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epa06628353 Faithfuls during the Palm Sunday Mass in Saint Peter Square in Vatican City, 25 March 2018. Palm Sunday for Roman Catholic devotees symbolically marks the biblical entry of Jesus Christ into Jerusalem, signaling the start of the Holy Week before Easter. EPA/ANGELO CARCONI

Vaticano: Papa alerta para tentação do «triunfalismo» e fala em batalha contra o Mal na Igreja

«A guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmo, firme na fé», disse Francisco

Cidade do Vaticano, 14 abr 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco presidiu hoje no Vaticano à celebração do Domingo de Ramos, que dá início à Semana Santa, e alertou para a tentação do “triunfalismo”, a que se opõe o “caminho da humildade”.

“O triunfalismo vive de gestos e palavras, que não passaram pelo crisol da cruz; alimenta-se da comparação com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos, falhados… Uma forma subtil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja”, disse, na homilia da Missa que decorreu na Praça de São Pedro, perante milhares de pessoas.

No centro da praça, junto ao obelisco, o Papa começou por abençoar as palmas e ramos de oliveira, antes de seguir em procissão para o altar, diante da Basílica de São Pedro.

Francisco apresentou a Paixão de Jesus como “modelo de vida e de vitória contra o espírito do mal”, que todos os cristãos devem seguir, num “confiante abandono ao Pai e à sua vontade de salvação, de vida, de misericórdia”.

A intervenção assinalou que, para chegar ao “verdadeiro triunfo”, é preciso “dar espaço a Deus”, através do “esvaziamento de si mesmo”.


Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, não se pode negociar: abraça-se ou recusa-se. E, com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele”.

O Papa falou numa “noite da fé”, nos momentos do sofrimento, que permite o despontar da “aurora da ressurreição”.

Evocando o contraste entre as “aclamações festivas” da multidão e o “encarniçamento feroz” de quem se opunha a Jesus, Francisco sublinhou o silêncio “impressionante” de Cristo na sua Paixão, que “vence inclusivamente a tentação de responder, de ser mediático”.

“Nos momentos de escuridão e grande tribulação, é preciso ficar calado, ter a coragem de calar”, sustentou.

O Papa falou num combate com o “demónio”, que surge com maior força quando a Igreja Católica parece estar “mais frágil, mais humilhada”.

“Será necessário resistir-lhe em silêncio, conservando a posição, mas com a mesma atitude de Jesus”, apontou.


Ele sabe que a guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmo, firme na fé. É a hora de Deus. E, na hora em que Deus entra na batalha, é preciso deixá-lo agir”.

A celebração contou com a presença de jovens de Roma e outras dioceses, por ocasião da celebração do XXXIV Dia Mundial da Juventude.

Francisco recordou, neste dia, os “inúmeros santos e santas jovens” que a Igreja Católica conheceu, na sua história.

“Queridos jovens, não vos envergonheis de manifestar o vosso entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que é a vossa vida. Mas, ao mesmo tempo não tenhais medo de O seguir pelo caminho da cruz. E, quando sentirdes que vos pede para renunciardes a vós mesmos, para vos despojardes das próprias seguranças confiando-vos completamente ao Pai que está nos céus, então alegrai-vos e exultai! Encontrais-vos no caminho do Reino de Deus”, apelou.

A decoração da Praça de São Pedro para este dia foi feita com milhares de plantas aromáticas, flores, ramos de oliveira e os tradicionais ‘palmurelli’, folhas de palmeira entrançadas.

O Papa optou por usar nesta cerimónia a férula (o corresponde ao báculo papal, que é encimado por uma cruz) em madeira de oliveira, feita em Belém.

OC

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