6 de agosto de 2023 – Festa da Transfiguração do Senhor

1. Jesus Cristo de ontem, de hoje e de sempre

 

a) A Majestade do nosso Deus. «Continuava eu a olhar, até que foram preparados uns tronos, e um Ancião sentou-se. Branco como a neve era o seu vestuário, e os cabelos da cabeça eram como de lã pura; o trono era feito de chamas, com rodas de fogo flamejante.»

 

b) Um vislumbre da glória do Céu. «Mil milhares o serviam, dez mil miríades lhe assistiam. O tribunal reuniu-se em sessão e foram abertos os livros.»

 

c) Jesus, Rei Universal. «vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. 14Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. »

 

2. Jesus Cristo, o Senhor da glória

 

No mistério da Transfiguração, Jesus corre, por momentos o véu que oculta a glória da Sua divindade e manifesta-Se em todo o esplendor da Sua Divindade. Tudo se reveste de simbolismo nesta acção de Jesus.

 

a) Somos Suas testemunhas. «Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles»

Jesus transfigura-Se perante três dos Seus Apóstolos que escolheu para testemunhas especiais: da ressurreição da filha de Jairo e da Agonia no Jardim das Oliveiras.

Quer prepará-los para que aguentem o impacto remendo de O verem em Agonia e não esmoreça a sua fé na divindade de Jesus.

Leva-os para o alto monte, como que a significar que não se trata de uma situação ordinária esta proximidade do Céu. «para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles» A tradição situa este acontecimento da vida de Jesus no Tabor. É um monte da Galileia, uma alta colina 17 km  a oeste do Mar da Galileia, como o topo à cota de 575 metros acima do nível do mar, muito íngreme de todos os lados — um autocarro não consegue subi-lo — de onde se pode contemplar um panorama deslumbrante em toda a volta.

Terá sido no topo deste monte que, segundo os Evangelhos do Novo Testamento da Bíblia, ocorreu a transfiguração de Jesus Cristo, sendo por isso considerado como um dos lugares místicos da Terra Santa.

 

b) Proclamamos a Sua Ressurreição. «As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear.» A vestes resplandecentes e brancas fazem com que Jesus Se manifeste com a glória da divindade, na manhã da Ressurreição e nas sucessivas aparições.

Nós seremos também revestidos desta glória — salvo as distâncias — depois da ressurreição dos mortos.

É uma verdade de fé que nos conforta, quando vemos que o corpo humano se vai degradando até cair em ruínas e se desfazer na sepultura.

«Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias”. Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados.» A contemplação da beleza e Jesus deve ter deslumbrado, não só Pedro, mas também os outros dois.

«Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos.»

Jesus recomenda silêncio por uma elementar prudência. Havia uma ideia falsa sobre a missão do Messias. Queriam fazer d’Ele um político e um guerreiro que viesse restaurar o poder e a glória de Israel, do Povo Escolhido. Se o povo tivesse conhecimento desta manifestação e a interpretasse ao seu modo, fariam, provavelmente uma revolução que atrairia a vingança dos romanos sobre eles, como veio a acontecer nos anos setenta da era cristã.

Não devemos falar das consolações que alguma vez Deus se digne conceder-nos, para não desorientar as pessoas, pensando que nisto consiste a santidade.

De resto, quando uma pessoa apregoa a propósito e despropósito que revê esta ou aquela “aparição” ou “revelação”, esse é o sinal infalível de que não é verdade. Os santos que receberam estas manifestações tinham uma grande relutância em falar delas, como se isso fosse uma vergonha para eles.

 

c) Jesus, centro da nossa vida. «Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus.» Moisés representa os Patriarcas, e Elias, os profetas de todo o Antigo Testamento. Jesus é o verdadeiro Messias, enviado pelo Pai, que estes homens de Deus não se cansaram de anunciar.

«Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”.»

Dá-se aqui uma teofania — manifestação esplendorosa de Deus — semelhante à que aconteceu quando Jesus saía das águas, no rio Jordão, depois do Baptismo.

Ao recomendar-nos que escutemos Jesus, o Pai proclama-O o Seu porta-voz oficial. O Mestre é a palavra do pai e diz-nos tudo e só o que o Pai nos quer revelar. Ele é a última e definitiva Palavra do Pai que nos ensina a viver como bons filhos de Deus e nos guia até ao Céu.

Jesus Cristo continua a falar-nos — não verdades novas, mas as de sempre — na Sua Igreja. A Sua doutrina é imutável e o Santo Padre tem o carisma que lhe dá o Espírito Santo, para ser infalível em matéria de fé e de costumes. Os Mandamentos serão exactamente os mesmos até À consumação dos séculos.

Chama-nos a uma vida ordinária. «De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles.» Há momentos na vida em que tudo nos parece mais fácil. Vemos com clareza o nosso papel na vida e sentimo-nos felizes por sermos cristãos e amigos de Deus.

Mas isto não é o habitual na nossa vida. Agradeçamos estes momentos de consolação e especial fortaleza na fé, mas não fiquemos tristes quando estes momentos derem lugar à prosa de cada dia. Nós não trabalhamos por entusiasmo dos sentidos, mas por Amor.

O mesmo Senhor que Se transfigurou no Tabor vai tornar-Se presente nesta Celebração da Eucaristia, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

É como que uma Transfiguração no silêncio que pede a fortaleza da nossa fé, para nos comportarmos como se O víssemos.

Ele Se nos oferece como Alimento, para transfigurar as nossas vidas e um dia podermos participar na Sua glória.

Maria Santíssima, sempre presente em cada Missa, ajudar-nos-á a esta transfiguração diário em Seu Divino Filho e nosso Irmão.

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