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Mudar o tempo

Há já muito tempo que se vão repetindo os alertas: se a Igreja não tomar consciência das mudanças culturais suscitadas pelo sistema de comunicação que conhecemos atualmente, encontrará muitas dificuldades para evangelizar num próximo futuro. Isto não significa que apenas o mundo católico se tem de adaptar e integrar o novo ambiente cultural, antropológico, cognitivo e tecnológico da era da hiperinformação, mas também que este tempo de pressa precisa de recuperar, com a ajuda do património de reflexão cristã, um “tempo primordial”, diferente, onde se encontra a Palavra inicial, que dá origem e recria tudo.

O fundamento desta (re)comunicação não é novo, encontramo-lo em grandes pensadores como Platão ou Santo Agostinho, que nunca sonhariam com as redes sociais: o diálogo. Criar laços e não só ligações, evitando a perda progressiva de humanidade criada pela destruição dos vínculos pessoais.

Estamos diante de um ambiente existencial, que já não é um mundo paralelo ou virtual, e que em última instância continua a ser uma conquista humana, mais do que técnica ou instrumental. Só este fundo humano dá sentido a palavras que, de outra forma, estariam condenadas à insignificância, ainda que proferidas através das mais modernas plataformas. Também não basta reduzir distâncias entre pessoas, se não houver um caminho comum a percorrer: acabaríamos por ficar parados.

Há questões tecnológicas que implicam respostas teológicas, ou seja, sobre o sentido da existência, as metas que se lhe colocam e os caminhos que se percorrem, para que a mudança seja efetivamente uma forma de melhorar e não apenas um fim em si próprio. E todos possamos redescobrir o tempo existencial que está “no início” da Bíblia e que se projeta como alternativa à devastação do tempo que corre e não espera por ninguém.

 

Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

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