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CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL

“O que era visível no nosso Senhor passou para os seus sacramentos” (S. Leão Magno, papa-séc. V)

Jesus Cristo não deixou nenhum escrito das suas pregações. Não organizou a Igreja e nem lhe deu estatutos. Não traçou nenhum ritual de cerimónias religiosas. A sua vida, porém, nas palavras e atitudes, foi evangelizadora. Serviu a todos, fez em tudo a vontade do Pai, reservando muitas vezes longo tempo para ficar em oração com Ele e oferecendo-lhe na cruz o sacrifício que corou a sua entrega ao Pai e aos homens – o Mistério Pascal.
Cristo transmitiu aos apóstolos a missão que recebera do Pai e enviou-lhes o Espírito Santo. Com a força do Espírito Santo (Pentecostes) e a partir dele, os apóstolos deram testemunho de Cristo, incorporando os convertidos na comunidade – Igreja através do Batismo.
Assistidos pelo Espírito Santo, desenvolveram a sua pregação, organizaram as comunidades e criaram maneiras próprias para o culto das mesmas. Tudo se processou de acordo com realidades concretas e necessidades do povo. Em relação à pregação, por exemplo, debateram-se com um pequeno problema quando evangelizaram os que não eram judeus. A questão era a seguinte: Os que não são judeus, para se tornarem cristãos devem antes fazer-se judeus? Esta questão foi o tema principal do primeiro Concílio da Igreja, o Concílio de Jerusalém. Nele, os apóstolos entenderam que não haveria necessidade de alguém seguir primeiro os costumes do Antigo Testamento para depois se tornar cristão (Act 15).
Mas outro problema se levantou, agora mais ligado à organização da comunidade: Queixava-se o grupo de discípulos de origem grega que as suas viúvas não eram devidamente assistidas. Os Apóstolos convocaram então a comunidade e com ela escolheram os primeiros diáconos para se ocuparem do serviço da caridade (Act 6,1-6).
A Igreja vai ganhando forma, vai-se adaptando conforme as necessidades e circunstâncias de cada lugar e de cada época. São essas necessidades que ditam a organização comunitária, os ministérios, o caminho a percorrer em ordem à entrada e pertença à comunidade.
Em relação à liturgia, acontece o mesmo. No início os próprios apóstolos, como os primeiros cristãos, continuam a frequentar o tempo para a oração. Não havia um culto próprio, porque os seguidores de Jesus não se demarcaram imediatamente do judeísmo. Mas, simultaneamente vão criando formas próprias de culto. Este vai acontecendo nas casas. Aí os cristãos reúnem-se para a sua liturgia, celebrando a nova aliança com a morte e ressurreição de Cristo, através do memorial da última ceia.
O lugar, portanto, das assembleias litúrgicas, são as casas particulares mais amplas. Aos poucos muitas delas vão sendo adaptadas exclusivamente para o culto. Começam a ser conhecidas por “Casa da Igreja” e tinham em geral, forma retangular. Com o passar do tempo passam a chamar-se simplesmente “Igreja”, isto é, o templo. Este, contrariamente aos templos pagãos, que eram pequenos monumentos onde quase só cabia a imagem da divindade e o sacerdote, não havendo lugar para o povo, demarca-se daqueles pela sua originalidade comunitária de lugar da reunião dos fiéis.
O único livro litúrgico era a Bíblia (na parte do Antigo Testamento e, um pouco mais tarde, o o Novo, que foi sendo redigido do ano 55 a 100 d. C.). não havia regras precisas para a vida litúrgica dos primeiros cristãos. Mantinham apenas uma tradição comum: a Palavra e os Sacramentos, com a sua centralidade na Eucaristia ou Ceia do Senhor. A estrutura celebrativa variava de uma comunidade para a outra. Assim nasceram os diferentes ritos.
A partir desta originalidade inicial, a liturgia da Igreja vai-se estruturando e conhecendo diversas fases. Especialmente três: a fase que vai das origens até ao Concílio de Trento, 1546; seguidamente a que vai do Concílio de Trento ao Concílio Vaticano II (1962/1965), e a terceira que se inicia depois do Concílio Vaticano II.

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