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7 de outubro de 2019 – Festa de Nossa Senhora do Rosário

Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês que a Igreja dedica à principal devoção mariana. Demos sempre graças a Deus sempre, e em especial neste dia, pelos abundantíssimos dons que nos faz chegar por meio desta oração. Renovemos também hoje o propósito de rezar com mais fé e amor o Terço de cada dia implorando à Mãe da Misericórdia que nosso coração vibre com a Misericórdia do Pai.

O Rosário: louvor a Deus com Maria e por Maria

Acabamos de ouvir, mais uma vez, as palavras com que o Anjo Gabriel se dirige a Nossa Senhora, e nunca nos cansamos das escutar: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. São um louvor dirigido a Maria, mas que acaba em Deus causa e fim de toda a perfeição da “Cheia de graça”. É um louvor que desde então se repete, como as ondas do mar que nunca acabam. Isabel, proclamará Maria como a Bendita entre as mulheres, por ser Bendito o fruto do seu ventre ( cf. Lc 1, 42). Anos mais tarde, quando uma mulher do povo quer louvar Jesus, serve-se da melhor fórmula possível: chamar Bendita à sua Mãe (cf. Lc 11, 27). E o próprio Espírito Santo proclama, por boca de Maria, que todas as gerações chamarão Bem-aventurada à Mãe do Senhor, porque a Misericórdia do Todo-poderoso realizou nela Maravilhas (cf. Lc 1, 47-50).
A Igreja de todos os tempos continua este modo de orar, que já encontramos na Primitiva Comunidade: orar com Maria, Mãe de Jesus (Primeira Leitura). Orar a Deus com Maria e louvando Maria, é o caminho que conduziu até essa forma privilegiada de oração mariana que é o Rosário. Na sua origem, teve importância decisiva S. Domingos de Gusmão, e a aparição de Nossa Senhora que, segundo a tradição, teve quando se encontrava em França. Não é por acaso que a Mãe de Deus encaminhou S. Domingos para compor este modo de rezar. Depois Ela própria apareceria de terço na mão em Lourdes e Fátima e nestas últimas aparições repetiu sempre a petição de rezar o terço diariamente. Os santos e os Papas amaram e difundiram o Rosário, e tiveram a experiência de que rezando com Maria e à Maria se introduziam na intimidade com Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

O Rosário: arma poderosa perante os perigos

A maior parte das fontes sobre a oração de S. Domingos em Fangeaux, afirmam que Nossa Senhora lhe indicara uma devoção concreta, e referem que Nossa Senhora lhe terá dito que seria “arma poderosa”. De facto o Rosário foi, desde o seu início, o apoio espiritual mais firme para defender a Fé contra os ataques do inimigo. Quer quando se apresentava sob a forma de erros e falsidades, quer quando atacava com a força das armas. S. Domingos encontrou a França infestada de heresias de tipo maniqueu, especialmente a seita dos albigenses, com origem em Albí, na Provença francesa. O Santo, como diz o Papa Leão XIII, “empreendeu com ânimo forte a guerra contra os inimigos da Igreja Católica, não com a força nem com as armas, mas com a fé mais acendrada na devoção do Santo Rosário, que foi o primeiro a propagar, e que levou pessoalmente e por meio dos seus filhos aos quatro cantos do mundo” (Enc. Supremi apostolatus, 1-IX-1835).
Quanto ao socorro de Nossa Senhora nas batalhas, relata D. João de Castro no seu informe sobre a vitória portuguesa em Diu, que “os prisioneiros quando eram interrogados isoladamente, afirmavam todos que tinham visto sobre a igreja «huã molher muito resplandecente, que os cegava e não deixava ter o rosto direito aos cristãos»” (E. Sanceau D. João de Castro, pg. 313). Não seria de estranhar que os portugueses de Diu em 1546, rezassem o terço, como os cristãos que em 1571 lutaram em Lepanto, em 1683 às portas de Viena, ou em Temesbar (actual Roménia) em 1716
Os perigos foram afastados, e a paz desceu do Céu, perfumada pela mão da Mãe de Deus. Em 1917, foi Nossa Senhora que indicou o terço como poderosa arma para que acabasse a guerra e atrair a paz. A sua mensagem criou no mundo uma poderosa onda de oração mariana, que como um mar de Ave-Marias desabava continuamente sobre a chamada “cortina de aço”, até que inesperadamente esta ruiu como as muralhas de Jericó.
São muitas as ameaças e perigos que os cristãos devem enfrentar também hoje. Nunca podemos ter medo ou falta de esperança. Temos na mão a arma para vencer nas grandes e pequenas batalhas da nossa vida. Escutemos a experiência da História e a experiência dos santos como S. Josemaria: “Antes, só, não podias… – Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil” (Caminho, 513). Quantos milagres foram implorados passando as contas do terço, e quantos aconteceram de modo bem melhor do que aquele que imaginavam as pessoas.

O Rosário: chuva de graças para as almas

No Antigo testamento, no primeiro livro dos Reis, aparece o episódio da grande seca com que Deus castiga Israel. No capitulo 18, vemos o profeta Elias que intercede ante Deus para que regresse a chuva. O cenário é o cume do monte Carmelo, onde se encontra Elias a orar com o seu servo. O profeta manda sete vezes o servo ir espreitar o mar para ver se chegava a chuva. Na sétima vez o servo disse-lhe: “eis que sobe do mar uma pequena nuvem como a palma da mão”. Pouco depois a chuva começou a cair torrencialmente. A tradição da Igreja viu sempre naquela pequena nuvem que se levanta do mar uma imagem de Maria, cujo nome se assemelha à palavra mar. Mas sobre tudo Maria, a humilde donzela de Nazaré, é como a pequena nuvem, que traz dentro de si a grande chuva de graças da Redenção. Por meio de Maria chega ao mundo, ressequido pelo pecado e sem frutos de virtudes, a água benfazeja da graça que o converte num pomar e um jardim de vida sobrenatural. O que nos trouxe Nossa Senhora é Jesus Cristo. E o que continua a trazer às almas, também hoje, é Jesus Cristo.
São inúmeras as histórias relacionadas com o Rosário que confirmam esta verdade, mas vale a pena relatarmos pelo menos uma.
Conta uma senhora residente na cidade de S. Paul, Minesota, Estados Unidos a experiência, muito simples e normal, da sua própria vida: “Quando era menina, a nossa família morava numa pequena casa, onde a minha avozinha costumava vir visitar-nos. Costumava ficar duas ou três semanas, e nós disputávamos o privilégio de ficar na sua companhia. Como eu era a mais velha consegui dormir numa cama perto da dela.
Cada noite depois de apagar as luzes e ficar todo em silêncio, ouvia-a falar baixinho e suavemente: estava a rezar. Parecia que nunca mais ia a acabar, e desde o princípio tentei perceber o que dizia. Soube que rezava o terço, e dessa maneira aprendi o Pai-nosso, a Ave-Maria e outras orações que ela rezava.
A minha avozinha era irlandesa, católica. Nossa mãe abandonou a pratica religiosa quando casou com nosso pai. Sempre fomos a escolas laicas e em casa não havia religião; a não ser a da nossa avozinha quando nos visitava.
Eu casei, mas nunca mais fui à igreja. Mas nove anos mais tarde senti a necessidade de ter uma base espiritual. Fui a uma biblioteca e estudei varias religiões. Mas sempre à noite me lembrava das orações da avozinha. Li livros sobre a religião Católica e comprovei que dava respostas a todas as minhas dúvidas. Procurei um sacerdote, que me ajudou a preparar-me, e depois de receber a formação necessária recebi o Baptismo.
Eu rezava pelo meu marido e pelos meus pais. Um ano depois de ser católica meu esposo anunciou que ia preparar-se para ser baptizado. A nossa mãe reconciliou-se com a Igreja. Tivemos um filho e o baptizamos. Minha cunhada e o seu esposo ao ver como éramos felizes, também se tornaram católicos, e o meu marido e eu somos padrinhos dos seus três filhos. Tudo devido ao terço que rezava, em voz baixa, uma boa mulher!”. De facto o Rosário é uma chuva torrencial de graças.

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