8 de fevereiro de 2026 – 5º Domingo do Tempo Comum – Ano A | Tornar-se sal e luz, mas como?

Para definir os discípulos e a sua missão, Jesus utiliza no Evangelho de hoje uma série de imagens. Apresenta-os, antes de mais, como o sal da terra.
Os rabis de Israel costumavam repetir: «A Tora – a Lei santa dada por Deus ao seu povo – é como o sal, e o mundo não pode estar sem sal». Fazendo sua esta imagem e explicando-a aos seus discípulos, Jesus sabe que está a usar uma expressão que pode soar como provocação. Não desmente a convicção do seu povo que considera as Sagradas Escrituras «sal da terra», mas afirma que também os seus discípulos o são, se assimilarem e se se deixarem guiar pela sapiência das suas bem-aventuranças.
São muitas as funções do sal, e provavelmente Jesus pretende referir-se a todas.
A primeira e a mais imediata é a de dar sabor aos alimentos. Desde os tempos antigos, o sal tornou-se por este motivo o símbolo da «sapiência».
Quando uma conversa é pouco agradável, sem conteúdo, sem graça, diz-se que é «insonsa» ou «sem sal».
Paulo conhece este simbolismo, e aos Colossenses recomenda: «A vossa palavra seja sempre amável, temperada de sal».
Vista desta forma, a imagem do sal indica que os discípulos devem difundir no mundo uma sabedoria capaz de dar sabor e significado a vida, as alegrias e as dores, os sorrisos e as lagrimas, as festas e os lutos? Que sonhos e que esperanças poderia alimentar o homem nesta terra? Dificilmente iria aém do que sugere Qohélet: «É belo e bom comer e beber, e sentir-se feliz em todo o esforço que se tem de fazer debaixo do Sol, nos breves dias de vida que Deus concede ao homem. «Esta é a sua sorte».
Mas quem está embebido do pensamento de Cristo saboreia outras alegrias, traz ao mundo experiências de felicidade novas e inefáveis, oferece aos homens a possibilidade de experimentar a mesma beatitude de Deus.
O cristão é o sal da terra: com a sua presença é chamado a impedir a corrupção, a não permitir que a sociedade, guiada por princípios maus, se decomponha e apodreça. Não é difícil constatar, por exemplo, que onde não há quem torne presentes os valores evangélicos, facilmente se difundem a perversão, o ódio, a violência, o abusi. Num mundo onde é posta em dúvida a intangibilidade da vida humana, desde a concepção até ao seu fim natural, o cristão é sal que lembra a sua dimensão sagrada. Onde se banaliza a sexualidade, e as convivências e os adultérios deixaram de ser chamados pelos seus nomes, o cristão lembra a santidade da relação homem-mulher e o projeto de Deus sobre o amor conjugal.
Os rabis diziam: «Assim como o azeite dá luz ao mundo, também Israel é luz para o mundo», e ainda: «Jerusalém é luz para as nações da terra». Referiam-se ao facto de considerarem Israel depositário da sapiência da Lei que Deus, pela boca de Moisés, revelara ao seu povo.
Chamando aos discípulos «luz do mundo», Jesus declara que a missão confiada por Deus a Israel estava destinada a continuar por meio deles. Apareceria em todo o seu esplendor nas suas obras de amor, concretas, verificáveis. São estas obras que Jesus pede que «sejam vistas». Não quer que os seus discípulos se militem a anunciar a sua Palavra sem se empenharem, sem se comprometerem, sem arriscar a vida por esta mesma Palavra.
A prova de que as pessoas foram atingidas por esta luz acontecerá quando derem glória ao Pai que está nos Céus.
É um convite a não ocultar, a não esconder as partes mais exigentes da mensagem evangélica. Os discípulos não se devem preocupar em defender ou justificar as propostas de Jesus, devem apenas anunciá-las, sem medo, sem temor de serem ridicularizados ou perseguidos. Assim serão para as pessoas como lâmpadas que «brilha num lugar escuro, até que o dia desponte e a estrela da manhã nasça».

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