina! Determinemo-nos a sermos amigos de Deus!
Lembremo-nos de que todos somos amigos de Deus, escolhidos antes da criação do mundo para sermos «o louvor da sua glória».
Lembremo-nos de que todos somos Apóstolos, isto é, enviados por Jesus para que «a sua mensagem de Amor e de Salvação ressoe por toda a terra!»

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