28 de junho de 2026 – 13º Domingo do Tempo Comum – Ano A | Quem tem um coração grande não se contenta com uma casa pequena

No início da sua vida pública, ao longo do lago da Galileia, Jesus suscitou muito entusiasmo e obteve um sucesso notável; mas bem cedo começaram os conflitos, as incompreensões e as hostilidades. Muitos discípulos, desconcertados com as suas propostas, perderam a coragem e abandonaram-no. Até mesmo os seus familiares se mostraram sempre um pouco desconfiados. Com Ele ficou apenas um grupo muito pequeno de discípulos pertencentes às clases mais pobres e desprezadas da sociedade judaica.
O nosso trecho constitui o epílogo de um capítulo carregado de tensões e polémicas. Iniciou com a crise de fé do Baptista que enviou alguns discípulos a perguntarem a Jesus: «És Tu aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»; continuou com o pesado juízo de Jesus sobre a sua geração e com as ameaças: «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida!».
A meio do período de vida pública, o balanço tinha que ser considerado desilusivo. Perante um tal fracasso, nós teríamos deixado cair os braços; porém, Jesus alegra-se e bendiz o Pai por tudo o que aconteceu.
A exclamação solene com que inicia o Evangelho de hoje é uma das poucas orações de Jesus reatadas pelos Evangelhos: «Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos».
Os sábios e os inteligentes são muitas vezes citados juntos na Bíblia e, com frequência, em sentido negativo. São aqueles que professam estar em busca da sabedoria, que pensam até ter o monopólio dela, enquanto, de facto, se limitam a dar cabo da cabeça com coisas sem importância e gostam de se entreter em disquisições vãs. Contra eles, o profeta Isaías dissera: «Ai dos que se têm por sábios e que se julgam espertos». Jesus não diz que estão fora da salvação, limita-se a constatar um facto: os pobres, os humildes, as pessoas marginalizadas foram as primeiras a acolher a sua Palavra de libertação. É normal – diz Ele – que isto aconteça, porque são os pequenos quem, mais do que os outros, necessitam da ternura de Deus, têm fome e sede de justiça, choram, vivem no luto e esperam que o Senhor intervenha para lhes levantar a cabeça e enchê-los de alegria. São bem-aventurados porque chegou para eles o Reino de Deus. E depois acrescenta: este facto faz parte do projeto do Pai: «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado».
Está profundamente radicada a convicção de que Deus é amigo apenas dos bons e dos justos, que prefere quem se comporta bem e suporta com dificuldade quem peca. Este é o Deus criado pelos «Sábios» e pelos «inteligentes», é o produto da lógica e dos critérios humanos. O Pai de Jesus, pelo contrário, vai buscar aquelas pessoas que nós deitámos ao lixo, prefere quem é desprezado, que não é tido em conta por mais ninguém, os pecadores públicos e as prostitutas, porque são as pessoas que mais necessitam do seu amor. Os ricos, os que estão saciados, quem é orgulhoso do próprio saber, esses não sentem a necessidade deste Pai, conservam zelosamente o seu Deus. Também eles chegarão à salvação, certamente, mas somente quando se tornarem «pequenos». O problema é que poderão chegar atrasados, perdendo um tempo precioso.
A segunda parte do trecho contém uma importante afirmação de Jesus: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
Na Bíblia, o verbo conhecer não significa ter encontrado ou contactado algumas vezes uma pessoa, quer dizer «ter tido dessa pessoa uma experiência mais profunda». É utilizado, por exemplo, para indicar a relação íntima que há entre marido e mulher.
Um conhecimento pleno do Pai só é possível ao Filho. Todavia, Ele pode comunicar esta sua experiência a quem quiser. Quem terá a disposição certa para acolher a sua revelação? Os pequenos, naturalmente.
A última parte do trecho refere-se à opressão que os «pequenos», o povo simples da terra, os pobres, sofrem por parte dos «sábios e inteligentes».
A Lei de Deus é sem dúvida um jugo, e o sábio Sirácide recomendava ao filho: «mete os teus pés nos seus grilhões, e o teu pescoço nas suas correntes; inclina o teu ombro e carrega-a …e acharás nela, finalmente o teu repouso».
«Aprendei de mim» significa simplesmente: não sigais os mestres que agem como patrões das vossas consciências, que pregam um Deus que não está ao lado dos pobres, dos pecadores, dos últimos, e ensinam uma religião que, com as suas minúcias e os seus absurdos, rouba a alegria.
O trecho do Evangelho de hoje é motivo de reflexão, quer do ponto de vista pessoal quer comunitário. Qual é o Deus em que acreditamos: é o dos «sábios» ou aquele que nos revelou Jesus? A nossa comunidade, para quem é sinal de esperança: para quem está convencido de merecer os primeiros lugares ou para quem se sente indigno de atravessar a soleira da porta da igreja?

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