25 de dezembro de 2020 – Solenidade do Natal do Senhor – Ano B

O Evangelho desta solenidade diz-nos que o Menino, pobre e humilde, nascido no presépio, é o próprio Filho de Deus que tal como o Pai, é Criador e Senhor do Universo. Desde de todo o sempre, Ele preside ao destino dos homens e do mundo.

Sabemos que o povo judeu vivia na expectativa da vinda de um Salvador, o Messias, um rei que libertaria o seu povo, estabelecendo sobre a terra o Reino de Deus. Esse Messias seria alguém de atributos muito singulares, que a Sagrada Escritura prefigura. Mas o acontecimento que dá à humanidade um Salvador ultrapassa em muito a expectativa do povo judaico. É que esse Salvador, há tanto esperado e anunciado, é realmente um Homem, mas um Homem que é Deus: o Filho de Deus encarnado, fez-se Homem para salvar os homens.

É desta expectativa do Povo de Deus e da sua realização na história que nos fala a liturgia deste dia.

O primeiro texto, tirado do livro do profeta Isaías, refere-nos a situação infeliz em que se encontravam os israelitas seis séculos antes do nascimento de Jesus Cristo. Depois de uma guerra devastadora, viram destruído o seu Templo e a sua cidade santa: Jerusalém Deportados para a Babilónia, aí sofrem e aí refletem sobre a causa das suas desgraças. Reconhecem-se culpados da sua infidelidade, pois não seguiram os conselhos dos profetas, não prestaram atenção às suas advertências e praticaram muitas iniquidades. Não observaram os preceitos do Senhor.

Mas Deus nunca abandona aqueles que ama, mesmo quando estes Lhe são infiéis, desde que, arrependidos, voltem para Ele o seu olhar e o seu coração. Por isso, através do profeta Isaías, Deus revela-lhes que o seu exílio vai terminar. Efetivamente, algum tempo depois, os israelitas voltam à sua pátria, libertos do jugo do inimigo.

Descobrem, no entanto, que, mesmo então, a sua felicidade não é completa e duradoira, pois novos desentendimentos surgem entre eles. É que a libertação da Babilónia, não é senão figura da libertação definitiva, que acontecerá quando o Filho de Deus se fizer Homem, para habitar entre os homens.

Isto mesmo nos é recordado na segunda leitura, em que o autor da Carta aos Hebreus nos afirma que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus e que só Ele nos revela plenamente o Pai. Não há outra maneira de chegar a Deus, senão através de Jesus Cristo, e da Sua mensagem. Olhar Cristo, observar o que Ele faz, o que diz, o que ensina, como vive, como ama, é penetrar no conhecimento e na intimidade do Pai que está nos Céus.

A Encarnação do Filho de Deus manifesta-nos, acima de tudo, que Deus ama infinitamente o homem, melhor, que Deus é amor. Ele veio até nós para ficar connosco, para incessantemente nos comunicar o Seu amor salvador. É-nos pedido que nos deixemos amar por Deus. E isto é muito importante: arranjarmos tempo para Deus, para com Ele vivermos numa relação de amizade, como filhos que somos!

Será que, no nosso dia a dia, arranjamos realmente tempo para conversar com Deus? Ou damos-lhe apenas, semanalmente, o tempo que dura a celebração da eucaristia?

O nascimento do Menino-Deus no nosso coração tem de gerar alegria, esperança, felicidade e paz no coração dos nossos irmãos. Este o sentido da troca de presentes, das reuniões de famílias, etc. mas que todos os aspectos exteriores da nossa vivencia da Festa do Natal não sejam senão expressão da alegria interior que brota do nascimento de Jesus Cristo.

O mistério do Natal é mistério de amor. Celebrar o Natal é acolher o amor universal de Deus, é amar Cristo em todos os nossos irmãos. Só estabelecendo relações de paz e amor com os outros, partilhando com eles aquilo que temos, no desejo de construir um mundo mais justo e mais fraterno, viveremos em verdade a Festa do Natal que hoje celebramos.

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