Procurar as realidades do alto: Colossenses 3,1-4

Procurar as realidades do alto: Colossenses 3,1-4
 
Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra. Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, a vossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória (Colossenses 3, 1-4)

No início desta passagem, São Paulo junta duas afirmações de uma forma interessante. Começa com algo muito forte: «Fostes ressuscitados com Cristo». É o fundamento seguro, fiável, objectivo da fé. Cristo ressuscitou. E, pela sua graça, pela fé nele, pelo baptismo, esta ressurreição é também a nossa – não apenas o futuro após a nossa morte, mas já neste momento. De seguida, acrescenta uma exortação algo surpreendente: foram ressuscitados; é preciso, então, não que «sejam fortes», não que «nada mais temais», não «anunciar o evangelho a toda a criação», mas sim «procurar».

Existem por ventura pessoas que nada procuram, por satisfação, por preguiça, ou por falta de imaginação. Existem, também, pessoas que procuram e que encontram algo essencial, e que, ao o encontrar, deixam de procurar. Satisfazem-se com o que encontraram: para eles, basta como resposta a qualquer questão possível; agora, chegaram. E depois existem pessoas que gostam demasiado de procurar; preferem viajar a chegar. Aos seus olhos, qualquer verdade ou compromisso sólido é suspeito e um risco à sua liberdade. Acabam por flutuar permanentemente sem direcção. O Evangelho, por outro lado, convida-nos a seguir o caminho vivificante onde nos alegramos com o que encontrámos, e isso impele-nos a procurar mais ainda, a ir sempre mais longe.

A procura é uma atitude activa, não passiva. E positiva, até optimista: não se procura se não se acredita que é possível alcançar. É uma atitude de esperança. É, igualmente, uma atitude humilde: para procurar, devo dizer a mim mesmo que «ainda não alcancei tudo».

A este propósito, é interessante que Paulo se refira a realidades inalcançáveis ou escondidas: «Aspirai às coisas do alto», escreve. E, também: «A vossa vida está escondida com Cristo». Não o diz para encorajar especulações teológicas sofisticadas ou experiências místicas especiais. Pretende, sobretudo, lembrar-nos que, mesmo se a nossa fé nos liga a realidades profundamente verdadeiras e extraordinárias, muito frequentemente a nossa própria experiência ou o nosso entendimento delas não está, de todo, ao mesmo nível. Sabemos que Cristo ressuscitou, e que é ele a nossa alegria. Porém, ao mesmo tempo, a maioria de nós conhecem por vezes, ou mesmo frequentemente, um sentimento de pobreza, de dúvidas, de fragilidades, de incertezas. É talvez necessário, para não cairmos na armadilha de pensar que chegámos ou que compreendemos tudo.

Mas são justamente esta pobreza, estas fragilidades e estas dúvidas que nos podem estimular a «procurar». As «coisas do alto» de que Paulo fala não estão, forçosamente, muito longe de nós, ainda que não possamos alcançá-las. Encontram-se numa dimensão onde os critérios normais não se aplicam. Uma dimensão que não está longe, mas que é outra. Ali, o que importa não é a satisfação dos nossos desejos ou vontades, nem a ineficácia de um projecto. O único critério é Cristo, que permanece fiel até à morte. Apenas contam a confiança, a esperança e o amor. Com efeito, ali «está Cristo, sentado à direita de Deus». Esta imagem pretende dizer que, ao convidar Cristo a sentar-se à sua direita, Deus quer mostrar-lhe o seu apoio, como a alguém que se ama e se aprova. Nesta dimensão, que é, por agora, invisível, Deus já demonstrou que o que verdadeiramente importa é o que Jesus exprimiu com a sua vida.

Se, muito humildemente, procurarmos viver apenas esta dimensão, ligados ao que conta aos olhos de Deus mais do que aos nossos valores comuns, estamos já numa «vida escondida com Cristo» que, um dia, se revelará ser a nossa verdadeira vida.

- Sou, sobretudo, alguém que gosta de procurar, ou que se satisfaz com o que já encontrou?

- Na minha vida de fé, conheci momentos ou períodos de certeza? E momentos de dúvidas ou de incerteza? O que me ajudou a atravessar as incertezas? Esses momentos ensinaram-me algo?

- Compreendi o que realmente importa aos olhos de Deus?

 

Fonte: https://www.taize.fr/

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