Solidão, silêncio, ascese são elementos necessários para criar um clima favorável à «vida interior, ao encontro com Deus, mas torna-se sinal de patologias se nos afastarem das pessoas, se levarem ao desinteresse pelos irmãos. A contraposição entre o amor pela pessoa e o culto a Deus baseia-se em mitos pagãos, não deriva do Evangelho.
Sendo amigo dos homens, Prometeu tinha-lhes ensinado os números, as letras, a arte de domesticar os animais, a agricultura, a navegação, a laboração dos metais; tinha subido ao Olimpo para roubar o fogo aos deuses e dá-lo aos homens, e, por esse motivo, Zeus tinha mandado que o acorrentassem a uma rocha no Caúcaso e ordenado a um abutre que lhe desfizesse eternamente as entranhas. Desta forma, o senhor dos deuses libertava o seu rancor contra aquele que, por ter sido amigo dos homens, tinha ganho a inimizade dos númens.
Nada é mais contrário à mensagem bíblica do que isto. A promoção e o crescimento do ser humano realizam o projeto de Deus: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão».
É com razão que Prometeu, partindo de uma perspetiva bíblica, foi definido «homem segundo o coração de Deus»; de facto, o Senhor ensinou ao seu povo «que um justo deve ser amigo dos homens».
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