6 de agosto de 2020 – Festa da Transfiguração do Senhor

Na festa da Transfiguração do Senhor celebramos um acontecimento da vida terrena de Jesus, já próximo da Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Foi uma das muitas ocasiões em que aprouve ao Pai manifestar ao mundo a glória do Seu Filho Unigénito. Outras ocasiões em que a manifestou foram: no Baptismo do Jordão, quando Jesus saía das águas, nas Bodas de Caná, com a realização do milagre que converteu a água das talhas em vinho delicioso, quando a notícia da Sua missão começou a correr a Terra Santa e na instituição da Santíssima Eucaristia, durante a Última Ceia no Cenáculo.

 

1. A Majestade do Altíssimo

 

O profeta Daniel, no cativeiro de Babilónia, é favorecido com uma visão em que se manifesta a glória do Pai e é proclamada a glória do Filho, igualmente Deus.

Embora o Mistério da Santíssima Trindade ainda não tenha sido revelado, à luz do Novo Testamento — na plenitude da revelação — compreende-se que se refira a Ele.

Revela-Se nesta visão algo sobre a verdade de Deus. É como se o Senhor nos concedesse a graça de lançar um rápido olhar para as realidades que estão para além deste mundo sensível.

É como se Ele nos concedesse a graça de olhar, por instantes, para dentro do Céu.

 

a) Deus eterno. «Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura

Afirmamos no Credo: “Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.”

Deus é fundamental na nossa vida. Sem Ele, a vida não tem sentido. Como, porém, estamos mergulhados num mundo sensível, em que só comunicamos com os que estão à nossa volta pelos sentidos, facilmente nos esquecemos de todo o mundo invisível: a Santíssima Trindade, os Anjos e os bem-aventurados do Céu.

Nesta visão do profeta Daniel é figurada a santidade de Deus, pelo esplendor das vestes brancas, e a sua eternidade, nos cabelos como pura lã.

Ele quis partilhar a Sua felicidade connosco e criou-nos com essa finalidade. Demos graças ao Deus eterno que tanto nos ama e façamos da vida uma caminhada para ir ao Seu encontro.

Começamos no tempo, mas a nossa existência nunca mais terá fim. Somos livres para escolher para nós uma eternidade feliz ou infeliz.

Alegra-nos recordar que o nosso Deus não é um Amor que morre ou esfria, mas nos leva a viver com Ele para sempre, numa alergia e felicidade que nunca se repete e, por isso, não nos satura nem nos cansa.

 

2. Jesus é o Divino Salvador

 

a) Glória da Ressurreição antecipada. «e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz

Aproximava-se o tempo da Paixão de Jesus. Quando o Mestre falava nela, Pedro reagia sempre mal, porque lhe parecia que era um fracasso da missão de Jesus.

Mas o Senhor insiste em convencê-lo, e aos outros Onze, sobre esta verdade.

Para que eles não fiquem escandalizados ao contemplar Jesus na Sua Paixão e não seja abalada a sua fé em Jesus Cristo, Ele chama três do Apóstolos a testemunhar a Sua glorificação de ressuscitado no Tabor.

São os mesmos que noutras ocasiões presenciaram maravilhas: a ressurreição da filha de Jairo, que vão estar mais perto d’Ele durante as duas horas de agonia e na glória do Tabor.

O Mestre quer fazer deles testemunhas corajosas da Ressurreição gloriosa. Mas, ao mesmo tempo, deve proceder com prudência divina. Se, de facto, eles começassem a falar do que tinham visto, as multidões precipitar-se-iam para o aclamar rei e provocariam uma catástrofe, pois os romanos usariam de toda a força para reprimir a rebelião. Por isso lhes pede que guardem segredo sobre o que viram.

Na manhã do Domingo de Páscoa, os três devem ter-se recordado da glória do Tabor, quando viram Cristo ressuscitado.

 

b) Nós e a Transfiguração de Jesus. «Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais».  Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus

A Transfiguração do Senhor move-nos a concretizar alguns propósitos para a vida.

 

Santificação na vida ordinária. Pedro fez uma proposta a Jesus: construir três tendas para Jesus, Moisés e Elias. Ele não se importa de ficar ao ar livre. Mas quando passou a visão, encontrou-se com a mesma realidade de antes. Foi preciso descer à planície, à vida de todos os dias. Aí nos chama o Senhor para que nos santifiquemos. Quando estamos metidos nas nossas preocupações e trabalhos, também estamos a amar a Deus, a fazer a Sua vontade e, portanto a santificarmo-nos, e não apenas quando estamos a rezar.

 

Viver na graça de Deus como caminho para a felicidade eterna. A vida da graça é a participação na vida e felicidade de Deus. Esta começa na terra e vai continuar para sempre no Céu. Como pretendemos então viver habitualmente em pecado na terra e na amizade de Deus no Céu, como prémio duma vida de pecado?

 

A santa Missa Transfiguração de Cristo. Em cada celebração da Eucaristia, Jesus Cristo transfigura-Se diante dos olhos da nossa vida. Nós vemo-l’O transfigurado, pela luz da fé. Sabemos que por detrás das aparências do pão e do vinho, está Ele todo inteiro, vivo e glorioso como está no Céu.

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