Leão XIV defende uma participação ativa dos fiéis na liturgia e alerta para os abusos que podem desvirtuar a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II.
Na catequese desta quarta-feira, Leão XIV dedicou-se à Constituição “Sacrosanctum Concilium”, do Concílio Vaticano II, sublinhando a importância de uma participação consciente, ativa e piedosa dos fiéis nas celebrações litúrgicas.
O Papa recuperou palavras do então cardeal Giovanni Battista Montini, numa carta de 1962, para reforçar a necessidade de os cristãos não permanecerem “em silêncio e passivos” durante a liturgia. “A sua presença material não pode coexistir com a sua ausência espiritual”, afirmou, citando o futuro Papa Paulo VI.
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Leão XIV recordou igualmente o número 48 da Constituição conciliar, segundo o qual a Igreja procura que os cristãos “não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos”, mas participem na ação sagrada de forma consciente, ativa e piedosa.
O pontífice frisou que, “uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva”. Foi neste contexto que surgiu a necessidade de tornar mais acessíveis os textos bíblicos e as orações e de simplificar a estrutura das celebrações prevista nos antigos livros litúrgicos.
Atenção aos abusos
Leão XIV sublinhou que a liturgia é uma realidade viva, sujeita ao longo dos séculos a evoluções e mudanças, tendo o Magistério adaptado as suas formas às necessidades de cada época.
Por isso, considerou que não é de estranhar que o Concílio Vaticano II tenha promovido uma revisão dos livros litúrgicos, mantendo o respeito pelo património da tradição e procurando torná-lo mais acessível aos fiéis.
O Papa deixou, contudo, um alerta para os excessos. “A sua correta compreensão permite também rejeitar os abusos” que ocorreram em alguns setores da Igreja no período pós-conciliar e que, segundo Leão XIV, “por vezes ainda hoje se verificam”, quando alguns princípios da reforma são absolutizados ou mal interpretados.
A questão litúrgica continua a ser particularmente sensível no interior da Igreja, sobretudo devido às críticas de setores tradicionalistas que defendem maior liberdade para a celebração do rito antigo, associado ao Concílio de Trento.
O tema esteve também presente nos dois Consistórios já realizados por Leão XIV, reunindo cardeais de várias partes do mundo, sem que tenham sido anunciadas, até ao momento, alterações significativas.
Na catequese, o Papa citou ainda a Constituição conciliar para recordar que “as ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja”, enquanto sacramento de unidade e expressão do povo santo reunido sob a direção dos bispos.
Leão XIV concluiu atribuindo aos pastores, bispos e sacerdotes uma responsabilidade primordial na promoção e salvaguarda da liturgia, para que, respeitando as normas litúrgicas, esta se distinga pela “nobre simplicidade” e manifeste a identidade da Igreja una, santa, católica e apostólica.
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