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2 de novembro de 2018 – Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

O dia de Fiéis Defuntos é acima de tudo uma celebração da nossa fé e da fé dos irmãos que nos precederam; uma celebração da fé recebida, vivida em comum e transmitida de geração em geração. Fé feita dom que nos levou a Jesus, à sua Igreja e aos sacramentos, os quais que alimentaram e alimentam a nossa vida pessoal e comunitária, que nos uniram na vivência dos mesmos valores e critérios, pondo-nos no mesmo sentido da vida e da morte. Celebração de fé e da fé em que não olhamos a morte mas o que está para além dela; celebração de fé, vivida em memória coletiva, numa atitude de ação de graças: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos».
Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá“. (Jo 11,25)
Hoje é um dia de silêncio, saudades, esperança e preces. Visitamos o cemitério. Levamos flores aos túmulos. Nesta devoção está presente a nossa fé na Ressurreição. A Liturgia de hoje lembra-nos a verdade sobre a qual se fundamenta a nossa fé: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna.”

1. Celebrar a alegria da ressurreição

A liturgia celebra os defuntos não para nos assustar mas para nos levar a descobrir o verdadeiro sentido da vida e lembrar a grande verdade da nossa fé: a ressurreição. Isto faz-me lembrar uma frase de Tertuliano que dizia: «A esperança cristã é a ressurreição dos mortos; tudo aquilo que somos, somo-lo na medida em que acreditamos na ressurreição».
Isto mostra bem a ligação que existe entre ambas realidades e que São Paulo explica bem quando afirma: “Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido” (1 Tes 4, 14). De facto, todos os que morrem em Cristo, com Ele hão de viver e reinar eternamente (cf. 1 Tes 4, 14; 1 Cor 15, 22).
É, portanto, a alegria, não o medo ou a angústia, que hoje a palavra de Deus nos quer comunicar, a alegria de quem recebeu do alto a luz da Páscoa que ilumina cada sepulcro.
Comemoramos em ação de graças a morte porque acreditamos na ressurreição. Porque sabemos, e de fonte segura, que «se esta tenda for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus» (2 Cor 5, 1).
Comemoramos os fiéis defuntos porque acreditamos que, embora tenham morrido, eles acreditavam em Cristo, como nós, hoje, e por isso, apesar de mortos, vivem! Pois «todo aquele que vive e acredita [em Cristo], nunca morrerá» (cf. Jo 11,26).
Isto explica as flores com que nestes dias se adornam os túmulos, pois são sinal de vida e de esperança.
Assim, hoje celebramos a vida e não propriamente a morte; celebramos a esperança e não o desespero; celebramos uma doce tristeza duma separação que é alegria da entrada numa nova vida: o Céu, o Reino de Deus!

2. Orar por todos

E nestes dias, os cristãos e as famílias vão aos cemitérios, onde jazem os restos mortais dos seus parentes, na expectativa da ressurreição final. Também eu recordo e convosco ofereço esta Eucaristia por todos os nossos familiares e amigos já falecidos. Penso, de maneira particular, naqueles que, durante o ano passado, deixaram este mundo.
Mas o dia de hoje exige também que não esqueçamos na oração as almas de muitos defuntos que ninguém recorda, para os confiar ao abraço da Misericórdia divina. Rezo sobretudo pelas vítimas da violência, dos conflitos e tantos acontecimentos sangrentos que continuam a afligir a humanidade. A comemoração de todos os defuntos não pode deixar de ser uma invocação de paz conjunta: paz para quem já viveu, paz para quem vive e paz para quem há de viver.

3. Olhar para Aquela que roga por nós na hora da nossa morte

O nosso olhar, neste dia volta-se por fim para a Mãe de Jesus e nossa mãe. Na glória do Paraíso resplandece a Virgem Maria, que Cristo coroou como Rainha dos Santos. É para Ela, “sinal de esperança segura e de consolação” (LG 68), que olha a Igreja. A Nossa Senhora confiamos todos os defuntos, a fim de que lhes seja concedida a felicidade eterna.
Que Ela também esteja presente na nossa vida para nos acompanhar rumo à Pátria definitiva, para que “Rogue por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

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