19 de junho de 2022 – 12º Domingo do Tempo Comum – Ano C

A Eucaristia é o lugar onde o homem se encontra com a Cruz! Suspenso no madeiro do Calvário, Jesus atrai a humanidade ao Mistério do Amor de Deus. Por isso, na continuidade com a Liturgia da Palavra do Domingo passado, hoje continuamos a ser convidados a responder com amor e a dilatar a nossa experiência de amor à luz do perdão de Deus. Na medida em que nos sentimos amados, também assim somos capazes de reconhecer o que significa abraçar a Cruz de Cristo e pegar na cruz de cada dia.

 

NAQUELE DIA, JORRARÁ UMA NASCENTE: A História do Povo de Deus traduz as dificuldades próprias de quem caminha nas tensões de confiar mais nas próprias forças do que na graça de Deus. Por este motivo, das vezes que o Povo de Deus confia mais em si mesmo do que em Deus, a sua experiência leva-o à mais profunda tristeza, à solidão, à aridez e, em alguns casos, à escravidão. Esta dificuldade constante do homem crente faz com que Deus, na Sua infinita Misericórdia, procure permanentemente o Homem. Na plenitude dos tempos quis, Deus, enviar o Seu próprio Filho, nascendo num tempo concreto e específico para que a Salvação pudesse consumar-se em favor da Humanidade. A profecia de Zacarias que acabámos de escutar não se concretiza no tempo do profeta, mas no tempo esperado, o tempo de Jesus. Deste modo, em Jesus, reconhecemos a Nascente de águas vivas que jorra para a humanidade. A aridez da caminhada das nossas vidas, as incertezas de por onde é o caminho, as amarguradas de quem desfalece e a estagnação da vida em que muitos se encontram leva-nos a olhar como, desta Nascente, que é Jesus, surge a única esperança e a única certeza. Não temos uma nascente vulgar, temos alguém que, do Seu Coração trespassado na Cruz, nos faz saciar a nossa sede de Amor, nos dá força para que o deserto refloresça e nos faz perceber que esta nascente não se esgota nem nos esgota, porque, d’Ela, jorra o Amor.

 

2.     TODOS VÓS SOIS FILHOS DE DEUS: Pelo Baptismo, somos revestidos de Cristo, como nos ensina S. Paulo. De muitos outros modos S. Paulo tenta explicar o significado do Baptismo que, em última instância, nos faz perceber que, este Sacramento, não é um processo de fidelização a uma entidade, mas uma nova vida, enxertada no próprio Filho de Deus, configurada n’Ele, compreendida à luz d’Ele e assumida n’Ele. Por isso, pelo Baptismo, damos início a uma nova forma de compreensão da nossa existência humana, ao ponto de nos determos na expressão máxima do que herdamos do Mistério de Cristo: sermos filhos no Filho. Se pertencemos a Cristo, todas as referências do mundo se secundarizam, pois esta pertença nos impulsa a contemplar a benevolência de Deus ao fazer-nos participantes da Vida em Cristo, Seu Filho. E porque somos participantes da vida em Cristo, então participamos da condição de nos sentirmos e vivermos, na certeza e na gratidão, de sermos assumidos, por Deus, como seus filhos. Como tal, diante de tamanha condição, tudo o demais se torna secundário, pois ao olharmos ao nosso Pai do Céu compreendemos que a nossa vida já vive com um novo critério, com novas exigências e com o olhar posto na Sua promessa.

 

3.     E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?: No Evangelho que escutámos é nítida a diferença de conceitos e compreensões que existiam, da parte das multidões e dos discípulos, acerca de Jesus. Na verdade, a referida pergunta não é fútil ou superficial, mas é um desafio e uma provocação aos discípulos de todos os tempos. Facilmente podemos sentirmo-nos levados a uma experiência cristã à luz de afectos ou intelectualismos. Por isso, a pergunta de Jesus leva os discípulos a questionar-se sobre o ser de Jesus. Mais do que olhar a conceitos, a idealismos ou a preconceitos religiosos, Jesus leva-nos, à semelhança de Pedro, a determo-nos em quem é Ele! Jesus não é uma ideia, nem mesmo uma figura histórica. Pelas palavras de S. Pedro temos a resposta mais satisfatória: Ele é o Filho de Deus esperado desde todos os tempos para consumar a Salvação. A resposta do Apóstolo S. Pedro não é consequência de estudos teológicos ou de uma simples amizade oportunista, mas sim fruto da sua intimidade com o Senhor. Também, hoje, em que as multidões falam muito sobre Jesus, é necessário perceber que só é possível obter esta resposta na medida em que entramos em intimidade com o Senhor, procuramos estar com Ele, falar com Ele e olhá-lo na Eucaristia e no Sacrário. A resposta a Jesus requer que O conheçamos, mas só é possível conhecê-Lo quem antes quer que Ele entre na sua vida.

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