2 de agosto de 2020 – 18º Domingo do Tempo Comum – Ano A

O texto deste domingo relata-nos um dos muitos milagres de Jesus.

Depois do anúncio da execução de João Baptista, Jesus quis retirar-Se para o deserto, sozinho, mas a multidão assim não entendeu. Vinda de todos os lados não se sabe bem de onde, junta-se para ver e ouvir Jesus. Não quer perder aquele homem de bem, aquele profeta. Está disposta a todos os sacrifícios, a longas caminhadas, a longos jejuns para estar perto dele. A fome de qualquer coisa que lhe saciasse a alma e o espírito tinha-lhe feito esquecer a fome do corpo. Ali estava aguardando pacientemente.

Os discípulos ao verem toda aquela gente à volta do Mestre pretenderam afastá-la dizendo mesmo a Jesus para a mandar embora. Jesus, porém, não está de acordo. Nesta multidão reconhece todos os pequenos, todos os pobres que Seu Pai ama. Mesmo quando a multidão é anónima, é composta de homens e mulheres, de jovens e adultos, de velhos que aos olhos de Deus têm todos um nome, são únicos. Jesus teve misericórdia daquela gente, sentiu profunda compaixão dela. A fome dos Seus irmãos, qualquer que ela seja, é para Ele uma coisa insuportável. Por isso, para grande surpresa dos Seus amigos, Jesus intervém. Não só impede que se vão embora como ordena que lhes deam de comer.

A multiplicação dos pães que São Mateus nos descreve é uma magnifica ilustração do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo.

Um dia, na véspera da Sua Paixão, Jesus irá ainda mais longe, dar-nos-á o grande Sacramento da Eucaristia. Será o testemunho supremo do amor de Cristo que irá «até à Cruz».

Mas já hoje seremos nós capazes de nos reconhecer entre aquela multidão que «seguiu» Jesus?

Há dois mil anos, os escribas e os fariseus deviam zombar daquela pobre gente ignorante que, segundo eles, se deixava conduzir por aquele «fazedor de milagres». No entanto, foi a sua confiança, a sua fome, a sua sede, a sua disponibilidade e a sua espera paciente que permitiram a Jesus manifestar-Se. Ela está na origem da Sua decisão.

E nós, quem somos nós? Jovens, adultos, satisfeitos, saciados, indiferentes a Cristo… ou à Sua procura?

Em certos dias – quem o nega? – acontecimentos dramáticos, perturbam-nos, convidam-nos a duvidar do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. São a doença, o luto, a inquietação perante o futuro, as preocupações de todos os dias, os revezes da vida, os desgostos, etc. qual é então a nossa atitude? Em vez de «discutirmos» sempre com Deus, de Lhe pedirmos contas, não será melhor mobilizarmos as nossas energias para o essencial como nos aconselha a 1ª leitura? «porque dais dinheiro por aquilo que não é pão e o produto das vossas canseiras para aquilo que não sacia?

Que valor, que sentido têm na nossa vida as palavras há pouco ouvidas de São Paulo? «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez? Mas, em tudo isto, somos nós mais do que vencedores por Aquele que nos amou».

Mas precisamos, também, de ser «testemunhas» do amor de Deus junto dos irmãos.

«…dai-lhes vós de comer…» Não bastou pois à multidão, para comer, que os discípulos se tivessem dirigido a Jesus.

Tiveram de se incomodar e, tiveram o trabalho de distribuir o pão. A ordem dada por Jesus aos discípulos dirige-se a cada um de nós, às nossas famílias, aos grupos de cristãos, às nossas comunidades paroquiais. O dever de evangelizar, de proclamar a Palavra de Deus que compete a todo o cristão tem a sua fonte nesta vontade de Cristo «dai-lhe vós de comer …  Ide pelo mundo inteiro e anunciai a BoaNova».

À nossa volta ainda hoje as multidões têm fome física e espiritualmente; fome de justiça, de verdade, de amizade… Não é mandando as pessoas embora, não é ignorando-as, não as ouvindo ou pregando-lhes resignação e paciência para tranquilidade da nossa consciência, que testemunhamos que Deus «perto dos homens» que é o nosso alimento.

Nós cristãos, tal como Jesus, devemos ser sensíveis às necessidades dos nossos irmãos. Podemos perguntar-nos: em que medida a misericórdia que existe no Coração de Deus está no nosso coração? Qual a nossa medida de compaixão, de partilha, de perdão, de fidelidade, de amizade para com os nossos irmãos? Estamos disponíveis a incomodar-nos a desinstalar-nos por causa dos outros, daqueles que têm fome material e espiritual?

O Senhor que fez cair o maná  no deserto, que multiplicou os pães e nos deu a Eucaristia nos ensine a ter fome e sede d’Ele, nos sacie com o seu amor, e nos leve a comunicar esse amor aos nossos irmãos.

 

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