«Não quebres o ténue fio da amizade, porque, depois de partido, mesmo que consertes, fica sempre com um nó.» Estava eu na escola primaria quando o professor me deu este conselho que me ficou impresso na memória, e do mal me lembro sempre que venho a saber de contrariedades, dissabores, desacordos e me angustia pensar que basta um erro para pôr fim, para sempre, a uma amizade, àquela relação que a Bíblia chama «bálsamo de vida». « Como um pássaro que tu soltaste da tua mão, assim deixaste ir o teu amigo, e não o encontrarás mais. Não o persigas, porque já está muito longe»
A incapacidade de perdoar, o medo de voltar a confiar plenamente em quem errou, são estas as forças malignas que tornam irrecuperável uma união de amor quebrada.
Perdoamos com dificuldade a nós próprios: atormentamo-nos com remorsos, não aceitamos a humilhação de um momento de fraqueza e, como uma bomba que não explodiu e está ainda armada, arrastamos connosco a nossa culpa. Só quem tem uma relação serena consigo mesmo está em condições de reconhecer o seu próprio erro, e sabe ser possível uma recuperação positiva da experiência amarga do pecado.
Não perdoamos aos outros. É muito grande a desilusão, a dor pela traição cometida, e o receio que possa repetir-se; é quase irrefreável o impulso de quebrar o relacionamento e vingarmo-nos pela ofensa sofrida.
Arrastados para este vórtice de ressentimentos e paixões, deixamos escapar a alegria maior, aquela que também Deus experimenta, centuplicada, quando consegue fazer com que floresça uma relação de amor. Mesmo a quem é idoso, Ele concede sempre a oportunidade de recomeçar, dando-lhe sempre uma perene juventude.
O que espera Deus de nós? A sua mesma «compaixão»: quer que não tenhamos o irmão escravo do pecado, pretende que não o sufoquemos enquanto ele tenta desesperadamente sair do abismo; pede-nos que o ajudemos «setenta vezes sete», renunciando a qualquer tipo de compensação da parte dele. Os filhos de Deus são «misericordiosos como o Pai celeste» e compreenderam que «o amor não guarda ressentimento, tudo desculpa, tudo crê». Quem fez sua esta nova lógica está disposto a perder, esquece todos os seus direitos só para ver o irmão novamente feliz, sereno e livre do seu pecado.
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