20 de maio de 2024 – Solenidade de Santa Maria, Mãe da Igreja

Celebramos hoje, de modo universal, a memória da Bem-aventurada Virgem Santa Maria Mãe da Igreja. “O Sumo Pontífice Francisco, considerando atentamente quanto a promoção desta devoção pode favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana, estabeleceu que a memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na segunda-feira depois do Pentecostes e celebrada todos os anos.

Esta celebração ajudar-nos-á a recordar que a vida cristã, para crescer, deve estar ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos” (D. Sobre a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da igreja, no Calendário Romano Geral).

 

  1. Mãe de todos os viventes

A leitura do Genesis que acabamos de escutar finaliza com as seguintes palavras: “Adão pôs à sua mulher”, no Paraíso, “o nome de Eva, porque ela seria mãe de todos os viventes”. Eva é a mãe de todos os homens, de todos os viventes, mas transmitiu aos seus filhos uma vida privada da graça santificante, degradada na sua condição natural, ferida pelo pecado das origens e submetida à morte.

O novo Adão, Jesus Cristo, no Calvário, pôs à sua Mãe o nome de “Mãe do discípulo João”. Na pessoa de João estão contidos todos os batizados, os verdadeiros “viventes”. Maria é a mãe que transmite, como medianeira e mãe, a vida divina que Deus quer doar aos Seus filhos por meio de Nossa Senhora. Uma vida que une a Deus, purifica os pecados, também o original, e concede novas capacidades sobrenaturais para viver como filhos de Deus. A Família dos filhos de Deus, que são gerados por meio de Maria, é a Igreja. Por isso “a gozosa veneração reservada à Mãe de Deus pela Igreja contemporânea, à luz da reflexão sobre o mistério de Cristo e sobre a sua própria natureza, não podia esquecer aquela figura de Mulher (cf. Gal 4, 4), a Virgem Maria, que é Mãe de Cristo e, ao mesmo tempo, Mãe da Igreja. Isto já estava de algum modo presente no sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. Com efeito, o primeiro diz que Maria é mãe dos membros de Cristo, porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja; o outro, depois, quando diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do seu Corpo místico, isto é, da Igreja.” (D. Sobre a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da igreja, no Calendário Romano Geral).

Rezemos hoje de modo especial a Nossa Senhora para que interceda ante Deus pela Igreja de Cristo tão necessitada de ajuda para suportar os ataques de fora e de dentro, que são tão violentos. O século passado foi o século dos mártires, e os poucos anos do século atual estão repletos de novos martírios e perseguições. Ao mesmo tempo existe uma profunda divisão dentro da própria Igreja quanto à doutrina e ao seu próprio fim e natureza. Mas Jesus Cristo está presente na barca de Pedro e nada podem contra ela as tempestades que o demónio promove ao longo dos séculos. Santa Maria Mãe da Igreja, rogai por nos.

 

  1. Eis a tua Mãe

“Eis a tua Mãe”. Estas palavras foram escutadas pelo Apóstolo João quando Jesus agonizava na cruz e o coração do discípulo estava inundado de pena e quebrado pela dor. Ao escutá-las, uma luz poderosa deve ter dissipado todas as sombras da sua alma e revigorizado plenamente a sua pessoa. Ele, agora era Jesus o Filho de Maria (Mulher, eis o teu filho). Não outro filho, mas o único filho, por estar incorporado a Jesus Cristo, e formar parte, como dirá S. Paulo, do seu Corpo místico, do Cristo total, cabeça e membros, que é a Igreja.

Nossa Senhora tornou-se Mãe de Jesus Cristo em Nazaré, quando aceita os planos de Deus, e Mãe do Corpo místico de Cristo no Calvário quando aceita João como filho. Com o mesmo amor com que Maria cuidou de Jesus, durante toda a sua vida terrena, cuida do Corpo místico do seu Filho. “Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo (cf. Act 1, 14). Com este sentimento, ao longo dos séculos, a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, de “Mãe da Igreja”, como aparece em textos dos autores espirituais e também do magistério de Bento XIV e Leão XIII” (D. Sobre a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da igreja, no Calendário Romano Geral).

Maria é Mãe da Família de Deus (cf. O. Eucarística I, hanc igitur…), que é a Igreja. Como boa Mãe cumpre amorosamente a sua missão materna. Uma boa mãe cuida de cada filho e da família, indica o que faz bem e o que é prejudicial, reza por todos, consola, anima, ajuda, acompanha, conforta e cuida com especial dedicação dos filhos doentes ou em perigo.

Também Nossa Senhora desde o Céu, e quando é necessário aparecendo na terra, é Mãe solícita da Família de Deus, a Igreja, da qual forma parte e, simultaneamente, é Mãe. A finalidade principal dos seus cuidados consiste em mover-nos a rezar e orar, poi só assim somos capazes de abrir-nos à graça de Deus.

O Papa Francisco animou-nos a rezar no mês de outubro passado, por meio do terço, e acrescentando duas orações: “convidou os fiéis de todo o mundo a rezar o Terço todos os dias do mês mariano de outubro, pedindo a intercessão da Virgem Maria e de São Miguel Arcanjo para que protejam a Igreja do demônio nestes tempos de crise.

No comunicado emitido pela Santa Sé em 29 de setembro, expressa-se o pedido do Pontífice para que todo o povo de Deus se una “em comunhão e penitência” e reze pela proteção diante das armadilhas do maligno, “sempre procura nos separar de Deus e uns dos outros”.

O texto indica que, “antes de sua partida para os países bálticos, o Santo Padre encontrou-se com Rev. Fréderic Fornos S.J., Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração pelo Papa, e pediu-lhe para difundir ao redor do mundo este seu apelo a todos os fiéis, convidando-os a concluir a recitação do Santo Terço com a antiga oração ‘Sub tuum praesidium’, e a oração a São Miguel Arcanjo que nos protege e ajuda na luta contra o mal”.

O Papa disse em uma homilia em Santa Marta, em 11 de setembro, que esta oração é “a arma” contra o demônio e que só com a oração é possível derrota-lo.

 “Os místicos russos e os grandes santos de todas as tradições, nos momentos de turbulência/confusão espiritual, aconselhavam a proteger-se sob o manto da Santa Mãe de Deus pronunciando a oração ‘Sub tuum praesidium’”, assegurou.

A oração ‘Sub tuum paresidium’ é a seguinte: “À Vossa Proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita” (ACI Digital).

Não deixemos de perseverar na oração à Mãe da Igreja, e muito especialmente neste dia.

 

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